"Ressaca da revolução" – matéria sobre as transformações na indústria fonográfica

Havia esquecido de comentar que no sábado passado, dia 28 de junho, o jornal O Pioneiro de Caxias do Sul, publicou uma matéria chamada Ressaca da Revolução, a respeito das transições tecnológicas na indústria fonográfica. A matéria, do repórter Clóvis Victória apresenta algumas transofrmações globais e seu reflexo no local, em especial falando do caso da música regionalista (tchê music), que têm sobrevivido dos shows e utilizado a mídia física (os CDs) como mero cartão de visitas. Ao final há uma mini-entrevista comigo em uma entrevista que foi realizada por telefone. A matéria completa pode ser acessada no link acima. Algumas considerações e observações mais amplas estarão em um ensaio que estou finalizando.


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Foto(s): RONI RIGON


A vez dos multitalentosos

Se as novas tecnologias modificam comportamentos e produzem impacto na indústria fonográfica, também favorecem a produção independente. Para a pesquisadora e professora da Universidade de Tuiuti, no Paraná, a gaúcha Adriana Amaral, 32 anos, os downloads e os sites de interação potencializam a visibilidade e a independência do artista. Adriana também é sócia fundadora da ABCiber (Associação Brasileira dos Pesquisadores em Cibercultura).

Almanaque: Qual é o cenário da produção musical no Brasil diante da pirataria e do download?

Adriana Amaral: É bem complexo. Por um lado, tem a questão dos downloads. As pessoas não consideram isso pirataria, mas compartilhamento, e acham os CDs muito caros. Na comparação com o comércio informal, nos camelôs, aquilo sim seria crime. Pelo lado da indústria fonográfica, tem estas questões a que as gravadoras estão se apegando em relação ao direito autoral. As gravadoras ainda estão meio perdidas. Não sabem muito o que fazer. Há vários artistas que não conseguem se adaptar, que ainda não entenderam que o valor de venda não é do produto, mas da marca e principalmente dos shows. A venda se dá mais pelos shows.

Almanaque: Dê um exemplo de fenômeno da internet.

Adriana: A banda Cansei de Ser Sexy é uma banda brasileira que ficou conhecida na Europa e nos Estados Unidos pela internet. Tem também o exemplo do Radiohead, que lançou músicas na internet. Durante um tempo, aqueles que baixaram músicas deles pagaram o que acharam que deveriam pagar.

Almanaque: Estamos diante de uma crise?

Adriana: Não vejo como crise. Vejo como reconfiguração. Os shows continuam lotados. Há uma mudança de paradigma de vender, em vez do produto, o artista. Os grandes fenômenos de venda tendem a desaparecer. Não é que os CDs vão deixar de existir, mas o impacto das tecnologias acena para uma produção mais fragmentada. A tendência é diminuir a venda da mídia física. Vivemos um momento de transição. Todo mundo tenta ver para que lado as coisas vão. A tendência é uma maior independência dos artistas, gerenciando as próprias carreiras. Entendo que a mediação é mais pela imagem e marketing do artista do que pela mídia física.

Almanaque: O CD está ameaçado?

Adriana: No Estado, a venda de tchê music é auto-sustentável. Os CDs são baratos e têm produção independente. Os gêneros alternativos, mais regionais ou exóticos, conseguem sobreviver. Até porque eles fazem muitos shows.

Almanaque: O que o futuro reserva?

Adriana: Creio que a mudança passa por estes sites de redes sociais tipo MySpace. Temos acesso a equipamentos que há 15 anos não existiam. Por isso, a proximidade do artista com o público é importante. As pessoas entram no site e podem ser amigas do artista. Há uma personalização. Gosta de tal gênero de música, faz a pesquisa no site e aparecem vários músicos com aquele perfil. A tendência é procurar essas ferramentas e maior interatividade com o artista.

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