Arquivos de etiquetas: subculturas

Crescendo e envelhecendo em uma subcultura: o caso dos góticos

14 fev

Goths Louise Nickerson and Bob Rosenberg with their baby. Photograph: Frank Baron for the Guardian

No final do ano passado, o jornal Guardian publicou uma matéria chamada Growing-up for Goths comentando o atual projeto de pesquisa do sociólogo britânico Paul Hodkinson sobre o processo de envelhecimento dentro do contexto das subculturas. Hodkinson estudou o desenvolvimento das identidades dentro da cena gótica inglesa enquanto os participantes saíam da adolescência e se tornavam adultos. Alguns dos resultados da pesquisa indicam uma privatização da identidade, afinal as pessoas crescem, trabalham, tem filhos e passam a selecionar mais em quais shows/festivais/clubs irão. No entanto, dentro do caso dos góticos percebe-se que é uma subcultura na qual há uma trajetória de continuidade de pertencimento na cena. Leia-se uma vez trevoso, trevoso até o fim LOL. Em seu site, Hodkinson disse que NÃO manifestou que isso NÃO aconteceria em outras subculturas conforme está na matéria (jornalistões falhando com as subculturas desde os anos 60 rs).

O pesquisador Paul Hodkinson atua na University of Surrey, UK

Além dessa matéria, Henrique Kipper, participante ativo na cena de São Paulo, entrevistou Hodkinson para o webzine Gothic Station no qual ele trata desse tema e questiona o uso do termo subcultura juvenil como algo relacionado estritamente com a juventude.

“Resumindo, há uma pressuposição na qual a juventude constitui um período temporário de rebelião seguido por uma eventual acomodação em uma vida adulta normal. A pressuposição é que pessoas jovens são capazes de vivenciar a rebelião cultural de uma forma que os adultos, com suas responsabilidades maiores, não são. Isto dificulta como entender as coisas quando pessoas mais velhas continuam a manter uma forte conexão com as subculturas aparentemente “jovens” ou “joviais”. Essas pessoas deveriam ser vistas como se agarrando a sua juventude, como falhando em crescer ou como em negação de suas crescentes realidades adultas? Eu tendo a discordar desta interpretação como um todo. Há um elemento de juventude na participação dos mais velhos em cenas como a gótica (ainda envolve sair, beber, montar um visual e tudo mais), mas frequentemente a participação das pessoas se adapta e muda na medida em que elas envelhecem- elas encontram formas de permanecerem envolvidas que são compatíveis com suas vidas adultas. Assim, pensaria a continuidade da participação mais como um acompanhamento de formas especiais de vida adulta, e não como uma fixação na adolescência.”

Outro ponto que achei bem interessante é a questão de como à medida em que os participantes ficam mais velhos, eles moldam e adaptam os elementos visuais, acessórios e o modo de vestir – um dos marcadores semióticos mais fortes nas subculturas em geral, sobretudo no caso dos góticos – conforme as necessidades e o conforto. Ou seja, eles continuam utilizando elementos demarcadores de identidade, mas de uma forma mais “sutil” ou “amenizada”. A questão da classe social, que foi de algum modo renegada por parte dos pesquisadores inseridos no contexto pós-subcultural dos anos 90 é redimensionada, uma vez que a cultura gótica é via de regra “classe média” (acredito que o mesmo poderia ser pensado a respeito dos indies por exemplo). Acompanho há um bom tempo o trabalho do Hodkinson e achei que essa abordagem dele sobre a duração e o crescimento dos participantes de subculturas é bastante original e desmitifica preconceitos em relação à idade e ao comportamento subcultural. Acho muito preconceituoso e me irrita quando determinadas pessoas começam a tentar regular o que a pessoa pode ou não pode fazer dentro de determinada faixa etária. Ou então quando incorporam o discurso senso comum do “tenho que agir assim, afinal todos agem”.

