Minha blogosfera privada – das agendas aos blogs

“A explicação interpretativa (…) é um sistemático desfazer
de malas no mundo conceptual.”

Clifford Geertz, O saber local, p.37, 2000 [1983]

Há tempos que desejo concatenar algumas idéias sobre a blogosfera,
diríamos assim, em um nível mais ensaístico e auto-biográfico,
sem amarras metodológicas, objetivos e
todo aquele aparato
“narrativo” e epistemológico
exigido pela pesquisa/teoria.

Essa semana, alguns fatos interessantes –
que não vêm ao caso
de serem detalhados –
me fizeram repensar sobre essa antiga idéia.

Esse é meu terceiro blog oficial e, por aqui, pretendo ficar.
Os motivos anteriores para o fim dos meus outros blogs

parecem não fazer mais nenhum sentido, afinal,
eu mudei,
mudaram as dinâmicas das relações sociais,
mudaram alguns expedientes tecnológicos,

como, por exemplo, a moderação prévia dos comentários,

os agregadores de RSS, entre outros.

O que começou como brincadeira com as postagens
das minhas hate-lists
sobre o mundo do entretenimento,
converteu-se,
em 2002 em um diário muito semelhante
às famigeradas
“agendas”, uma mania dos anos 80
que eu cultivei
com afinco por 8 anos, de 1987 a 1995.
A agenda já era uma re-apropriação cotidiana,

pois a princípio uma agenda serviria para anotar as tarefas,
compromissos, no entanto, para as garotas da minha geração,
convertia-se em um diário proto-hipertextual
com várias colagens pós-modernas wannabe.

Seria hoje, a agenda de papel uma mídia morta?

Ali eu depositava fotos de bandas, letras de música,
aspirações românticas, listas, descrições do cotidiano,

e até objetos menos nobres como pontas de cigarro,

recortes de jornais, conchinhas da praia e até uma pulseira

se encontravam em suas páginas formando aquele
“bolo” enorme com as folhas despencando.

Todo início de ano, eu as retomava a fim de conduzir
o fio narrativo
de minha existência adolescente e
tentar compreender
as transformações
e continuidades em minha vida.
Uma espécie de arque-genealogia pueril.

Eu as guardei durante anos no maleiro do guarda-roupa.
Embora eu as mantivesse “escondidas” de possíveis ataques

e vigilantes leitores, no fundo, o que eu mais desejava

era que fossem descobertas, pela pessoa certa, é claro.
Porque uma vez fiquei de castigo um sábado todo
devido a uma “pequena contradição” que foi lida…

As agendas de 89 e 90 foram as que mais me marcaram,
eu escrevia religiosamente todos os dias e com amplos detalhes.

Eventos simples como uma ida ao cinema ou um show de rock

ganhavam uma conotação épica sem proporções.
Se bobear, tinha até algum dos desenhos desse moço aqui.

Na multicolorida agenda de 89 eu laconicamente descrevia
algumas idéias aforísticas e, guardada, em sua contracapa

havia uma carta, uma carta que eu relia periodicamente,
reli tanto alguns trechos ficaram em minha memória
e remetiam
a um certo álbum de uma famosa (na época)
banda de Los Angeles.

The wind was with you
When you left on the morning tide,

You set your sail for an island in the sun,

On the horizon,
dark clouds up ahead,

For the storm has just begun

Um dia, no fatídico ano de 2001,
pressionada por “forças externas”
eu olhei para aquela
pilha de agendas gordas e reconchunchudas
e decidi
que já era “adulta” demais para mantê-las.
O destino lhes reservara algo à altura do meu imaginário,
uma fogueira na qual eu queimava páginas e páginas.
Parecia Fahrenheit 451 do Ray Bradbury
Nesse dia, eu chorei, chorei ao ver “pedaços da memória”
desmaterializando-se. Era como se eu nunca
mais pudesse regatá-los.
Eu lia determinados trechos e lentamente o jogava ao fogo.
Não restou nada.

Achei que eu ficaria feliz ao passar para uma nova fase.
Mesmo que eu já não mais as utilizasse – embora continuasse
a escrever algumas partes da vida,
até mesmo em guardanapos de papel
elas ainda eram uma lembrança marcante.

Watching the days go by
Thinking bout the plans we made

The days turn into years

Funny how they fade away
Sometimes I think of those days

Sometimes I just hide away

Waiting on that 9:20 train
Waiting on a memory

O grande diferencial entre as agendas e o meu primeiro blog
– à parte da noção espaço-tempo do próprio suporte
e da tosquice na manipulação do html –
era o fato de que, minha agenda era escrita e lida
apenas por mim, embora ocasionalmente eu a mostrasse para
alguma amiga de confiança. Era um ato solitário e, para tanto,
requeria um ritual que incluía a) trancar-me no quarto e dizer
o velho chavão “não me perturbem, to estudando”
b) ouvir minhas fitas k-7 – outra mídia morta – ou vinis
porque a música, como sempre ditava o tom da narrativa.

Antes do meu primeiro blog oficial, eu tinha uma espécie
de sitezinho vagabundo programado em bloco de notas
e hospedado no geocities. Ele foi feito por mim
para uma disciplina do mestrado
– na qual, por sinal, eu conheci a Raquel
e por um ex-namorado nerd, mistura entre a
fase jovem de David Gilmour
e Humberto Gessinger (não riam!!!..rs),
que também me batizou com esse nick/avatar
que eu assino hoje (Lady A.).
As aventuras de Lady A. possuíam um tom debochado
e despretensioso e foi exatamente assim, como um
quadro de Roy Liechtenstein que eu o transpus para a blogosfera.

(continua)…

"Não toque no meu Armani"


Dia muito frio e cinzento aqui em CWB.
Acordei e estava passando o remake de Shaft na Universal.
Curto um monte esse filme, é bem divertido e
Samuel L. Jackson com trilha de Isaac Heyes, comandam!
E tem o Christian Bale de vilão, meio caricato, but…
Adoro as trilhas setenteiras total com aquele groovy todo.
No meu atual humor, dá vonta de de sair dizendo
“Não toque no meu Armani”..rs mas enfim..
não quero mais falar disso… enough!
agora é fazer contagem regressiva pra sair desse
inferno astral mega-extendido mode on…

Mudando de assunto…
Também estou testando o Pownce,
(o Alex fez um post bem explicativo)
ainda não sei bem o que esperar…
um misto de twitter com msn com scraps.
http://pownce.com/adriamaral/

Tá, estou sem inspiração hoje,
embora eu tenha alguns posts no rascunho…

I wanna be like Harry Houdini

Hoje foi um daqueles dias em que eu
realmente desejei ser como Harry Houdini
e fazer minha grande desaparição….
.. é, fica assim nas entrelinhas, mas foi
um dia em que eu sequer deveria ter acordado…

I wanna be like Harry Houdini
And be the one to make the great escape
I wanna be where no one’ll see me
You’ve gotta learn a lesson give and take.