2013-2015 (A partir de Março de 2013)
Performatização do gosto e as modulações de identidades nas práticas comunicacionais de fãs e antifãs de música nas plataformas de redes sociais
Palavras-chave: performance de gosto; sites de redes sociais; consumo musical; identidades;
O presente projeto explora o debate sobre o gosto e suas manifestações nos sites de redes sociais a partir da discussão teórica sobre a noção de performance de gosto (Hennion, 2007, 2010) como uma relação experiencial entre sujeitos, música e as materialidades da tecnologias. A partir da contextualização dos debates conceituais sobre o gosto e os fãs de musica, temos como objetivo proceder a um estudo de cunho etnográfico multi-métodos que descreva e caracterize algumas práticas de performatização do gosto nas plataformas de redes sociais como Facebook, Twitter, Tumblr, Instagram e You Tube, partindo de manifestações dos fãs e antifãs brasileiros de música alternativa (rock e eletrônica) que circulam e são compartilhados nesses ambientes. Dentre as observações iniciais destacamos o amálgama entre as disputas simbólicas e distinções sociais (Bourdieu, 2008) no embate entre os gêneros musicais; os elementos de capital subcultural (Thornton, 1996) e a sociabilidade ora lúdica ora combativa de tipos diferentes de fãs como anti-fãs, haters e trolls (Amaral & Monteiro, 2012). Tais aspectos constituem modos de performatização do gosto musical atuando nas mediações entre a escuta e os gêneros musicais no contexto da cultura contemporânea, bem como curadores de informações musicais na web (Amaral, 2012; Saad & Bertocchi, 2012)
2010-2013 (Em Finalização)
Plataformas de Música On-line: Fandom, consumo, classificação e distribuição de música nos sites de redes sociais
Esse projeto de pesquisa propôs uma análise das práticas sociais e comunicacionais que acontecem na construção/mediação das identidades online (Turkle, 1995, Donath, 2005, Boyd, 2007) através da criação dos perfis como performance de gosto (Liu, 2007) dentro das cenas musicais no contexto da web, a partir de plataformas sociais de distribuição de música online e suas apropriações pelos diferentes fandoms. A análise é pautada por uma abordagem etnográfica (Hine, 2000, 2005; Kozinets, 2002) compreendendo tais plataformas enquanto culturas e artefatos culturais, a fim de identificar as estratégias midiáticas de apresentação e promoção em performances para a visibilidade das subculturas que, através dos múltiplos usos desses sites de redes sociais por seus participantes, conferem ao online mais um espaço social no qual se observa diferentes tipos de elementos constitutivos tais como disputas simbólicas e hierárquicas na formação de gosto (Bordieu, 1989); laços de amizade fracos (Baym & Ledbetter, 2008) que são complementados em interações multiplataformas, práticas de social tagging para a categorização de gêneros musicais (Amaral, 2007; Amaral & Aquino, 2009) e processos de fansourcing (busca, recuperação e distribuição de informações de forma colaborativa pelos fãs). A partir de uma discussão comparativa sobre a construção identitária dos perfis e do consumo musical em quatro diferentes plataformas que compõem o corpus da pesquisa – MySpace, Last.fm, Soundcloud e Blip,fm – pretendemos observar os fluxos comunicacionais característicos desse tipo de mídia que incorpora tanto aspectos do jornalismo e da crítica musical tradicional quanto apresenta uma multiplexidade midiática (Haythorntwaite, 2005) e novos formatos como sistemas de recomendação além de mudanças na hierarquia da relação fã-artista. Também me interessa os modos de consumo e de categorização de conteúdo gerado pelos usuários a partir das conexões que acontecem entre os músicos e sua audiência.
Síntese dos resultados do projeto de pesquisa
Intitulado “Plataformas de Musica On-line: Fandom, consumo, classificação e distribuição de música nos sites de redes sociais”, o projeto de pesquisa refletiu teorica e empiricamente sobre as práticas de consumo subcultural e suas reconfigurações contemporâneas, entrecruzando os estudos sobre subculturas e as pesquisas sobre fandoms nos ambientes digitais, a partir das transformações no contexto da cibercultura e da popularização dos sites de redes sociais na sociedade. Com base nos estudos de cunho empírico multi-metodológico – sobretudo através da netnografia e da teoria fundamentada – realizados ao longo do projeto, observamos algumas categorias como a customização e a viralização das experiências de consumo, além das disputas simbólicas e performatizações identitárias amplificadas através de plataformas de nicho voltadas à música como MySpace, Last.Fm, Blip.Fm, Soundcloud e de plataformas mais genéricas como Twitter, Facebook, You Tube. O projeto procurou desenhar possíveis cenários e práticas sobre a reconfiguração das práticas de consumo e fruição da música. As interpretações centraram-se sobretudo em apropriações iobservadas a partir do cotidiano como usuária e insider desses sites de redes sociais e das cenas musicais, em seus desdobramentos apresentados em forma de disputas simbólicas e negociações identitárias. Como estratégia metodológica adotamos três formas de coleta e análise dos dados em rede: 1) a observação-participante nas plataformas; 2) descrição dos recursos materiais desses artefatos e das manifestações dos participantes; 3) entrevistas semi-estruturadas e questionários online 4) feedback dos dados para os participantes através da publicação de resultados parciais em jornais, revistas, no blog da pesquisadora e outras redes e nos grupos dentro dos sites. A perspectiva insider da observação partiu da descrição e do estudo de plataformas específicas voltadas à música e suas apropriações sócio-culturais; depois passamos às novas formas de categorização musical pelos usuários nesse cenário e pelos processos de reconfiguração do papel dos fãs e da crítica musical, trazendo uma diversidade de mediações e mediadores. Na sequência, procuramos discutir as formas de engajamento e participação dos fãs nas estratégias de mobilização e na construção das identidades de diferentes cenas musicais como o rock e a música eletrônica alternativa. Dentre alguns resultados obtidos, destacam-se a pluralidade de apropriações culturais, sejam coletivas e que incluem intensa mobilização online e offline – através da produção de produtos midiáticos produzidos pelos fãs como flashmobs, lipdubs e uso de tags e hashtags – até utilizações mais individuais – como a do fã-curador da memória e das negociaçõesde identidade e de demonstração afetiva ou de ódio, conforme observadasnas atuações de alguns fandoms no Twitter, Facebook e You Tube, por exemplo. Os resultados também nos indicam diferentes modulações de linguagem nos quais observamos que os conflitos sobre gêneros musicais trazem endereçamentos semânticos de ordem extra-musical, relacionados à construção de capital subcultural e a preconceitos e estéreotipos de gênero e raça, como no caso dosusos das hashtags ofensivas por grupos de antifãs de determinados gêneros musicais ou artistas.




Oi, preciso conversar contigo sobre tuas pesquisas e o que elas têm a ver com a minha:H@LP! Aguardo então.