Penso hipoteticamente que os tipos de capital subcultural, para utilizar a apropriação que Thornton (1996) fez da idéia de Bourdieu, atinge diferentes estágios conforme a idade do participante. Por um lado, à medida que envelhece ele (ou ela) adquire um status maior devido a sua experiência e conhecimento sobre a cena, mas por outro lado, o afastamento presencial de determinados eventos e uma possível falta de atualização decorrente dele  pode abrir uma lacuna e dminuir esse capital acumulado. Novos subgêneros musicais aparecem, outras práticas entram em moda. A internet, nesse caso talvez atue como um mediador dessas questões por vezes acentuando disputas, por vezes complementando a participação na cena. São questões a serem pensadas e debatidas.

Vale a pena ler o artigo completo, Ageing in a spectacular ‘youth culture’: continuity, change and community amongst older goths com os resultados da pesquisa que está publicado no British Journal of Sociology de Junho de 2011. Já informo que a revista é de acesso fechado :( Caso alguém tenha interesse no assunto, basta me solicitar o paper via comentários do blog.

Agradeço à Ana Lucia Araujo e ao Guilherme Corrêa pelo acesso ao artigo, uma vez que tentei a partir da base de dados a qual acesso mas ela só disponibilizava um artigo por edição desse periódico.

Mini-doc sobre o club Madame Satã – Pague para entrar e reze para sair

17 jul madame sata club

Uma boa dica do Raul Aguilera foi esse mini-doc sobre o club Madame Satã de São Paulo, clássico na noite dos anos 80 que reunia as subculturas alternativas urbanas, que naquela época recém estavam se configurando no Brasil: punks, new waves, góticos, pós-punks, skins, psychobillys, clubbers entre outros. Vários movimentos ali surgiram como o rock BR e depois a cena eletrônica emergente com EBM, new beat e outros subgêneros. O club funcionou de 1983 a 2007 e entrou para a história da cenas brasileiras.

Esse mini-doc resgata um pouco da história e importância do club para as cenas alternativas nacionais e foi feito por alunos de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo no ano passado. Vale conferir.

Práticas de consumo subcultural nos sites de redes sociais

3 jun

Em minhas pesquisas sobre as relações entre subculturas, fandoms e as tecnologias de comunicação, uma das questões que tem me chamado atenção diz respeito às possibilidades de construção de determinados estilos de vida, performatização e fruição de objetos e práticas culturais através das plataformas digitais. Tenho estudado especialmente os grupos relacionados à música, sejam eles fãs de gêneros musicais mais  midiaticamente populares – como é o caso dos fãs de happy rock que pesquisei juntamente com João Pedro Amaral e agora também com a Camila Monteiro e/ou participantes de cenas mais de nicho, como o electro-industrial – que estudo desde minha tese de doutorado, o steampunk, o witch-house, entre outros .

São vários os elementos que estão em jogo nesse cenário, muitos deles continuam os mesmos: a moda, a performance, os aspectos da experiência emocional, as trocas simbólicas e o capital subcultural; no entanto, muitas vezes se remediam, se replicam, viralizam e se representam de forma distinta ao que acontecia em tempos pré-internet, por exemplo. Um dos elementos mais importantes para a compreensão de uma subcultura é, sem dúvida, através de suas práticas de consumo. Peter Burke (2008) comenta que o consumo, a moda, a cultura e o estilo de vida dentro desses grupos encontram-se relacionados de forma inseparável e, portanto não há como analisá-los sem refletir sobre esse amálgama. A materialidade dos objetos adquiridos e a utilização dos mesmos dentro de uma determinada cena se torna também  item de disputas simbólicas e de negociação identitária, determinando hierarquias e acesso ao capital subcultural  (Thornton, 1995); assim como a manutenção do estilo “cobra seus custos”  também na representação de gêneros, ora na predominância de aspectos masculinos nas subculturas como afirmavam os pesquisadores da década de 80 como Brake (1980); ora nas estratégias de hiperfeminilidade de outras, conforme nos indica Brill (2008). É preciso lembrar a noção de capital subcultural proposta por Thornton (1995):  “uma marca de distinção que pode ser objetificada (através das roupas ou coleções de discos por exemplo) ou corporificada (através do conhecimento subcultural e do quão “legal”- cool – é um indivíduo da cena) conferindo status ao seu proprietário”.  Essa definição nos remete novamente à questão dos objetos materiais e imateriais (falarei aqui mais especificamente da moda e do visual) bem como a sua corporificação, que eu compreendo através da performatização (das coreografias, do modo de vestir por exemplo) e do conhecimento de determinadas estratégias, códigos e informações “privilegiadas”  que garantem os indicativos de apreciação daquele indivíduo pelos outros membros do grupo. Mais adiante – em um trabalho que está em andamento – tratarei de forma mais aprofundada essa noção.

