Redes e suicídios

A correria está enorme novamente essa semana, mas há um assunto no qual tenho esbarrado com uma certa frequência e que preciso comentar, pelo menos rapidamente.
Há alguns dias, a Perséfone indicou a matéria Suicídio.com, publicada na Revista Época, a respeito do suicídio de um adolescente em Porto Alegre acontecido em 2006. O garoto que deixou como legado um CD que está sendo lançado esse mês, obteve informações completas sobre o método utilizado para se matar na Internet e foi incentivado através de fóruns e comunidades virtuais nas quais participava. Também é contado brevemente o caso de um rapaz que se matou após começar a sofrer bullying via Orkut e, posteriormente, a ser assediado nas ruas.

A história e a matéria em si são muito mais complexas e trágicas do que o breve resumo que fiz, o que nos leva ao dia 16/02, quando Bryan Alexander do Infocult, comentou sobre os sites apoiadores de suicídio e linkou uma matéria feita pelo Times britânico sobre o mesmíssimo assunto: Fashionable website where teenage suicides are a cause for celebration.

Muito comentamos e discutimos os usos e apropriações das tecnologias de comunicação, a cultura colaborativa, etc mas aqui vemos claramente um tipo de apropriação e colaboração negativa. O cyberbullying já tem sido indicado como uma das formas mais danosas por alguns pesquisadores como Judith Donath por exemplo. O texto que produzi com minha colega Claudia Quadros em 2006, As agruras do blog (publicado na revista Razón y Palabra) faz uma análise empírica introdutória sobre as ofensas anônimas recebidas por blogueiros através dos comentários, ao mesmo tempo considerando a figura dos trolls e a questão da transformação do blogueiro em “celebridade”.

Nesse momento, nos encontramos frente a uma série de questões a serem pensadas como: “se a web serve para “copycat suicides”; como as legislações dos diferentes países tratam da questão do incentivo ao suicídio na Internet – no Brasil não há nada nesse sentido, tanto que os pais do garoto e o psicanalista levaram o caso à mídia justamente por isso – as questões decorrentes do anonimato , dos fakes, e a eternização online, como apontou o artigo de Josiany Vieira, A vida após a morte nos blogs (na Revista 404notFound) apenas para citar e pensar alguns dos problemas desse tipo de uso específico. Mas ainda há muito a discutir.

UPDATE 18/02 22h23min:
Por coincidência, recebo via newsletter as notícias do dia no portal Comunique-se e vejo que o jornalista Bruno Rodrigues comentou a mesma matéria da Revista Época e falou sobre sua participação em um programa que debatia o suicídio.com.

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