O método auto-experimental e o "pesquisador ciborgue" Kevin Warwick

Warwick teve microchips subcutâneos implantados no corpo.

Bem legal a primeira de uma série de reportagens da Scientific American Brasil sobre o método auto-experimental (quando os cientistas fazem os experimentos em seus próprios corpos). Na matéria Pesquisadores se tornam suas próprias cobaias em nome da ciência são apresentados alguns exemplos disso, com ênfase, nesse primeiro capítulo, em Kevin Warwick, professor de cibernética da University of Reading (UK) e suas pesquisas sobre ciborgues. Warwick conectou seu próprio sistema nervoso à rede*.

A questão do pesquisador como cobaia de sua própria experiência remonta às origens da pesquisa, então vale a pena rever alguns casos famosos. No livro Arqueologia da mídia, do alemão Siegfried Zielinksy, ele fala sobre o cientista Johann Wilhelm Ritter, fascinado pela eletricidade (e pesquisador dos raios ultravioleta), que morreu após sucessivas auto-experiências.

“Das cartas que Ritter escreveu para seus amigos românticos ficamos sabendo dos efeitos terríveis dessas experiências, que ele aceitava de boa vontade para o bem da experiência e do conhecimento, que eram de importância tão existencial para ele. Seu estado de saúde era catastrófico: os dentes caíram; depois de uma série de experiências contínuas, que duraram quarenta dias e noites, a boca ficou cheia de feridas, e teve sintomas crônicos de desinteria. Começou a sofrer permanentemente de diarréia severa. Nos últimos anos de sua vida, acreditando que poderia controlar, ou ao menos minorar a dor física e mental provocada por si mesmo, começou a tomar ópio com regularidade. (…) Toda a obra de Ritter é permeada pelas qualidades contraditórias, como a extrema desconsideração pelo corpo (incluindo o seu próprio), em simultaneidade com a excessiva celebração do mesmo** (…) A unidade da vida e da alegria, que ele propagou, incluía naturalmente a tensa identidade da ciência e arte no nível mais elevado da sua práxis: a experiência” (Zielinksy: 196-197, 2006)

* total cyberpunk!!
** negação e celebração do corpo não é exatamente o que vivenciamos ainda hoje na contemporaneidade e, principalmente através das TICs?

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