Com a popularização da internet e de outras tecnologias de comunicação, de que maneira essas práticas de consumo subcultural são reconfiguradas e adaptadas de acordo com os diferentes ambientes e plataformas digitais?

São muito os tipos de apropriações,  desde as coletivas e que incluem intensa mobilização inclusive offline como flashmobs, lipdubs e usos de hashtags no Twitter, estudadas como práticas de fansourcing em um artigo anterior (2010) até utilizações mais individuais.

Foto das cartela de cores para tingimento de jeans da rede de lavanderias Restaura Jeans

No caso de um gênero mais pop como o “happy rock”, em um estudo recente (Amaral & Amaral, 2011) observamos basicamente quatro tipos de performances de engajamento dos participantes dessa cena no Twitter, Facebook e You Tube a partir de uma adaptação da Teoria Fundamentada como método para estudos de internet (Fragoso, Recuero e Amaral, 2011):

1) Performance identitária, ou como os artistas desse gênero representam sua identidade nessas plataformas. As referências, citações e menções à própria internet ou a sites de redes sociais se destacaram no discurso identitário dos participantes;

2) Performance de demonstração afetiva/sentimental. É aquela centrada no relacionamento afetivo, nas emoções e experiências entre os participantes;

3) Performance solidária. É da ordem da convocação ao engajamento e à participação, visando a interação entre os membros;

4) Performance de crítica musical. Aquela que remedia a crítica, tomando para si esse papel através de comentários sobre shows, canções, etc. É uma prática cultural que atrai disputas e até manifestações de repúdio em determinadas situações.

Um dado interessante que emergiu da pesquisa exploratória – que se encontra em andamento – sobre os usos das hashtags pelos fãs do happy rock, desenvolvida por mim e pela Camila Monteiro, é o fato de que na maior parte das disputas e conflitos sobre esse gênero musical, boa parte dos elementos semânticos e simbólicos  utilizados como ofensa aos grupos de fãs são extra-musicais. Destacam-se essencialmente as roupas e o modo de vestí-las, a sexualidade e o gênero (masculino/feminino), a afetividade e as diferentes modulações de linguagem (Baym, 2010), como as gírias, emoticons e outros tipos de adaptações da escrita, como no exemplo do S2.

E no caso específico das práticas relacionadas à moda, como as subculturas têm se apropriado das plataformas digitais?

Ainda estou levantando dados sobre essa questão, visto que o fator “modo de vestir” aparece de forma significativa tanto na literatura sobre o tema subculturas como parte essencial do modo de consumo e também pelos dados empíricos. Percebe-se também que essa relação tanto pode ser observada nos modos de performatizar e negociar a identidade e o acesso e ganho de capital subcultural;  como estar atrelado a estratégias mercadológicas detectadas por coolhunters e agências de pesquisa a partir do destaque de determinadas tendências, como é o caso do steampunk, por exemplo, cada vez mais citado em editoriais de revistas de moda. Por um lado, amplifica-se e populariza-se o consumo (é mais fácil encontrar roupas para cosplay por exemplo no caso das gothic lolitas e outros subgrupos) e a produção de objetos customizados por exemplo, via tutoriais vastamente encontrados no You Tube. Por outro, essa mesma espontaneidade que emerge dos participantes é domesticada a uma lógica de mercado ancorada na personalização e na segmentação em nichos que pode até ser acessada  através do integrante X ou Y que alcança uma determinada reputação ou da emergência do tema.

