Vitorianos do século XXI


Faz uns dias que a Ale-Lain me enviou o link mas não havia tido tempo de postar por aqui. A Marie Claire fez uma matéria chamada Vitorianos do século XXI sobre moda steampunk e a apontando como uma tendência em termos de “tribos urbanas”. Aliás, apesar da matéria não falar muita bobagem, faltou aprofundamento. Uma hora chamam steampunk de movimento, outra de tribo urbana, subcultura nem pensar né… isso causa uma confusão de conceitos, sem contar a definição de cyberpunks do texto, mas tá dai é pedir demais dos colegas jornalistas que estudem algumas coisas básicas sobre a temática antes de escrever. Mas tudo bem, eles descreveram bem direitinho a mistura entre tecnologia, ficção científica, customização de gadgets e saudosismo do imaginário vitoriano que são os elementos fundamentais da cultura/moda steam.

Flyer do projeto Malediction Society, festa que rola em Los Angeles.
Nenhum cyber/steam pega gripe suína rs…

Reparem o visual retrofuturista

De qualquer forma, vale pelo fato de que finalmente estamos vendo a mídia massiva tratar de esse assunto que alguns pesquisadores já estão analisando há um bom tempo, apontando para algo que extrapolou a ficção e se reconfigurou nas ruas e na web – que se apresentou como um meio mais do que propício e irônico pra disseminar esse estilo de vida intimamente relacionado à tecnologia e ás mudanças sociais, tendo a revolução industrial e científica como um dos seus marcos.

[opinião pessoal – E olha, essa semana estava em busca de uma camisa branca e achei várias camisas neovitorianas em lojas bem distintas, coisa que em anos passados não se encontrava em lojas mais populares, eu sempre tinha que cavocar um monte (exceto durante o tempo em que morei em New England onde encontrava tudo e onde fiquei ainda mais entusiasmanda com o estilo) . Eu adoro esse hibridismo de elementos e sempre que posso tento usar alguma coisa quando componho um visual noctívago – é porque fica difícil ir trabalhar com essa “montaria” toda, ocasionalmente dá pra arriscar um “corporate goth” mas já é arriscado..rs /opinião pessoal]

Brincadeiras à parte, o retrofuturismo dos anos 80 nos remetia à década de 40/50 (Ex: o visual de Rachel e de Priss em Blade Runner), o retrofuturismo dos 90 remixava os anos 60 (ex: o grunge) mas o retrofitting dos anos 00 nos leva ainda mais longe, direto à era Vitoriana e seu imaginário. É nesse ponto precisamente que a literatura da época apresenta-se como uma força expressiva muito grande, capaz de gerar esse tipo de representação em artefatos culturais tantos séculos depois. Nessas horas fico pensando no quão confuso e divertido será o papel dos arqueólogos do futuro, ao tentarem desvendar os signos e desmembrarem as teias de significados da época em que vivemos a partir dessas representações.

A cantora Amanda Palmer, um dos ícones visuais
do póspunkcabaret e do steam, ainda mais agora
que ela se uniu em um projeto com neil gaiman!

Em breve retomarei o assunto em um paper que está em estado vegetativo na gaveta. Mas por enquanto, recomendo duas leituras para quem quiser entender um pouco dos fundamentos do que é o estilo vitoriano.

DAVIS, Philip. The Victorians. Vol. 8. 1830-1880. Oxford University Press, 2001. – Esse livro foi uma dica da Cris S que me emprestou. comecei a ler mas ainda não terminei e traz uma ótima abordagem acerca da passagem do rural ao urbano e da constituição da psicologia e filosofia vitoriana.

LÖWY, Michael, SAYRE, Robert. Revolta e melancolia: o romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis, Vozes, 1995. – Esse dá uma geral no romantismo, enfatizando as questões do movimento político, mas também nos traz um pouco da compreensão do que é o ethos romântico.

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