Seminário Internacional – Ser Feliz Hoje: Reflexões sobre o Imperativo da Felicidade

É um tanto off-topic aqui na temática do blog, mas vale a pena divulgar o conteúdo e a programação desse evento organizado pelo colega João Freire Filho (UFRJ) e que acontecerá no Rio de Janeiro dias 25 e 26 de agosto. Acho esse tema extremamente importante, uma vez que essa “obrigatoriedade de ser feliz” que caracteriza tanto os livros de auto-ajuda quanto boa parte do discurso da mídia diz muito sobre o “espírito dessa época” e suscita reflexões pertinentes. Tenho certeza que será um evento no mínimo interessante, ainda mais pelos palestrantes.

Seminário Internacional Ser Feliz Hoje: Reflexões sobre o Imperativo da Felicidade

Local: Casa da Ciência/UFRJ – Rua Lauro Müller, número 3 – Botafogo – Rio de Janeiro.

Data: 25 e 26 de agosto de 2010.

Realização: Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ.

Apoio: Globo Universidade.

Organização: João Freire Filho (Coordenador do PPGCOM da ECO/UFRJ).

Informações: jorggia_silva@hotmail.com / Tel.: (21) 3873-5075.

Desde as últimas décadas do século XX, a expansão da capacidade e das possibilidades de ser feliz – aqui e agora, sem bússolas ou compromissos transcendentes – sobressai como um poderoso leitmotiv cultural. Com o intuito de aprofundar a crítica das representações e dos receituários da felicidade preponderantes em nosso tempo, esse encontro acadêmico reúne pesquisadores argentinos, brasileiros e norte-americanos vinculados, institucionalmente, a distintos campos do saber – antropologia, ciência política, comunicação social, história, psicologia e sociologia. A proposta do seminário não é promover um esforço concentrado para desvelar, enfim, a verdadeira felicidade, presumivelmente ofuscada por prescrições e por relatos oriundos do campo psi ou da arena midiática. Pretende-se, em vez disso, examinar os impactos na configuração da subjetividade e da sociedade gerados por investimentos maciços em versões específicas da vida feliz, em detrimento de outros itinerários propostos no passado ou aventados, sem grande ressonância, na atualidade.

Programação:

Dia 25 (quarta-feira)

9h – Credenciamento e brunch.

9h45m – Abertura: João Freire Filho (Coordenação do PPGCOM/UFRJ)

Mesa 1 –10h às 13h

Felicidade ao estilo americano – Toby Miller (University of California)

Muitas felicidades?! O imperativo de ser feliz na contemporaneidade – Joel Birman (UFRJ)

Uma história da construção do direito à felicidade no Brasil – Denise Bernuzzi de Sant’anna (PUC/SP)

Moderador: João Freire Filho (ECO/UFRJ).

Mesa 2 – 14h45m às 17h45m

A felicidade e o programa de governamentalidade neoliberal – Sam Binkley (Emerson College)

A psiquiatria e a gestão tecnológica do bem-estar Benilton Carlos Bezerra Junior (UERJ)

A vida feliz das vítimas – Paulo Vaz (ECO/UFRJ)

Muitas felicidades! Diferentes regimes do bem nas experiências de vida – Luiz Fernando Dias Duarte (Museu Nacional/UFRJ)

Moderadora: Maria Cristina Ferraz (UFF).

Dia 26 (quinta-feira)

9h15m – Credenciamento e brunch.

Mesa 1 – 10h às 13h

Cultura subjetiva e projetos de felicidade – Gilberto Velho (Museu Nacional/UFRJ)

“A felicidade ao seu alcance”: que felicidade, e ao alcance de quem, afinal? – Vera França (UFMG)

Felicidade é…  Uma favela violenta com vista para o mar – Bianca Freire-Medeiros (FGV-RJ)

Asdrúbal e o rumoroso caso do ator que falou em felicidade ou: Felicidade em sol maior para trombone ou: (os papéis estão em ordem, a quem entrego a conta?) – Luiz Eduardo Soares (UERJ)

Moderadora: Beatriz Jaguaribe (ECO/UFRJ).

Mesa 2 – 14h45m às 17h45m

Consumo de espetáculos e felicidade obrigatória: técnica e bem-estar na vida moderna – Christian Ferrer (UBA)

Em busca da felicidade lipoaspirada: agruras da imperfeição carnal sob a moral da boa forma – Paula Sibilia (UFF)

A felicidade na era de sua reprodutibilidade científica: construindo “pessoas cronicamente felizes” – João Freire Filho (ECO/UFRJ)

Moderador: Márcio Gonçalves (UERJ).

