Atualizando as leituras teóricas

Com a aproximação da Compós, que acontece na semana que vem, estou lendo os artigos do GT Comunicação e Cibercultura a fim de participar da discussão, que é geralmente a melhor parte de um evento desse tipo. Mas também, intercalado aos papers, tenho lido algumas coisas interessantes, outras nem tanto:

Here comes everybody. The power of organizing without organizations do Clay Shirky (2008). Achei bastante decepcionante no que diz respeito à teorias e informações sobre as pesquisas do autor, contudo vale por alguns cases e estórias apresentados que enfatizam os processos colaborativos nos novos modelos de negócio e cultura. Nada de muito novo no front e o estilo dele de escrever é um tanto enrolado.

Por outro lado, Internet Inquiry. Conversations about method editado Annette N. Markham e Nancy Baym (2009) é uma coletânea de artigos sobre metodologia de pesquisa da maior profundidade e utilidade para quem está produzindo material relativo a objetos online tais como sites, blogs, sites de redes sociais, mundos virtuais, etc. A organização dos capítulos foi elaborada a partir de seis questionamentos de fundo que as organizadoras propuseram aos autores. São eles: 1. Como os pesquisadores qualitativos de internet definem os limites dos seus projetos? 2. Como os pesquisadores dão sentido ás questões envolvidas em coletar e interpretar dados online e offline? 3. Como as várias noções de privacidade influenciam decisões na pesquisa qualitativa em internet? 4. De que forma questões de gênero e sexualidade influenciam as estruturas e processos da pesquisa qualitativa sobre internet? 5. Como os pesquisadores qualitativos de internet podem produzir trabalhos significativos através do tempo, local e cultura? 6. O que constitui a qualidade nos trabalhos qualitativos? Assim, a cada bloco de questões temos capítulos refletindo sobre elas a partir de três visões de autores distintos, o que enriquece e amplifica o debate de questões tão pessoais sem se tornarem um mero guia de metodologia com “receitas de bolo”. Além disso, o livro já valeria pela extensa bibliografia sobre métodos distintos como etnografia, análise de conteúdo, entre outros, mas acima de tudo a obra certamente é referência para a compreensão da montagem de um projeto de pesquisa, dissertação, tese, etc a partir dos aspectos mais amplos da definição do campo, objeto e objetivos. Ele será útil tanto para quem já tem um bom domínio do assunto como para quem está iniciando nos estudos de internet (no entanto se o seu caso for iniciante sugiro que primeiro leia Doing Internet Research do Steve Jones (1998) e Virtual Methods coletânea organizada por Christine Hine (2005) antes de adentrar nessa leitura).

Ainda em termos de livros teóricos, na pilha da leitura para as próximas semanas estão Digital Media Ethics, de Charles Ess (2009) , Fan Cultures do Matt Hills (2002) e Convergent Journalism de Stephen Quinn e Vincent Filak (2005).

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