O Nirvana matou o hair metal?

Para descontrair um pouco nessa terça-feira corrida, um breve debate jornalístico-musical. A revista especializada em música e cultura pop Spin acaba de fazer uma série de textos “desconstrindo alguns mitos do rock e do pop”. O que mais me chamou atenção foi, sem dúvida, o mito número 2 que tenta desmentir a teoria corrente de que o Nirvana matou o hair metal. O principal argumento do texto contra o “mito” seria o de que o hair-metal já estaria fora das paradas de sucesso em 1991, portanto a culpa pela morte do gênero não poderia estar nas mãos do maior representante do “movimento” grunge.

 Cobain
X
 Hair Metal

Um parêntese, por que grunge é sempre chamado de movimento? – o que para mim tem uma carga semântica político-ideológica – e outras subculturas como hair metal e algumas mais divertidas são tratadas como “onda”/moda ou gênero. Talvez porque a crítica musical e o jornalismo de rock da época tenha elevado o patamar do grunge como “o grande” representante de uma geração, como algo absolutamente novo (que de novo musicalmente  não tinha muita coisa já que reciclava elementos do hard rock/metal setentista com o punk e atitude indie. Calma Nirvana descontrol fãs! não estou dizendo que não tenha sido importante, foi, mas só acho que atribuir o rótulo de movimento é um tanto demais). Sabemos o quanto o jornalismo musical se centra nas práticas de hype e de “next big thing”, o que de certa forma aparece ai nessa contradição.
Mas, se por um lado, a questão da parada de sucessos da época aponta bandas mais “alternativas” em oposição ao hair-metal, como Faith No More, Jane´s Addiction, Living Colour e outros; por outro lado, não podemos esquecer que 91 foi o ano do lançamento dos dois álbuns duplos do Guns n´Roses: Use Your Illusion I e II e da infindável turnê que rodou o mundo e culminou na separação da banda (muito bem descrita na biografia do Slash), e o Skid Row lançou o álbum Slave to the grind, tendo inclusive feito shows no Brasil (eu fui em Porto Alegre, no fatídico episódio da bomba no pé do baterista), ou seja, o argumento do hitparade não desconstrói o mito. O que desconstrói o mito foi o Zeitgeist dos anos 90, dai sim condensado no imaginário psicológico trazido pelo Nirvana que em oposição à diversão descompromissada, drogas, carros, festas e putaria “pregada” pelo hair metal aos aspectos mais sombrios e subjetivos da geração camisa de flanela.
Contudo, essa ideia de que o Grunge matou o poseur é dificílima de ser desmontada em termos do fandom, uma vez que na época houve até a suposta discussão entre Axl Rose e Kurt Cobain – se não me falha a memória em 92 – numa premiação da MTV e, nessa época as brigas entre participantes de uma ou outra facção (rs) dentro da cena do rock eram comuns. Lembro de cabeça, de pelo menos duas situações quando eu ainda era engajada nesse tipo de cena: 1) um grande amigo “poseur” enfurecido com Nirvana, culpando Cobain pela falta de hard rock nas paradas – mas isso já era em 93; 2) algumas garotas grunges que foram até o reduto poseur com camisetas que continham a frase “Grunge kicks poseur´s ass” e causaram o maior frisson e bate-boca com alguns amigos meus na época, também em 93. Ou seja, nesse período, as disputas hierárquicas e protocolares dentro das subculturas, em especial no Brasil ainda chegavam com um certo delay, era um momento pré-propularização da Web e os foruns de discussão (que muitas vezes chegavam à violência física risos – como nesse segundo caso que comentei) se realizavam em um lugar entre o discurso da mídia especializada, os shows, bares e escolas. Talvez por isso, fosse uma questão mais da ordem da “experiência ritual” e menos “performativa”, no sentido de publicização da perfomance. Mas isso é ponto para ser discutido bem mais e esse é só um post despretensioso.

3 comentários

  1. nanasparks · outubro 29, 2011

    Sou apaixonada por “Hair Metal” (Ou “Metal Farofa” como alguns chamam rsrs). De longe é um dos meus gêneros favoritos (se não o favorito) dentro do Rock. E ironicamente eu não sou muito fã do Nirvana, mas nem é por causa do fato deles terem, supostamente, tirado o “Hair Metal” das paradas. A verdade é que, como toda ‘onda’ musical do momento, o HM foi se desgastando no fim da década de 1980. Bandas ‘posers’ brotando da terra e pouco conteúdo pra oferecer. Sem falar que muitos ali se preocupavam mais com a imagem de “Bad-Boys-que-causam-escandalo” do que a própria música. No fim aquelas bandas ‘menores’ eram apenas meros clones, paródias do gênero. (É o que eu acho em relação a isso…^^)

    Só as bandas realmente boas é que ainda conseguiram ter alguma notoriedade no começo da década seguinte, maaasss…Como o grunge. já tinha dominado tudo, então só restava pra esses camaradas ‘dar uma sumida’ mesmo.

    Eu até curto uma coisa ou outra do Nirvana, mas na minha opinião, é uma das bandas mais superestimadas que existe. Detesto essa mania de muitos (sejam eles músicos fodões ou fãs bitolados) acharem que o Kurt foi “A melhor coisa que surgiu na década de 1990” ou “O porta-voz de uma geração”, como se o grunge tivesse dependido SÓ dele pra existir.

    Sou muito mais um Pearl Jam, um Alice in Chains e um Soundgarden.

    http://www.femalerocksquad.wordpress.com

    • Adriamaral · outubro 30, 2011

      Muito bacana, concordo bastante com tuas observações e acho Nirvana superestimado mesmo hehehe. Na vdd o que escrevi foi mais uma brincadeira em tom de provocação

  2. nanasparks · novembro 1, 2011

    hahahahaha tudo bem…(É pq eu sempre quis expor essa minha opinião em algum debate ou algo do tipo, ai vi seu post e me caiu como uma luva…=PP)

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