Um exemplo interessante foram esses tutoriais de maquiagem produzidos por uma maquiadora irlandesa que demonstra um pouco dos códigos da make up cybergótica e steampunk/neo-vitoriana:

Algumas referências:

AMARAL, A., AMARAL J.P.(2011) “S2, S2”. Afetividade, identidade e mobilização nas estratégias de engajamento dos fãs através das mídias sociais pelo Happy Rock gaúcho.In: HERSCHMANN, M. (org). Comunicação, Indústria da Música e Desenvolvimento Local sustentável, 2011. (Título Provisório). No Prelo.

AMARAL, A. (2010) Práticas de Fansourcing. Estratégias de mobilização e curadoria musical nas plataformas musicais. In: SÁ, Simone (org). Rumos da cultura da música. Porto Alegre: Ed. Sulina.

AMARAL, A., MONTEIRO, C. (2011) Brazilian “Happy Rock Family”. Cyberfandom, mainstream musical genre or a pre-teenager post-subculture? No prelo.

BAYM, N. (2010). Personal connections in the digital age. Cambridge: Polity Press.

BRILL, D. (2008) Goth culture. Gender, sexuality and style. Oxford: Berg, 2008.

BRAKE, B.  (1980) The sociology of youth culture and youth subcultures. London: Rouledge.

BURKE, P. (2008). Modernidade, cultura e estilos de vida. In: BUENO, M.L., CAMARGO, L. Cultura e consumo. Estilos de vida na contemporaneidade. SP: Editora Senac.

FRAGOSO, S., RECUERO, R., AMARAL, A. (2011).  Métodos de Pesquisa para Internet. Porto Alegre, Editora Sulina.

THORNTON, S. (1995) Club cultures: music, media and subcultural capital. Connecticut: Wesleyan University Press.

CFP: Subcultures, Popular Music and Social Change

23 mar

Mais um call for papers imperdível que fiquei sabendo através da lista Mediaanthro. Um dos Keynote speakers é nada menos do que o Dick Hebdige, autor seminal para os estudos de subculturas que publicou o clássico Subculture, the meaning of style. E a organização conta com Paul Hodkinson, um dos maiores especialistas em subcultura gótica da Inglaterra ;) O deadline de envio de resumos é 20 de Maio.

CFP: Subcultures, Popular Music and Social Change

Thursday 15th – Friday 16th Sept 2011
London Metropolitan University, London, UK.

Style-based subcultures, scenes and tribes along with their music
genres  have pulsated through the history of social, economic and
political change. From 1940s zoot-suiters and hepcats; through 1950s rock
n rollers, beatniks and Teddy boys; 1960s surfers, rudeboys, mods,
hippies and bikers; 1970s skinheads, soul boys, rastas, glam rockers,
funksters and punks; on to the heavy metal, hip-hop, casual, goth, rave and
clubber styles of the 1980s, 90s, noughties and beyond; distinctive blends of
fashion and music have become a defining feature of the cultural landscape.
Research into these phenomena has traversed the social sciences and
humanities, and this symposium aims to bring together recent studies, insights
and methodological approaches in this rich, interdisciplinary field.

Featuring contributions both from major scholars and eminent commentators, the
symposium seeks to explore the historical and cultural significance of
subcultural styles and their related music genres. Bringing together
theoretical analyses, empirical studies and methodological discussions, it
will explore the relation between subcultures and their historical context,
the place of subcultures within patterns of cultural and political change, and
their meaning for participants, confederates and opponents. As well as
Anglo-American developments, the symposium aims to consider experiences across
a variety of global sites and locales, giving reference to issues such as
class, ethnicity, gender, sexuality, creativity, commerce, identity,
resistance and deviance.

