"Freeze, shoot to kill or die": fansourcing e o International EBM Day

A semana foi tão corrida que sequer tive tempo de atualizar o post sobre o International EBM Day, o Dia do EBM, que aconteceu na última quarta-feira. A mobilização que começou via Facebook, se espalhou por outras plataformas na rede, principalmente através da tag #ebmday no Twitter. Sob o meu ponto de vista, o mais interessante dessa prática foi criar um espaço para troca de informações e conversações entre os fãs desse subgênero de nicho reforçando que há muito mais interações e negociações – no que denominei de cybercena no artigo Cybersubculturas e cybercenas de 2007 – do que offline, uma vez que poucos são os eventos relacionados a ela – não vou entrar aqui na questão das disputas simbólicas por hierarquia geracional.

A tag não virou trending topics, obviamente porque esse estilo musical está fora do circuito mainstream – embora algumas canções tenham sido hits, inclusive tendo sido bastante executadas nas pistas e rádios nos anos 80 e início dos 90 juntamente com o que se denominava na época technopop, contudo após essa fase retornou a ser um estilo de nicho. Apesar de muitos pregarem que em função da “visibilidade” da internet, o conceito de underground não fizesse mais sentido, fica nítido que os protocolos da rede ainda operam dicotomicamente. Naquele dia, as tags relativas ao BBB, no exemplo brasileiro, estavam entre os tópicos mais discutidos. Algumas observações preliminares que pude perceber enquanto examinava o acontecimento:

* As animosidades entre fãs de diferentes gerações – oldschool EBM X new ebm (a.k.a “maskrinhas”) – aparentemente não apareceram (ou apareceram muito pouco). Os participantes estavam mais interessados no compartilhamento de informações e/ou links com vídeos de músicas enfatizando a função de busca, coleta e curadoria do acervo musical do gênero a que o pesquisador David Jennings (2007) enfatiza como uma das principais características do fandom nesse contexto online;
* A questão semântica da tag foi o elemento agregador, no entanto, alguns fãs utilizaram a troca de seus avatares fotográficos por logotipos ou imagens relacionadas à cultura rivethead/tronco, em uma prática que parte dos próprios perfis e utiliza os elementos visuais como mais uma forma de comunicação;

* Em SP houve um encontro presencial, não fiquei sabendo de nenhum outro em diferentes cidades do Brasil;

* Além da transmissão de links, muitos participantes contribuíram produzindo conteúdo relacionado ao EBM não só enquanto gênero musical, mas relacionando livros, filmes, roupas, locais, e mesmo elementos cotidianos expressos em posts como (“gostaria de estar em um club esfumaçado ouvindo ebm” ou “saí com a camiseta do Front 242 em homenagem ao dia”) o que contribui para a fixação ora de esterótipos ora dos códigos utilizados pela linguagem da subcultura em questão;

* Também foram destacadas as apropriações criativas e co-produções postadas pelos fãs como remixes, djsets e mashups de músicas, fotografias, flyers e até uma HQ. Tais desdobramentos mostram que a cultura material é um elemento forte, apesar de uma aparente “desmaterialização” possibilitada pelas internet.

* Essa combinação de elementos pode constituir uma performatização – seja através dos perfis como indica Liu (2007), seja da comunidade como um todo – que é reconfigurada na e pelas redes digitais adicionando significados à estética subcultural;

Destaco, nesse contexto de apropriações, a HQ produzida por Daniel HDR para a clássica faixa Headhunter do Front 242, que pode ser visualizada tanto no flickr quanto no site.

Além desses, indico duas postagens de blogs sobre o EBM Day, primeiro o post do Overclockzine e depois o post do DJ Tonyy que postou alguns remixes para download.

Por essa complexidade de elementos é interessante estar atento às movimentações subculturais nas redes.

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Nesse momento deixo de lado a pele de pesquisadora e visto minha identidade de rivethead. Passar o #ebmday online com a galera foi muito divertido, mesmo estando lotada de trabalho. Adorei a função de ficar catando vídeos e músicas, além do bate-papo com o pessoal (Lidia, Wande, Caue, Fer, etc). Aliás, gostaria de agradecer ao Dani, meu amigo de longa data  lá de Poa que foi a primeira pessoa a me encher a paciência me mostando sons de EBM e synthpop🙂 Porque nem só de cerveja vive a Bélgica.  E segue o baile!!

NITZER EBB – JOIN IN THE CHANT!!!

MILITANT CHEERLEADERS ON THE MOVE – WORK IS VIOLENCE

COMBICHRIST – THIS IS MY RIFLE

MINDLESS SELF INDULGENCE – SHUT ME UP (VNV NATION REMIX)

3 comentários

  1. Francisco · fevereiro 27, 2010

    Excelente post. Eu gosto muito de Front e Nitzer Ebb!

  2. Adriana Amaral · março 1, 2010

    Obrigada Francisco, teu blog é bem legal, vou linkar por aqui.

  3. DanielHDR · março 2, 2010

    Obrigado pela referencia aí no teu post, querida amiga!

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