18h às 20h – Coquetel e lançamento da coletânea Ser feliz hoje: reflexões sobre o imperativo da felicidade (Editora FGV).

Christian Ferrer — Graduado em sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, é professor titular do Curso de Ciências da Comunicação da mesma instituição. É diretor do projeto de pesquisa UBACyT, “Imaginação tecnológica, troca cultural e difusão da modernização: análise dos modos como se pensaram, divulgaram e expandiram as novas tecnologias da comunicação na década de 90” e pesquisador da área de estudos culturais do Instituto de Pesquisa Gino Germani. É editor da revista Sociedad, da Faculdade de Ciências Sociais (UBA). Seus artigos sobre técnica e sociedade são publicados, frequentemente, no Diario Clarín e na Revista Ñ. É autor, entre outros livros, de La curva pornográfica: el sufrimiento sin sentido y la tecnología (Pepitas de Calabaza, 2006) e La mala suerte de los animales (Centro Editorial de la Cooperación Floreal Gorini, 2009).

Sam Binkley Professor associado do Departamento de Comunicação do Emerson College, em Boston. Autor do livro Getting loose: lifestyle consumption in the 1970s (Duke University Press, 2007), organizador (em parceria com Jorge Capetillo) da coletânea A Foucault for the 21st century: governmentality, biopolitics and discipline in the new millennium (Cambridge Scholars Publishing, 2009) e um dos editores do periódico acadêmico Foucault Studies. Atualmente, está escrevendo um livro sobre o tema da felicidade.

Toby Miller Professor de estudos midiáticos e culturais da University of California, em Riverside. Autor, entre diversos trabalhos, dos livros The well-tempered self: citizenship, culture, and the postmodern subject (The Johns Hopkins UP, 1993), Technologies of truth: cultural citizenship and the popular media (University of Minnesota Press, 1998) e Makeover nation: the United States of reinvention (Ohio State University Press, 2008).

Benilton Carlos Bezerra Júnior — Psicanalista e professor adjunto no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj). Participa, como pesquisador, do projeto de cooperação intercultural Brasil/Alemanha — Probral (Capes/Daad) sobre o tema: “O sujeito cerebral: impacto das neurociências na sociedade contemporânea”. Organizou, recentemente, as coletâneas Pragmatismos, pragmáticas e produção de subjetividades (Garamond, 2008) e Winnicott e seus interlocutores (Relume-Dumará, 2007).

Bianca Freire-Medeiros — Mestre em sociologia pelo Iuperj e doutora em história e teoria da arte e da arquitetura pela Binghamton University/Suny. Foi pesquisadora convidada da Universidade de Princeton e pós-doutoranda no Center for Mobilities Research/Lancaster University. Desde 2007, é pesquisadora do Cpdoc/FGV e professora adjunta da Escola Superior de Ciências Sociais (FGV). Em 2009 lançou o livro Gringo na laje: produção, circulação e consumo da favela turística (Coleção FGV de Bolso), cuja versão revista e ampliada será publicada pela editora Routledge em 2011, com o título Touring poverty.

Denise Bernuzzi de Sant’anna Professora livre-docente de história da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-São Paulo). Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Autora dos livros O prazer justificado: história e lazer (Marco Zero, 1994), Políticas do corpo (Estação Liberdade, 1995), Corpos de passagem: ensaios sobre a subjetividade contemporânea (Estação Liberdade, 2001) e Cidade das águas (Senac, 2007).

Gilberto Velho — Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e chefe do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/ UFRJ. Atualmente é decano de departamento. É pesquisador sênior do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências. Autor, entre outros trabalhos, dos livros: A utopia urbana: um estudo de antropologia social (Zahar, 1973), Subjetividade e sociedade: uma experiência de geração (Zahar, 1986), Nobres & anjos: um estudo de tóxicos e hierarquia (FGV, 1998) e Mudança, crise e violência: política e cultura no Brasil contemporâneo (Civilização Brasileira, 2002).

João Freire Filho Doutor em literatura brasileira pela PUC-Rio. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ. Autor e editor de diversos livros, entre eles: Reinvenções da resistência juvenil: os estudos culturais e as micropolíticas do cotidiano (Mauad, 2007); Culturas juvenis no século XXI (Educ, 2008), com Silvia Borelli; Mídia e poder: ideologia, discurso e subjetividade (Mauad, 2008), com Raquel Paiva e Eduardo Coutinho); A TV em transição: tendências de programação no Brasil e no mundo (Sulina, 2009). Atualmente desenvolve, com o auxílio da bolsa de produtividade do CNPq, a pesquisa “Felicidade assistida: a TV, os especialistas e o governo da vida privada”.