The symposium marks the launch of the Subcultures Network: The
Interdisciplinary Network for the Study of Subcultures, Popular Music and
Social Change – a cross-disciplinary research network for scholars and
students interested in the relation between subcultures (in all their forms)
wider process of social, cultural and political change. Additional information
about the Subcultures Network can be found at -
http://www.reading.ac.uk/history/research/hist-subcultures.aspx.

Confirmed Speakers Include:

Prof. Dick Hebdige (UC Santa Barbara)

Prof. David Hesmondhalgh (University of Leeds)

Roundtable Discussion:

Richard Barnes
(author, Mods!; Mod: Clean Living Under Very Difficult Circumstances – A Very
British Phenomenon; The “Who”: Maximum R & B – A Visual History)

Pauline Black
(singer (The Selecter), actress, author, Black by Design: A 2-Tone Memoir)

Caroline Coon
(artist, journalist, political activist, author 1998: The New Wave Punk Rock
Explosion)

Paul Gorman
(journalist, director, creative consultant, fashion label owner, author, The
Look: Adventures In Pop & Rock Fashion; In Their Own Write: Adventures In The
Music Press; Straight (with Boy George))

Key thematic strands of the conference include:
•     the nature and meaning of ‘subcultural’ style.
•     the relationship between subcultures, popular music and social change.
•     gender, identity and subcultural groups.
•     ethnicity, ‘race’ and subcultural identities.
•     sexuality, style and subculture.
•     globalisation, locality and subcultural hybridity.
•     media configurations of subcultures, scenes and tribes.
•     style, popular music and political movements.

We invite papers and themed panels which investigate these and other areas of
interest from a wide range of theoretical positions and disciplines including:
sociology, history, cultural studies, criminology, media studies, music
studies, politics, psychology.

Titles and abstract (no longer than 250 words) to be submitted no later than
Friday May 20th 2011.  Email: dasslectures@londonmet.ac.uk

Symposium Venue:

London Metropolitan University, Holloway Road, London, N7 8DB, UK.

How to find London Metropolitan University -
http://www.londonmet.ac.uk/about/buildings/tower.cfm

The organisers

Jon Garland (University of Leicester)
Keith Gildart (University of Wolverhampton)
Paul Hodkinson (University of Surrey)
Bill Osgerby (London Metropolitan University)
Lucy Robinson (University of Sussex)
John Street (University of East Anglia),
Pete Webb (Goldsmiths, University of London)
Matt Worley (University of Reading).

Feliz Dia do EBM 24/2 #ebmday

24 fev

Hey você que pensa que as únicas coisas bacanas que a Bélgica produziu foram Stella Artois e chocolates. Pois saiba que na década de 80 do século passado esse pequeno país produziu um subgênero da música eletrônica (eles também produziram o new beat) que o colocou dignamente no mapa da música. EBM significa Electronic Body Music e no dia de hoje (24/2) em homenagem aos pais do estilo, o Front 242, é comemorado o International EBM Day. Para celebrar, dançar e bater cabeça, duas canções clássicas:

Primeiro, Tribatura com Lack of Sense lançada originalmente em 1987

Aproveitando o cunho “político” de algumas das letras do gênero e mostrando ainda ser relevante e atual dado o atual contexto da Líbia, a revista SideLine postou no You Tube um vídeo com a música Funkhadafi e o vídeo já está bombando na rede.

We who are oppressed love those who fight against oppression
and the oppressors.

Em tempo, analisei brevemente a movimentação da tag #ebmday em 2010 no Twitter ano passado no paper Práticas de Fansourcing que deixo para vocês como apertivo para pensar nas práticas relacionadas à música. Mas aguardem, que conforme havia prometido, mais tarde vou colocar alguns trechos de um texto de Alexei Monroe sobre a formação dos gêneros EBM/ industrial / techno. Stay tuned. Enquanto isso, EBM@Work .

