2009 em momentos personalizados

Ontem comecei a pensar em duas retrospectivas. A primeira delas, é claro, alguns fatos que marcaram 2009 para mim. A outra, postarei ao longo da semana e será sobre a década. Ainda estou catando fotos pra ilustrar e algumas coisas eu sequer lembro, mas tentei fazer um esforço para animar o blog já que esse foi um belo ano, cheio de conquistas.

Sobre 2009 – Tirando esse episódio deprimente nos últimos dias do ano, 2009 foi excelente. Consegui desatar nós de problemas que pareciam insolúveis e se arrastavam por anos a fio. Trabalhei muito, mas colhi excelentes resultados. Aprendi a me estressar menos com pessoas que não mudam e encarei a vida de outra forma. Tomei decisões – algumas coletivas – que terão repercussões futuras. Viajei pra caramba. Mudei de opinião sobre algumas questões e mantive minhas posições em outras. Não consegui ver tantos shows quanto eu gostaria, mas me diverti muito sempre que pude. Vibrei com as conquistas dos amigos e da família. 2010 certamente será ainda melhor!

Janeiro – Comecei o último ano da década no Rio de Janeiro superando um “ranço” que durava já vários anos e curtindo alguns dias de férias com direito a ler a bio do Slash, beber muito e passear. O Combichrist lançou “Sent to destroy”. E, na volta ao trabalho, participei da área de Blogs da Campus Party fazendo o lançamento do livro Blogs.com. Estudos sobre blogs e comunicação, organizado por mim e pelas colegas Raquel Recuero e Sandra Montardo.

Fevereiro – Lux Interior dos Cramps faleceu deixando um legado de rock n ´roll e demência aos freaks como eu e você. O PsychoCarnival (festival de psychobilly que rola em Curitiba) foi muito bacana e ainda maior e contou com uma galera de Porto Alegre que tocou o horror🙂 Teóricos caíram de pau no termo nova mídia e surgiram rumores de que o Last.fm estaria delatando músicas “pirateadas”. Ah sim, “Wrong”, primeiro single do novo álbum do Depeche Mode vazou na rede.

Março – O calor estava incomodando a todos, até aqui nessa terra conhecida por seu friozinho típico. Viajei pro RJ num trabalho bem legal com a Petrobrás. Tabulei horrores de dados pra pesquisa sobre o Last.fm e me afundei nas teorias acerca dos fandoms e da audiência, o que teve um reflexo e ampliou perspectivas em minhas pesquisas. Miss Kittin & The Hacker lançaram um segundo álbum depois de um jejum de anos e até o Wumpscut saiu da tumba electro-trevosa com um novo álbum que de novo não teve nada. Coordenei o GT de Cultura Pop no II Gamepad, evento de games da Feevale, e mais uma orientanda defendeu dissertação de mestrado. Comecei a trabalhar na Facinter e de cara já fui testada para ser soundcolocator na festa RGB da Comunicação.

Abril Under the april skies como cantarolavam os irmãos Reid teve muito trabalho e cobranças. Me virei nos 33 para dar conta de tudo, pois foi um mês intenso com viagem para Salvador em função do Procad de Jornalismo Digital. Mas gostei muito de ter conhecido o pessoal da UFBA, onde ministrei um seminário sobre Plataformas de música online e de uma banca de defesa de mestrado sobre blogs. Por coincidência, o Last.fm começou a cobrar pelo streaming da rádio para quem não mora na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Em abril também tiveram duas datas significativas para quem se interessa por cultura pop: 15 anos sem Kurt Cobain e, com ele o fim do grunge e as comemorações de 10 anos de Matrix. Depeche Mode finalmente lançou o Sounds of the Universe e royksopp arrasou com Junior (The girl and the robot foi um dos hits do ano). E a morte levou o escritor de sci-fi J.G.Ballard.

