Domingo outonal com celtas e freaks

Domingo frio, cinza e chuvoso com filmes, trabalho e preguiça.
Ah sim, pipoca, chá e vinho tbm – mistureba!

A última legião (The last legion, Douglas Lefler, 2007)

Filme pipocão sobre uma possível origem romana de Arthur Pendragon. Totalmente Sessão da Tarde, levinho com direito a lutas com espada, discurso antes da batalha final, romances, celtas, godos, queda do império romano e todo aquele imaginário fundador de boa parte da mitologia heróica ocidental (diluidinho, claro mesmo assim é um assunto que sempre me interessa). Divertido e sem grandes pretensões. É sempre bom ver Colin Firth e Ben Kingsley.

“even if the freakish body sets our own (relative) normality in reassuring relief, it make us suddenly concious of our own deviance, be it physical or psychological”
(Dery, 1999, p.104)

Finalmente consegui rever Freaks (Todd Browning, 1932). Clássico, soberbo, outstanding horror movie. Quem já assistiu pelo menos a algumas cenas que estão disponíveis no youtube sabe do que estou falando. A seqüência da comemoração do casamento é emblemática com os freaks gritando “One of us, one of us”. Um filme com “freaks” de verdade atuando – o que causou inclusive sérios problemas para toda a equipe de produção da qual várias estrelas da época declinaram o convite após ler o roteiro e ao qual foi preciso construir um refeitório separado para que outros artistas e técnicos dos estúdios não se incomodassem com eles – e que por diversas vezes me lembrou das análises contidas em de “The pyrotechnique insanitarium” de Mark Dery, onde ele trata da atração norte-americana pelos freakshows e exposição de “aberrações” o que ele chama de “american grotesque” – e obviamente fala do filme – a partir do final do século XIX e hoje adaptados às mais diversas mídias e incorporados aos discursos e representações mediadas. Mark Edmundson (1999) já chama essa mesma faceta atraída pelo “obscuro” da cultura estaduninese como parte do “american gothic”disseminado no país. A própria idéia de “desviante” já foi ressignificada e reconfigurada pela contracultura dos anos 60, não por mero acaso quando o filme passou a ser cultuado, a partir de uma exibição em uma mostra no Festival de Cannes.

Ah e me nego a chamar o filme de “Monstros”, tradução que ele ganhou em português. Uma pena que em um dos finais, ele tenha sido amenizado (o filme foi banido da Inglaterra por 30 anos) . O final original é comentado por um crítico aqui nesse vídeo.

Creio que praticamente nenhum filme de horror trata com tanta sensibilidade – sem ser piegas – da temática da alteridade e do contraponto absolutamente relativo entre humano e não-humano do que esse, mostrando uma gama de possibilidades morais. Browning foi um daqueles gênios da época de ouro do cinema de horror, tendo dirigido filmes como London after midnight, Dracula com Bela Lugosi e A marca do vampiro, entre tantos outros filmes bastante influenciados pela estética do expressionismo alemão (iluminação, caracterização dos personagens, cenários, etc). Freaks é com certeza um dos 10 melhores filmes de horror já produzidos. É filme para ter em casa e rever mil vezes!

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