Estereótipos Hipsters

26 ago

Excelente a matéria sobre a “cena” hipster que foi publicada na Wired UK. Dica do @synthzoid. Intitulada Hipster: from cultural icon to caricature apontando a relação dessa “subcultura” com a moda e com formas de consumo e suas negociações de significado. A matéria trata dos resultados de um estudo conduzido  por pesquisadores norte-americanos e que foi publicado no Journal of Consumer Research. O artigo aborda principalmente o “tipping point”ou seja a saturação pelo mercado de elementos míticos das subculturas, leia-se quando algo de nicho, segmentando, ou pertencente a um discurso específico torna-se comum e clichê, o que pode gerar abandono de determinadas marcas ou hábitos daqueles que anteriormente o consumiam. Esse é apenas um breve resumo, vou ler a pesquisa com mais calma depois porque achei interessante a “desmitologização das marcas” e o ponto que marca o afastamento do consumidor das mesmas para se pensar a questão identitária. Entender como se dá esse processo pode esclarecer alguns pontos sobre as práticas de consumo em relação aos diferentes tipos de participantes de uma subcultura, entre outras questões. Não coincidentemente, citei a questão do “hipness”em meu artigo sobre práticas de fansourcing, uma vez que é uma questão essencial para entendermos as estratégias de viralização.

PS: Problema de pesquisa: Por que em geral (há poucas exceções) o jornalismo brasileiro é incapaz de produzir uma matéria de panorama analítico a respeito de subculturas que extrapole o senso comum? Tá ai um bom modelo de matéria que consegue ter um olhar que saia das editorias de variedades e moda e pense culturalmente nas práticas de consumo.

CfP Urban Pop Cultures e CfP Cybercultures – Exploring Critical Issues

11 ago

Mais duas chamadas de trabalhos (uma na sequência da outra) que fazem total intersecção com meu trabalho, divulgadas pelo Fábio Fernandes.

1st Global Conference

Urban Popcultures

Tuesday 8th March – Thursday 10th March 2011

Prague, Czech Republic

Call for Papers

This inter- and multi-disciplinary conference aims to examine,
explore and critically engage with issues related to urban life. The
project will promote the ongoing analysis of the varied creative
trends and alternative cultural movements that comprise urban
popcultures and subcultures. In particular the conference will
encourage equally theoretical and practical debates which surround the
cultural and political contexts within which alternative urban
subcultures are flourishing.

Papers, reports, work-in-progress, workshops and pre-formed panels
are invited on issues related to any of the following themes:

1. Urban Space and the Landscape of the City

Urban Aesthetics and Architecture, Creative Re-imagining and
Revitalization of the City. The Metropolis and Inner City Life: Urban
Boredom vs. Creativity.

2. Urban Music Cultures

Histories, Representations, Discourses and Independent Scenes.
Popular Music Theory. The Visual Turn. Urban Intertextualities and
Intermedialities. Postmodernity and Beyond.

3. The City as Creative Subject/Object

Urban Life and Themes Considered in Music, Literature, Art and Film,
Urban Fashion, Style, and Branding.

4. Urban Codes

Urban Popular Culture and Ideology, Politics of Popcultures, D.I.Y,
Alternative Ethics of the City. Urban Religion and Religious
Expressions. The Avantgarde and Urban Codes.

5. The City and Cyberculture

Virtual Urbanity – Online Communities and the Impact of Social
Networking. Urban Identity and Membership. Globalization/Localization
of Urban Experience. Recent trends in Copyright/Copyleft. The Role of
Internet in the Transformation of Music Industry. The Impact of
User-generated Content.

6. The Urban Underground

The Rise and Fall of the Experimental Subcultures, Scenes and Styles.
Alternative and Underground Dance, Hip Hop, and Punk Scenes. Queer
Theory and Urban Cultures. Gendered Music and Fashion. Free Urban
Exploration and Libertine Lifestyles.

7. Urban Activities in Massmedia

The Visual Aspects of Urban Entertainment. The Evolution of Music and
Thematic Television. Media Structure of Music Video. Explicit TV and
Censorship. Urban Styles and Extreme Sports.

