Novo do NIN disponível gratuitamente

Então, ano passado Trent Reznor rompeu com a gravadora. Tenho uma hipótese sobre isso, que compartilho com vocês. Para além da questão legal (o rompimento do contrato com a Universal, etc que ele alega ter levado muito tempo para dissolver) e de realmente acreditar no discurso anti-gravadoras, a idéia dele era não perder a reputação e a “aura” de artista de vanguarda e não-comercial (apesar do NIN ser um projeto grande e vendável e, em boa parte responsável pela popularização do chamado gênero “industrial rock” – não, não vou discutir se NIN é ou não Industrial na acepção original do termo, isso fica para um outro momento – nos Estados Unidos) que sempre lhe foi atribuída e que ele mesmo alimenta desde o princípio; seja através de entrevistas, dos vídeos artísticos/censurados pela MTV; e, um pouco antes da saída da gravadora, tendo começado a fazer comentários inflamados anti-majors, reclamando dos preços dos CDs durante os shows da turnê (falando aos fãs para “roubarem” em vez de comprarem os álbuns). Reputação essa que bandas como Metallica – na famosa querela com o Napster – perderam, por terem se posicionado, de certa forma, contra os seus próprios fãs – ou contra a lógica que os fãs esperariam daquela banda, devido a sua construção discursiva previamente midiatizada – o Metallica por exemplo, por muitos anos não produzia vídeos para a MTV. Reznor, muito claramente, percebeu que a sua “imagem midiática” perderia uma boa dose de “autenticidade” (característica que os críticos sempre lhe atribuíram como produtor principalmente e com a qual se identificam muitos de seus fãs) se continuasse em uma grande major.



Agora, em um passo semelhante ao do Radiohead (mas diferente porque ele já havia rompido completamente com a Universal), está disponibilizando gratuitamente para downloads partes do novo álbum do
NIN, Ghosts I-IV, através da licença de Creative Commons. As nove primeiras faixas podem ser baixadas de graça. Há ainda a opção de pagar US$ 5 pelo download do disco completo em alta qualidade e sem DRM.Tá esperando o quê? Baixa lá!

E, ao lançar 4 volumes de música instrumental, também confirma a tese de que a) mantém a discursividade e a imagem midiática necessária para manter a reputação de artista experimental (pelo menos enquanto tag); b) preso às amarras de uma major, provavelmente ele não poderia lançá-los tão cedo (isso que nem estou comentando a questão polêmica dos álbum com os remixes produzidos pelos fãs, fato que ele discutiu exaustivamente no seu blog e pelo qual lutou para poder distribuí-los), pois nas condições e termos da indústria fonográfica esse é um tipo de lançamento “suicida” (4 álbuns de música experimental), contudo no atual momento de cultura da gratuidade, ele é pertinente.

Nas palavras de Reznor: “I’ve been considering and wanting to make this kind of record for years, but by its very nature it wouldn’t have made sense until this point. This collection of music is the result of working from a very visual perspective – dressing imagined locations and scenarios with sound and texture; a soundtrack for daydreams. I’m very pleased with the result and the ability to present it directly to you without interference. I hope you enjoy the first four volumes of Ghosts.”

Minhas questões: qual será a estratégia de divulgação do novo álbum agora que Reznor pode cantar “eu sou free, sempre free, eu sou free demais”? será que dessa vez ele fará um novo ARG, como fez na divulgação de Year Zero? E o segundo volume de Year Zero (que se chamará Year One) sai quando?

Estamos vivendo uma época das mais interessantes, cheia de transformações nos padrões, hábitos e nas lógicas de produção, distribuição e consumo de bens culturais. E que só privilegia quem, como eu, ama a música! Outra coisa, todo esse debate me deixou ainda mais curiosa pra ver o novo livro de Chris Anderson sobre a economia do gratuito e que se chamará Free. O presente está muito mais emocionante do que qualquer possibilidade de futuro anteriormente extrapolada🙂

UPDATE (23h): Acabo de saber via mailing list dos Dresden Dolls, que Brian Viglione (baterista) participou de duas faixas do álbum (19 & 22) como baterista e percussionista convidado.

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