The Sci-fi boys (Paul Davids, 2006)

Acabei de assistir The Sci-fi boys, excelente documentário sobre a influência de alguns visionários do cinema de ficção-científica no imaginário de cineastas mais novos como Peter Jackson e outros. O filme é muito emocionante mesmo, principalmente ao centralizar no personagem de Forrest J. Ackerman, o responsável pela “criação” do neologismo sci-fi e que deu à noção de fã de sci-fi uma dimensão além do “standard nerd” ao editar a revista Famous Monsters of Filmland.

Estou caindo de sono e amanhã tenho que acordar cedo, portanto depois eu escrevo mais sobre esse filme, porque ele merece🙂

UPDATE: O mais interessante do filme, a partir do meu ponto de vista, é mostrar a importância do chamado “fandom” da sci-fi através da disseminação das informações e da influência crucial de Forrest J Ackerman no desenvolvimento da cultura da sci-fi, impulsionando outros fãs a se tornarem produtores, diretores, escritores, etc. Aliás, existe um trabalho muito interessante sobre isso que eu li para minha tese: BACON-SMITH, Camille. Sci-fi culture. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2000. Aliás, agora olhando a Amazon, reparei que há um livro novo dela, de 2007, que se chama Living with Star Trek: american culture and the star trek universe. Mas o autor que tem melhor abordado a questão é definitivamente Henry Jenkins. Para um bom arrazoado teórico sobre esse assunto eu recomendo o livro do colega João Freire Filho, Reinvenções da resistência juvenil. Os estudos culturais e as micropolíticas do cotidiano (ed. Maud, 2007). Aguardem em breve a publicação de uma resenha que estou terminando sobre esse livro.

Nos últimos tempos, tenho retomado em minhas pesquisas a questão do fã e do fã-pesquisador – e a sci-fi é pródiga em exemplos disso. Engraçado que esse tema do fã foi um assunto do qual tratei, ainda que muito brevemente (já que o foco era mais as questões de relacionamento e não o fã em si) em minha dissertação de mestrado onde analisei as relações de sociabilidade entre os fãs do U2 via lista de discussões (lá em 2002) e nos últimos tempos estou re-pensando a partir de outras vertentes teóricas e metodológicas – o artigo que apresentarei em junho na Compós já é reflexo disso. É engraçado como às vezes algumas questões ficam para trás, mas em um determinado momento precisamos voltar e nos reconciliar com elas.

Bem, mas voltando à vaca fria sobre o filme e os fãs de sci-fi ficam explícitas, a partir do filme, o papel das revistas no desenvolvimento do fandom e dos laços sociais entre eles, nessa cultura altamente participativa que é a dos fãs de FC. Para além dos efeitos especiais e das “nerdices” técnicas, o ato de contar estórias fantásticas (sim, aqui incluo o horror e a fantasia, gêneros co-irmãos) e permitir uma extrapolação da imaginação – seja ela científica, filosófica, etc – é no fim das contas, o elemento mais importante e que permite a esses gêneros uma longa vida.

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