“I’m coming home” – Da série, minha vida em canções

Engraçado como a vida e seus ciclos são absolutamente fascinantes não?  Tenho pensado bastante sobre as formas de organização do tempo e sentido a fluidez e a finitude dos dias e horas de uma forma diferente nos últimos dias. É claro, a expectativa do novo e a ansiedade em relação ao que já me é conhecido pontua a experiência e deixa tudo mais tenso por um lado e mais divertido por outro.  A riqueza está justamente nas pausas, naquele momento em que respiramos fundo antes de dar um “leap of faith” e nos jogarmos novamente no desconhecido. Enquanto humanos, contudo, há sempre algum tipo de busca de referências daquilo que já  é conhecido, o que nos dá a sensação de reconhecimento. Enquanto arrumava gavetas e organizava armários, em preparação para minha mudança encontrei algumas coisas, fotos, documentos, vestígios materiais de períodos da minha existência. Há alguns dias, num desses momentos de divagação  – e procrastinação também – um episódio veio a minha mente …

No verão de 1996 eu passava uns dias em Capão da Canoa, uma praia mala do RS. Estava visivelmente contrariada de estar naquele lugar. Eu sabia exatamente o porquê eu não deveria ter ido, mas estava lá e não tinha muito fazer. Ou melhor até havia, mas as opções não me agradavam e as coisas não saíram como eu havia planejado. Mas o fato é que, em uma das noites de carnaval eu me encontrava em um tédio absoluto e sem nenhuma vontade de conversar com as pessoas com quem eu estava. Então eu saí a caminhar sozinha, dei algumas voltas pelo centro até que em uma rua um pouco mais isolada do centro, eu encontrei um bar com meia dúzia de gatos pingados no qual uma banda de argentinos estava tocando alguns baladões clássicos do hairmetal. O vocalista então perguntou se alguém conhecia uma canção do Cinderella (banda poseur pra c#) para cantar junto no palco. Levantei a mão e me arrisquei. É da minha natureza me jogar no desconhecido não tendo tanta certeza assim se vai dar ou não certo. Cantei essa e acabaram me convidando para cantar muitas outras (Firehouse, Whitesnake, etc) que duraram até as altas horas. Não foi um sucesso de público e de crítica mas me diverti muito e tive uma experiência inusitada. De quebra, me ajudou a tomar uma decisão que foi crucial para o desenrolar daquele ano, ao perceber que era hora de mudar tudo na minha vida. Mudei, foi difícil, foi complexo, “causou horrores” mas eu vivi.

Que raios um acontecimento tão singelo e pessoal tem a ver com as mudanças pelas quais estou passando agora? A canção que eu primeiro cantei naquela noite, jamais esqueci e reapareceu justamente nesse momento em que retornarei a um local amplamente conhecido: Porto Alegre. Douglas Adams afirma que não existem coincidências. Tendo a concordar com o mestre da sci-fi, mas não há como não reconhecer as boas ironias da vida. I´m coming home…

I took a walk down a road
It’s the road I was meant to stay
I see the fire in your eyes
But a man’s got to make his way

So are you tough enough for my love
Just close your eyes to the heaven above
I’m coming home
I’m coming home

4 comentários

  1. aline naomi · julho 29, 2010

    “Não foi um sucesso de crítica e de público” >> hahaha!
    Eu nunca me ofereceria para subir no palco e cantar o que quer que fosse nem se me pagassem =P. É o meu lado tímido =D.
    Bom retorno e, como diria o Caio Fernando Abreu, que seja doce!🙂

  2. Adriamaral · julho 29, 2010

    Aline – não foi um fracasso tb, na vdd o pessoal curtiu e até me elogiaram (o pessoal da banda) mas o fato é que tinha muito pouca gente e pode ter sido efeito do álcool rs

  3. aline naomi · julho 29, 2010

    Hahaha! Nem pensei em “fracasso” nem nada, só pensei no inusitado da situação mesmo. E, bom, só o fato de ter levantado a mão e subido até o palco pra mim já é algo admirável =D

    • Adriamaral · julho 29, 2010

      pois é, sou louca, primeiro me jogo, depois olho o precipício heheh

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