Retro-futurismo, Neo-vitorianismo e Steampunk: algumas discussões

Dois posts do blog da Boing Boing essa semana
lançam discussões sobre um dos assuntos que
mais me interessam – e que andam novamente
sendo repensados -em termos de sci-fi e de cibercultura:
neo-vitorianismo, retro-futurismo e steampunk
(tenho falado bastante em todos esses termos
nas aulas de Estudos Interdisciplinares com
as turmas de Design de Produto e Design Gráfico)

Em What the fuck is Steampunk? do dia 12/09,
Joel Johnson discute o crescente interesse nessa
“tendência cultural” (agora mais do que um subgênero
originado da cultura cyberpunk, incorporado
ao cotidiano a partir de reconfigurações de gadgets
e outros aparatos tecnológicos).
Joel comenta um pensamento do autor Warren Ellis
registrado em seu blog no dia 02/09:

Is it possible that steampunk is making a comeback
as acquiescence to the notion that our more recent
apparently plausible models of the future
will never come to reality?

Ele concorda com Ellis mas critica o uso indistinto do termo
steampunk para qualquer gadget com cara de “antigüidade”,
quando, em sua opinião, no sentido estrito,
seriam apenas aqueles com “máquinas a vapor”.
Assim como “clockwork” só se aplica a gadgets
que tem como base os mecanismos do relógio.
Como exemplo, ele mostra o teclado e monitor steampunk
da foto abaixo, customizado pelo próprio dono
(que mostra o processo no link acima)


A conclusão de Johnson sobre o termo no post é:
If there’s a better term, let’s find it. (…)
I just think steampunk is a neat confluence of trends,
taking a bit of post-goth fashion, mixing it with a little
DIY juice from the modding scene, and coming up with
something that, by being inherently not of our timeline,
should be timeless. But apparently is not.

As discussões nos comentários são ainda mais interessantes
com muitas proposições, algumas favoráveis ao termo
neo-vitorianismo (esse termo também é utilizado
em outro contexto – subcultural – embora ele
esteja diretamente relacionado aosteampunk,
pelo menos visualmente), outras ao
retro-futurismo/modernismo
(em termos de teoria da sci-fi, o termo retrofitting
dá conta do uso de elementos de diversas épocas e décadas
dentro de um futuro possível, o que difere desse caso
específico, onde os gadgets precisam se parecer apenas
com um determinado período)
e também ao eletro-anacronismo (vou pensar melhor
no uso desse termo, pode ser um insight interessante)

Em um post de ontem (13/09),
Johnson retoma rapidamente o assunto,
apenas para mostrar algumas esculturas feitas de
metal e pedaços de carro baseadas em modelos de filmes
como Terminator, Star Wars, Alien, entre outros.
e que, não são steampunk, tampouco electro-anacronistas.

O interessante desse debate todo, independente dos termos
(embora eles também nos ajudem em um “esquadrinhamento
epistemológico das relações passado-presente-futuro”)
são as noções de imaginário tecnológico neles inseridas.
Recentemente William Gibson declarou
(ao lançar seu novo livro Spook Country)
que, devido à pervasividade das tecnologias
de comunicação, ele se interessa mais pelo presente possível
do que por um futuro próximo.

E a discussão continua….

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