Joel Birman Doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo, realizou seu pós-doutorado na Université Paris VII. Atualmente, é professor titular do Programa de Mestrado e Doutorado em Teoria Psicanalítica da UFRJ. Professor adjunto do Instituto de Medicina Social da Uerj desde 1986, atua no mestrado e doutorado em saúde coletiva. Entre as suas publicações mais recentes, destacam-se: Cartographie du contemporain. Espace, douleur et détresse dans l’actualité (Parangon/Vs, 2009); Le dépaysement contemporain. L’immédiat et l’essentiel (PUF, 2009), com Georges Balandier e Claudine Haroche; As pulsões e o seu destino: do corporal ao psíquico (Civilização Brasileira, 2009); Caderno sobre o mal. Agressividade, violência e crueldade (Civilização Brasileira, 2009); Foucault y el psicoanálisis (Ediciones Nueva Visión, 2008); Foucault et la psychanalyse (Parangon, 2007).

Luiz Eduardo Soares Professor do Departamento de Ciências Sociais da Uerj. Foi professor visitante da Harvard University, Columbia University, University of Virginia e University of Pittsburgh. Exerceu diversos cargos públicos, tendo sido secretário nacional de Segurança Pública e secretário municipal de Assistência Social e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu (RJ). É autor de vários livros, incluindo Violência, crime e castigo (Ediouro, no prelo); Elite da tropa (Objetiva, 2006), com André Batista e Rodrigo Pimentel; Cabeça de porco (Objetiva, 2005), com MV Bill e Celso Athayde; Meu casaco de general: 500 dias no front da segurança pública do estado do Rio de Janeiro (Companhia das Letras, 2000); Violência e política no Rio de Janeiro (Relume-Dumará, 1995) e A invenção do sujeito universal (Editora da Unicamp, 1994).

Luiz Fernando Dias Duarte — Doutor em ciências humanas e professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ). É pesquisador 1A do CNPq. Desde o lançamento de Da vida nervosa nas classes trabalhadoras urbanas (Jorge Zahar, 1986), publicou sete outros livros, além de mais de uma centena de artigos científicos. Fez pós-doutorado na Ehess, Paris. Foi professor visitante na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na Universidade de Brasília, na Universidade de Paris X – Nanterre, na Universidade de Buenos Aires e na Universidade de Liège. Foi vice-diretor e diretor do Museu Nacional e membro do Conselho Consultivo do Iphan/Minc. É comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Paula Sibilia Fez graduação em comunicação e em antropologia na Universidade de Buenos Aires (UBA), mestrado em comunicação (UFF), doutorado em saúde coletiva (IMS/Uerj) e em comunicação e cultura (ECO/UFRJ). É autora dos livros O homem pós-orgânico: corpo, subjetividade e tecnologias digitais (Relume-Dumará, 2002) e O show do eu: a intimidade como espetáculo (Nova Fronteira, 2008), ambos publicados também pela editora Fondo de Cultura Económica.

Paulo Vaz Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Autor dos livros Um pensamento infame (Imago, 1992) e O inconsciente artificial (Unimarco, 1997) e organizador (em parceria com João Freire Filho) da coletânea Construções do tempo e do outro: representações e discursos midiáticos sobre a alteridade (Mauad, 2006).

Vera V. França — Formada em comunicação, com doutorado e pós-doutorado em sociologia respectivamente na Université René Descartes e na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales, ambas em Paris. Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Pesquisadora do CNPq, é coordenadora do Gris (Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade da Fafich/UFMG). Autora dos livros Jornalismo e vida social (Ed. UFMG, 1998) e Narrativas televisivas: programas populares na TV (Autêntica, 2006), além de outras publicações nas áreas de teorias da comunicação, produção do acontecimento e programas televisivos.

2 comentários

  1. .:*Mandy*:. · julho 20, 2010

    Hummmm… gostei muito mesmo do tema🙂
    (repetindo o que falei anteriormente: continuo pensando sobre o que RAIOS ando fazendo tentando ser pedreira)

    E já que esse mexe com Psicologia e afins… por acaso vc já ouviu falar sobre os trabalhos do vocal do Seabound/Edge of Dawn, o Frank Spinath?
    Esses dias pesquisei no Google Acadêmico e caí pra trás, tamanha a quantidade de artigos… hahahahaha

    (sim, estou obsecada por ele)

    Beijos =****************

  2. Adriamaral · julho 20, 2010

    Mandy: não cheguei nesse nível de procrastinação ainda hahahah

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