300 word abstracts should be submitted by Friday 1st October 2010.
All submissions are minimally double blind peer reviewed where
appropriate. If an abstract is accepted for the conference, a full
draft paper should be submitted by Friday 4th February 2011. Abstracts
should be submitted simultaneously to the Organising Chairs; abstracts
may be in Word, WordPerfect, or RTF formats with the following
information and in this order:

a) author(s), b) affiliation, c) email address, d) title of abstract,
e) body of abstract

Please use plain text (Times Roman 12) and abstain from using
footnotes and any special formatting, characters or emphasis (such as
bold, italics or underline). We acknowledge receipt and answer to all
paper proposals submitted. If you do not receive a reply from us in a
week you should assume we did not receive your proposal; it might be
lost in cyberspace! We suggest, then, to look for an alternative
electronic route or resend.

Organising Chairs

Jordan Copeland

La Salle University,

Philadelphia, USA

E-mail: copeland@lasalle.edu

Daniel Riha

Hub Leader (Cyber), Inter-Disciplinary.Net

Charles University,

Prague, Czech Republic

E-mail: rihad@inter-disciplinary.net

Rob Fisher

Network Founder and Network Leader

Inter-Disciplinary.Net,

Freeland, Oxfordshire, UK

E-mail: up@inter-disciplinary.net

The conference is part of the ‘Critical Issues’ programme of
research projects. It aims to bring together people from different
areas and interests to share ideas and explore various discussions
which are innovative and exciting.

All papers accepted for and presented at this conference will be
eligible for publication in an ISBN eBook. Selected papers maybe
invited for development for publication in a themed hard copy
volume(s) or for inclusion in a new Cyber journal (launching 2011).

For further details about the project please visit:

http://www.inter-disciplinary.net/critical-issues/cyber/urban-popcultures/

For further details about the conference please visit:

http://www.inter-disciplinary.net/critical-issues/cyber/urban-popcultures/call-for-papers/

6th Global Conference

Cybercultures – Exploring Critical Issues

Friday 11th March – Sunday 13th March 2011

Prague, Czech Republic

Call for Papers

This inter- and multi-disciplinary conference aims to examine,
explore and critically engage with the issues and implications created
by the growing adoption of information technologies for inter-human
communication. The project will also focus on assessing the continuing
impact of emergent cybermedia for human communication and culture. In
particular the conference will encourage equally theoretical and
practical debates which surround the cultural contexts within which
cybermedial and technological advances are occurring.

Papers, presentations, workshops and reports are invited on any of
the following themes:

1. Cyberspace and Cyberculture

Theories and Concepts of Cyberspace and Cyberculture. Identifying Key
Features and Issues

2. Cybercultures and Online Communities

Emerging Practices in Social Networking. The Shaping of Individual
and Collective Identities. Webnography. Changing Social Identity in
Cyberspace. State, Transnational and Commercial Control of Social and
Private Spaces. Concepts and Meaning of Online Community.

3. Cyber-Subcultures

Multi-National, Cross-Continental, Cross-Generational and Online
Diaspora Communities. Youth, Fan and Alternative Cultures Online.
Changing Social Identity in Cyberspace. Online Role Playing.

4. Design for Social Networking

Design and Communication Strategies and Practices. Accessibility,
Usability and Design Standardization. Creativity Support in
Interactive Media. Mobile Communication Futures. Web 3.0 Projects and
Concepts. Creative Commons.

5. Cybercultures and Politics

Governance and Control in the Online Environment. Cyber-Democracy and
the Impact on National and Global Politics. Surveillance and Privacy
in the Online World. Cyber-Activism and Social Mobilisation. Digital
Divide. Digital Rights in Virtual Environments. Cybercrime.

6. Cybermedia and Cyberjournalism

Cyberjournalism. New Media Discourses. Digital Communications and
Free Speech. New Censorship and Content Regulation. Grassroots
Journalism, Activism and Hactivism. The Portrayal of New Media in the
Old Media.

