I wrote this letter to tell you the way I feel

Stranger, stranger in a strange land. He looked at me like I was the one who should run.

October é um disco subestimado pelo próprio U2. Tem toda aquela estória da pressão em cima do segundo álbum da banda, há também o fato de que Bono perdeu o caderno com todas as letras que ele havia escrito para as músicas e, durante as gravações teve que improvisar muita coisa, pois não se lembrava. É um disco que mantém as características do primeiro álbum, mas ao mesmo tempo não é tão épico quanto Boy (o primeiro). Boy traz toda aquela energia exacerbada da juventude, uma espécie de crescer em público da banda. O próprio sotaque irlandês bem marcado do Bono se faz presente em algumas faixas. Em Tomorrow ele dispara até um “sumbady” (não é à toa que a capa foi fotografada no cais do porto de Dublin). October faz uma pausa para reflexão com algumas belas linhas de piano e a indefectível infinitive guitar do Edge. Particularmente, sempre achei um disco muito interessante, muito menos over do que Boy e War que é o álbum que o sucede na primeira trilogia. E porque raios, aparentemente do nada resolvi escrever sobre isso?

I wrote this letter,
hope to get someplace soon

I want to get up

When I wake up

But when I get up

I fall down.

Porque October para mim sempre foi um álbum metafórico (para muito além das conotações religiosas e bíblicas) que representa aquele momento de perda de certezas, de dúvidas, de areia movediça sob nossos pés. Uma lacuna entre duas eras distintas, uma rápida olhadela no devir. Um entre-atos que atinge o ouvinte no instante em que ele respira e está prestes a lançar a próxima fala. Esse disco, que me acompanhou durante anos a fio em formato vinil – do qual eu nostalgicamente sinto a falta daquele chiadinho da agulha raspando o bolachão – e que há pouco tempo foi relançado em versão remasterizada, etc etc – passados tantos anos descreve através de 11 músicas o doloroso processo do auto-conhecimento, de crescer e abrir mãos de determinadas coisas e também dá alguns respingos de como tenho me sentido no último mês, em um verdadeiro entre-lugar que me faz repensar e questionar tantas premissas que me pareciam corretas e inabaláveis, a stranger in a strange land que eu sempre fui mas que tem se tornado tão presente nos últimos tempos.

One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand

E pensar que minha reflexão veio enquanto escutava Viva La Vida do Coldplay e me dei conta de que especificamente nessa canção eles “baixaram o santo” do U2-primeira fase e que não por acaso é a melhor de todo o disco – que eu não curti muito. Essa música vale cada acorde com seus violinos que crescem e preenchem a melodia aparentemente simples, os vocais de fundo semi-religiosos e a belíssima letra sobre alguém tentando compreender sua posição ao ver o mundo que ela conhecia tão bem desabar sob sua cabeça.

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn’t believe what I’d become

Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror, my sword and shield
My missionaries in a foreign field

For some reason I can’t explain
I know Saint Peter won’t call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

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