Alguns pontos sobre a #abciber09

Só hoje consegui tirar um tempo para comentar os principais tópicos (na minha visão) sobre o III Simpósio Nacional ABCiber, do qual participei de segunda a quarta em São Paulo. Não consegui fazer uma cobertura via blog como no ano passado – apenas via twitter – pois o ritmo foi bastante intenso e o evento teve um formato bem diferente dessa vez – condensado em 2 dias e não em 4 dias como em 2008, com mais um dia de reuniões (assembléia geral e reunião do CCD e da Diretoria).
1. Eixos Temáticos – Acredito que o fato de terem eixos temáticos por um lado facilitou as convergências (e divergências) mas por outro fez com que muitas sessões e mesas com temas afins ficassem um tanto esvaziadas, uma vez que muitas pessoas que eu queria ter assistido, por exemplo, estavam falando no momento em que eu apresentava ou em que moderava uma sessão. Esse foi um fato recorrente e teremos que repensar para o formato do próximo evento, ainda mais quando consideramos o volume de trabalhos aceitos (ponto negativo na minha opinião). Contudo, mais de 200 pessoas compareceram ao simpósio, segundo dados da organização, o que é bom por outro lado.
2. Emergência de temas – Todos os anos, gosto de observar o fluxo de temas que emergem (e não estou falando aqui sobre hypes e modismos de pesquisa) e mesmo a continuidade e o avanço de outros. Destaco de cabeça algumas questões com as quais tenho mais familiaridade: a) discussões aprofundadas sobre a relação conceitual do entretenimento ao campo da cibercultura e, indico aqui os debates sobre games que foram muito comentados tanto devido à proliferação de mesas e trabalhos como na condução das análises. Esse definitivamente foi o ano dos games, tanto na ABCiber quanto na Aoir. Fatima Reges (UERJ)  e seu grupo de pesquisa foram bem comentadíssimos no Twitter, tanto na workshop quanto na  mesa temática, além disso, o pessoal do coletivo de pesquisa Realidade Sintética  também foi muito atuante; b)  música e cibercultura também foi um dos destaques da programação com trabalhos voltados tanto para questões mais “culturais” quanto para discussões em termos de estratégias de divulgação em redes sociais, pirataria, etc; c) cultura dos fãs novamente apareceu , talvez muito em função da adoção massiva do livro Cultura da convergência de Henry Jenkins como bibliografia de muitos programas de graduação e pós-graduação. Espero que, uma vez passado o “modismo” da leitura esse tema permaneça; d) e, por incrível que pareça epistemologia e metodologias, temas aparentemente enfadonhos e herméticos tiveram uma boa visibilidade com duas mesas temáticas lotadas e cheias de debates polêmicos e apimentados [depois farei um post sobre a mesa em que participei]; e) no que tange à questão dos trabalhos mais específicos sobre apropriações de ferramentas o Twitter foi o destaque disparado, seguido do ainda muito utilizado – no Brasil – Orkut e timidamente pelo Facebook, entre outros e) evidentemente que deixei de fora, nesse meu brevíssimo comentário,  uma série de temáticas como a questão das mídias locativas, das sensorialidades e outras.
3. Participação – A cada evento que participo nos últimos tempos, fico observando – para o bem e para o mal – a questão da participação e da cobertura via livestreaming, twitter, etc. Muda completamente a noção de presença  (afinal dá para saber se algum painel está “bombando ou não”, influenciando a audiência, de certa forma, e até mesmo fazer perguntas), bem como a própria atenção às discussões e as críticas e piadas internas via hashtags, enfim, são coisas a se debaterem ainda. Tenho saído sempre tonta dos eventos por conta dessa multiplexidade midiática a ser gerenciada.
4. Rede Social Offline – A parte social do evento estava muito boa, com um coquetel e lançamentos de livros no primeiro dia e a festa no Inferno Club na noite de terça-feira. Aliás, a organização da ESPM tá de parabéns pela escolha do lugar. Tenho que admitir que fiquei quebrada pós-festa (álcool + discotecagem + reunião no outro dia de manhã). Foi ótimo rever vários colegas e amigos que pesquisam temas afins ou não com os meus, além da super bizarrice do “retorno do stalker de pesquisadores” [piada interna mode on].

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