7. New Media Literacies

Educational Use of Virtual Environments and Videogames. Cultures of
Online Learning. Online Research Networking. Global and Local Learning
in the Age of Convergent Cultures.

8. Digital and Interactive Arts

Performative and collaborative use of Crossmedia. Machinima.
Transmedia Storytelling. User-generated Content and Cultural
Practices.

The Steering Group particularly welcomes the submission of pre-formed
panel proposals. 300 word abstracts should be submitted by Friday 1st
October 2010. All submissions are minimally double blind peer reviewed
where appropriate. If an abstract is accepted for the conference, a
full draft paper should be submitted by Friday 4th February 2011.
Abstracts should be submitted simultaneously to the Organising Chairs;
abstracts may be in Word, WordPerfect, or RTF formats with the
following information and in this order:

a) author(s), b) affiliation, c) email address, d) title of abstract,
e) body of abstract

Please use plain text (Times Roman 12) and abstain from using
footnotes and any special formatting, characters or emphasis (such as
bold, italics or underline). We acknowledge receipt and answer to all
paper proposals submitted. If you do not receive a reply from us in a
week you should assume we did not receive your proposal; it might be
lost in cyberspace! We suggest, then, to look for an alternative
electronic route or resend.

Organising Chairs

Daniel Riha

Cyber Hub Leader, Inter-Disciplinary.Net and

Charles University, Prague, Czech Republic

E-mail: rihad@inter-disciplinary.net
Rob Fisher

Network Founder and Network Leader

Inter-Disciplinary.Net,

Freeland, Oxfordshire, UK

E-mail: cyber6@inter-disciplinary.net
The conference is part of the ‘At the Interface’ programme of
research projects. It aims to bring together people from different
areas and interests to share ideas and explore various discussions
which are innovative and exciting.

All papers accepted for and presented at this conference will be
eligible for publication in an ISBN eBook. Selected papers maybe
invited for development for publication in a themed hard copy
volume(s) or for inclusion in a new Cyber journal (launching 2011).

For further details about the project please visit:

http://www.inter-disciplinary.net/critical-issues/cyber/cybercultures/
For further details about the conference please visit:

http://www.inter-disciplinary.net/critical-issues/cyber/cybercultures/call-for-papers/

The Dose Magazine #03 – Paris

20 jul

Já comentei há bastante tempo sobre a The Dose Magazine, revista/webzine sobre tecnologia, estilos de vida e  subcultura cyberpunk e electro-industrial sempre centrada em uma cidade, ou seja, “cultura pop alternativa“, como eles se auto-definem no editorial. Agora ela retornou com uma nova edição, a número 3,  cujo dossiê é sobre Paris e o cinema cyberpunk francês. As outras edições, lançadas entre 2006 e 2007,  foram sobre Tóquio e Londres. A dic a foi do kr3st0.blogspot.com. Com essa nova edição que  será vendida por apenas 4 euros, a revista entra em uma outra fase, tendo sido adquirida Wide View Ltd. Vale ler um trecho do que pensam os editores sobre o seu público:

We now live in the future and the future is dense and fast. We’re in the age of procrastination extraordinaire, where our commodities are endless and nothing short of wondrous. Cyberpunk is a nineteen-eighties term and SF authors write their bleak (or for that matter, vivid) visions of the future straight from their RSS feeds. Not that SF was ever about the future, anyway. We’re using the accumulated knowledge of millions and it basically all boils down to one thing: this is the first era when you can really do anything you want. If you can’t do that, you probably don’t know what you want or you don’t persist enough. Which is, you know, all good if you’re comfortable enough with that.

A revista está oferecendo um teaser de leitura que pode ser visualizado abaixo:

E, para fechar uma banda francesa que está na chamada de capa da edição, o Punish Yourself e seu som techno-rock falando de uma estação espacial (“station in the space”), porque #sci-fi e música tem tudo a ver.

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