O papel da música nas redes sociais

Em uma breve pausa em meio a tanto o que fazer, tenho pensado muito sobre o papel que a música – e os músicos – têm adquirido no contexto dos sites de redes sociais. Desde as aplicações mais óbvias como sites segmentados (Last.fm., Blip.fm, MySpace Music, Jamendo, etc) até as redes mais amplas como Facebook, Twitter, etc como parte das estratégias sejam elas de divulgação de informações, de conversação entre fãs-artistas ou de fansourcing.


Essa semana foi particularmente excitante no sentido de repensar algumas dinâmicas a partir de alguns acontecimentos que mostram ainda mais o continuum online-offline e não enquanto dicotomia como ainda insistem algumas pessoas. Primeiramente, foi o desabafo de Trent Reznor afirmando que está “cansado” das redes sociais, após ter sido atacado por diversos trolls devido a exposição da sua vida romântica via Twitter. É irônico ver que justamente ele que tem sido tão hábil na condução da carreira via mídias sociais não esteja sabendo lidar com “o outro lado da força”. Contudo, acredito que esse “drama” como bem apontado pela Side-Line vai aumentar ainda mais as discussões e o buzz nas redes sobre o NIN, bem como elevar o capital social de Reznor, uma vez que o processo de identificação entre fã e artista o torna assim, bem mais próximo de vários de seus fãs e distante de outros tantos – fato apontado por ele quando trata das diferenças de seu comportamento agora e em 94, por exemplo.

O outro fato significativo da semana aconteceu ontem quando o show de retorno da banda Faith No More no Download Festival ontem pulou rapidamente para os Trending Topics do Twitter mostra que a relação informação-conversação a partir da organização dos fãs pode ser uma ferramenta poderosa de divulgação que extrapola o factual (ou na linguagem jornalística hard news como acidentes de aviões, eleições etc) adicionando uma dimensão mais afetiva. Digo isso, no sentido de que a banda que não tocava junta há 10 anos, então um caráter emocional anterior à questão das redes digitais estava no imaginário de toda uma geração que gostaria de ver novamente essa reunião. A isso, some-se o caráter de colecionismo e curadoria dos fãs (Jennings, 2007) e de exposição do gosto musical com vistas a visibilidade da identidade (Fonarow, 2008) e temos uma mistura que parece explicar um pouco o fato.Claro, e se isso não for suficiente, basta dar uma conferida na performance arrasa-quarteirao que o FNM fez durante o show, não deixando cinza sobre cinza.


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