Reflexão dominical: ateísmo fundamentalista ou ateísmo militante?

Domingo chuvoso de novo. It´s getting pretty annoying having rain all the time! Minhas roupas não secam, tá tudo um caos e a previsão do tempo é mais chuva para a próxima semana. Credo!


Mas vamos a uma pausa no assunto tempo e aproveitar o final do domingo para outro tipo de reflexão. Recebi o link pelo @wandeclayt. É um texto bem light publicado pelo The Economist retrucando a discussão daqueles que acusam Dawkins, Dennet e Hitchens – sem falar no Onfray – de praticarem um ateísmo fundamentalista. O autor desse texto rebate argumentando que o ateísmo deles é militante e não fundamentalista, o que eu concordo. “On one hand you have faith that makes people fly planes into buildings, genitally mutilate young girls, murder abortion doctors (in church), stone adultresses, outlaw certain forms of consensual sex or even just make it impossible to buy beer on Sunday in some states. On the other hand there is the atheist “faith” that makes people write smug op-eds, put ads on buses (see photo), file frivolous lawsuits against nativity scenes on public property, and the like“.

Achei esse texto bastante oportuno, após o fato da semana de que uma mulher foi executada na Coréia do Norte por distribuir bíblias, um livro banido pelo governo comunista. Como disse um dos comentadores, o problema disso é a cegueira que sistemas ideológicos geram, nesse caso nitidamente tem muito mais a ver com a questão política do que com o ateísmo em si. Não estou, de forma alguma, defendendo um crime como esse, apenas colocando em perspectiva. Banir livros já é algo com o qual não concordo a priori, ainda mais considerando a maior obra de ficção já escrita.

Não tenho paciência em geral com militância e militantes, até porque excetuando a discussão sobre a Lei Azeredo que tinha uma influência direta sobre a minha vida profissional, não me sinto 100% confortável em nenhum tipo de “movimento” (me chama mais atenção a efervescência das cenas e dos laços estéticos como diz Maffesolli), prefiro o estilo ácido neodandy em seu hedonismo irônico do que mensagens diretamente panfletárias, às quais acho um saco. Normalmente matenho-me distante de certas discussões irritantes porque meu foco é outro, mas no caso do ateísmo, especificamente, não me considero militante, apenas me reservo o direito de não ter que conviver com determinadas coisas. Todavia, sinto que há um grande preconceito e até mesmo um certo medo da maioria das pessoas em tratar desse espinhoso assunto (o que me faz achá-lo ainda mais interessante). Não sou extremista de querer que todos tenham o mesmo tipo de posição que eu – que boicoto casamentos, batizados, etc, mas se for o caso de algum amigo muito chegado ou de pessoas da família, eu até vou mais pela relação de afetividade do que qualquer outra coisa. Também nunca, em hipótese alguma, invalido a força e o poder dos rituais – eles já estavam na terra bem antes do cristianismo e sou uma simpatizante das eras pré-cristãs em toda sua mitologia. Apenas, sinto-me à vontade para debater certas questões justamente por não ter tido formação religiosa por escolha própria, fato que agradeço imensamente aos meus pais. Para mim céu e inferno é temática de banda de heavy metal. Nada mais.

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