Maio – Logo no início do mês estive na Univali em Itajaí fazendo um “bate-papo” sobre Redes sociais, consumo e juventude. O show do Sisters of Mercy foi anunciado e cancelado em Curitiba. Dancei horrores na Disconfusion “Pink Flamingos” e redescobri a cena synthpunk dos anos 80, com destaque para a banda Nervous Gender. Estive novamente no RJ para reunião do CCD da Abciber.

Junho – Foi um mês polêmico e agitado. Participei do GT Cibercultura da Compós em Belo Horizonte, que teve pela primeira vez uma sessão sobre música e tecnologias. O Twitter foi capa da revista Time e o Pirate Bay foi vendido “pro sistema”. A 2a. temporada de True Blood teve início. O VNV Nation lançou Of Faith Power and Glory, que achei bem mais fraco que os anteriores. Participei de uma teleconferência sobre blogs via Skype na USP e Michael Jackson e Farrah Fawcett faleceram.

Julho – Meu inferno astral teve início com várias coisas dando errado de cara no início do mês. Teve a quarta edição da Zeitgeist no soho e pesei a mão no EBM old school. Li ainda mais coisas sobre ateísmo e participei de um programa polêmico na TV Educativa. As questões relativas ao consumo musical estiveram midiaticamente em destaque e teoricamente em meus apontamentos de pesquisa. A Gripe Suína em seu aspecto distópico biopunk adiou as aulas por algumas semanas. A galera da maskrinha se fartou!

Agosto – O curso de Doutorado da UTP foi aprovado pela Capes. Completei 34 anos sem nenhuma festa. Dona Morte levou um dos cineastas icônicos dos anos 80: John Hughes. Tive sonhos utópicos sci-fi style. Fiquei alguns dias em Sampa por conta da renovação de meu visto norte-americano e pude “perucar” e passear com amigos. O blog completou 2000 postagens. Editei mais um número da revista Interin. Me dediquei a dissecar um pouco mais o perfil dos consumidores de música via plataformas de nicho. Ao final do mês dei uma palestra sobre redes sociais para a graduação da UTP que inexplicavelmente bombou com mais de 140 ouvintes. Completei 4 anos morando em CWB.

Setembro – Setembro veio para arrasar quarteirões com pilhas de trabalhos e correria. Teve a palestra sobre música e redes sociais do Ticiano que organizei na UTP. Teve a mesa sobre Epistemologia e Metodologias em Cibercultura na Intercom, que lotou num domingo de manhã em pleno feriado. a parte mais legal da Intercom foi o encontro da gangue PNB que rendeu imagens e momentos memoráveis (meus amigos ruleiam!). Fiz o prefácio do livro Webmarketing de minha ex-orientanda Michelle Sprandel, que foi lançado durante o evento. No final do mês ainda dei um gás para ministrar uma oficina no III Seminário de Blogs e Comunicação Digital da Feevale num momento e ser soundcolocator do Espaço Colaborafun em outro, sem contar uma banca na PUCRS. Fechando o mês com chave de ouro, mais duas orientadas defenderam suas dissertações de mestrado e fiz seis anos de namoro, meu recorde de permanência em um relacionamento.

Outubro – Outubro foi literalmente uma loucura. A fantasia e a sci-fi nacional ficaram super em evidência com o prêmio Jabuti para o Bráulio Tavares e o lançamento do romance Os dias da Peste do Fabio Fernandes (cujo prefácio eu adorei escrever). Fiquei uns 15 dias pelos Estados Unidos. Minha viagem teve início por Milwaukee para participar do Congresso IR10 – da Association of Internet Researchers, onde coordenei uma mesa sobre pesquisas a respeito do Last.fm juntamente com Nancy Baym, Simone de Sá e Marj Kibby. Depois, eu e Simone nos divertimos em chicago e confirmei empiricamente porque lá é a terra de excelentes DJs e de house music animada e de bom gosto, me jogando na night. Tb vi um showzinho de uma banda indie-trevosa da Inglaterra chamada The Horrors. A viagem continuou com uma etapa em NYC onde visitei minha prima, vi uma bela exposição sobre o punk rock e “morry” nas compras no Village/Soho e assisti Rock of Ages na Broadway (que foi meu presente de aniver atrasado). Na volta houve o fatídico incidente com a TAM, que só foi resolvido nessa semana. Infelizmente não consegui participar do Musicom em São Luis do Maranhão por conta de uma super gripe.

