Tweetstats e a contrução da identidade através dos perfis do Twitter

O Tweetstats é mais um aplicativo do Twitter, dessa vez possibilitando a visualização gráfica do seu perfil que mostra a linha do tempo das suas postagens, os dias e horários em que mais se posta, a interface utilizada e o que eu achei mais interessante: para quem mais enviamos respostas diretas, ou seja com quem mais falamos. Essa informação torna-se importante à medida que pode representar o tipo de conversações (conteúdo) que mais nos interessam, possíveis interações e até mesmo se, agregadas a outras análises, como o tipo de capital social, cultural e laços a elas associados, além de identificar os padrões de experiência identitária. Usarei como exemplo para essa breve análise um comparativo entre as minhas estatísticas e da Raquel (com a permissão dela repassada via msn é claro).

Respostas diretas para adriamaral (03/04, 12h30)

Assim, analisando rapidamente as minhas estatísticas, observo que a quem eu mais respondo às postagens são por ordem: o caue, o christofoletti, a raquel e a MC. Isso significa que provavelmente no twitter eu posto e respondo muito mais assuntos relacionados à música (que é a principal afinidade que tenho com o Caue, além do ateísmo) o que provavelmente gera mais respostas. Por outro lado, eu também posto bastante sobre meio acadêmico/pesquisa/tecnologias que são os assuntos que eu mais discuto com os outros três (christofoletti, raquel, mc) uma vez que trabalhamos na mesma área.

respostas diretas para raquelrecuero (03/04 )

Já as estatísticas da Raquel mostram que a quem ela mais responde sou eu, depois a MC, o christofoletti e anamargarites. Ou seja, a Raquel posta muito mais assuntos relacionados ao trabalho, ou pelo menos são desses que obtém mais respostas (embora haja variáveis) porque além disso, eu, ela e a MC também ocasionalmente falamos de assuntos pessoais, embora bem mais no msn do que no Twitter.

Assim, esse aplicativo nos dá mais alguns indícios tanto sobre os tipos de usos, conversações como sobre a própria construção do perfil, seja o que queremos “mostrar” (“ser visto”) a partir de uma identidade construída de forma fragmentada a partir de microconteúdos. Ou seja, apesar de participarmos de redes e subgrupos muito próximos e de postarmos em maioria sobre o mesmo tipo de assuntos, eu e Raquel nos distanciamos em nossas identidades “tweeteiras” no que diz respeito às pessoas “desviantes”. Das 10 pessoas com quem eu mais falo, 02 fazem parte da “cena” industrial enquanto os outros ou estão ligados ao meio acadêmico ou às questões de cibercultura (quando não são ambos), enquanto que no perfil da Raquel esse número chega a 9 pessoas (entre alunos e colegas), sendo apenas um amigo de fora do circuito “pesquisadores em comunicação/cibercultura”.

A partir disso podemos inferir algumas considerações: 1) nossas redes e subculturas estão intrinsicamente ligadas 2) os desviantes determinam mais um elemento identitário em nossa contrução de perfil, no meu caso “musical” e no caso da Raquel “nerd” 3) a raquel é ainda mais workaholic do que eu rs (brincadeira) 4) mas como os meus desviantes são “informantes” da minha pesquisa sobre a cena industrial, acabamos quase empatadas (brincadeira 2 rs) Agora para encerrar, no fim das contas, no Twitter, nossos usos e práticas seja de conversação e de sociabilidade são bastante similares o que demonstra alguns padrões a serem reconhecidos e que essa ferramenta pode facilitar algumas análises sobre os perfis tanto quantitativa quanto qualitativamente.

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