Novembro – Novembro foi tão ou mais agitado quanto outubro. Os 20 anos da queda do Muro de Berlim serviram para dar mais toques 80s a 2009. No comecinho do mês fui a Porto Alegre apresentar trabalho no Seminário Internacional da PUCRS e suas influências francesas. Tb revi o Faith No More ao vivo 18 anos depois. Mike Patton ainda detona tudo! Em termos de sci-fi, o curta Ataque de Pânico foi o destaque da América Latina. Também teve a mesa sobre Metodologia na ABCiber em SP e sua festa inesquecível no club Inferno. Na outra semana, fiz minha primeira participação na SBPJor tb em SP em função do Procad. Aproveitei tb para mais compras na feirinha da Benedito Calixto, trevosar com darkwave na Treffen e me emocionar com Cartier Bresson e Walker Evans.

Dezembro – Foi o mês mais trash metal de todos. Fechamento de notas, bancas, relatórios, TCCs, seleção do PPGCOM, tudo ao mesmo tempo agora. Nitzer Ebb e Grendel lançaram novos álbuns. A subcultura steampunk ganhou matéria na Time. A season finale da 4a. temporada de Dexter foi eletrizante. Após tudo isso, pensei que descansaria em Porto Alegre, para onde fui com o intuito de ir ao casamento de uma amiga  – ao qual não fui – e visitar meu pai que estava hospitalizado. Apesar de saber que a situação estava grave, ainda tinha esperanças que ele sobrevivesse, afinal até um câncer ele havia superado uns anos antes. Fui a última pessoa a vê-lo com vida, que a deixou no dia 19 e uma nuvem negra se abateu sobre mim. Mas como meu sangue indígena (guerreiro e pagão) fala mais alto nesse aspecto do que a genética portuguesa, consegui segurar relativamente bem a onda e, de quebra recebi duas ótimas notícias: virei bolsista de produtividade do CNPq e sou oficialmente a coordenadora do DT Comunicação Multimídia do Intercom Sul 2010 que acontecerá em maio na Feevale.

6 comentários

  1. publicoeprivado · dezembro 27, 2009

    Que ano cheio e intenso, realmente incrível, Adri! No plano profissional, acho que você está começando a colher o que plantou. Até mesmo pela mudança de perspectiva que vc falou, o que acaba mostrando um amadurecimento inevitável. Claro que o passar do tempo tem que trazer coisas boas também. Aos poucos você vai aprender a conviver melhor com a ausência do teu pai. Essa é sem dúvida a prova mais difícil que a gente passa. Tenho até medo de pensar (pq conheço bem esta dor, infelizmente). De qualquer forma, parabéns pelas conquistas profissionais! Torço por você!bjs

  2. Adriana Amaral · dezembro 28, 2009

    Foi mesmo né Cris, mas espero que 2010 seja um pouco mais calmo porém cheio de realizações.

  3. Reges Schwaab · dezembro 30, 2009

    Ufa, que ano.Conquistas merecidas.Agora tu vais descansar um pouquinho, né?Um 2010 super.Abs

  4. Adriana Amaral · dezembro 30, 2009

    Reges: Vou sim, já to fazendo isso hehe

  5. Raquel · dezembro 31, 2009

    Gostei da idéia de fazer uma retrospectiva pessoal. Vou ver se faço umas anotaçoes para o ano que vem conseguir fazer… porque puxar pela memoria nesse ano nao vai dar…

  6. Adriana Amaral · dezembro 31, 2009

    Pra isso que serve o blog🙂 ghheheh

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s