Um breve resumo do Rumos da Cultura da Música

De volta à Curitiba para uma banca, paro alguns minutos para fazer um breve resumo sobre o Seminário Internacional Rumos da Cultura da Música, que foi um verdadeiro sucesso. Dois dias lotados, público interessadíssimo fazendo perguntas super interessantes, streaming muito bom, palestrantes afiados, ambiente de alto nível  e uma organização impecável da Simone de Sá, Labcult/UFF e Globo Universidade. Foi uma bela experiência e saí cheia de idéias para novas pesquisas. Além disso foi ótimo rever os colegas e de quebra visitar o Rio.

Primeiro Dia

O evento começou com a palestra de abertura “MP3, medialidade e audibilidade” de Jonathan Sterne (McGill University). Basicamente Sterne recuperou a história da medialidade do formato mp3 explicando sua importância (via McLuhan) e aspectos culturais e materiais do seu sucesso. Foram discutidas questões relativas à experiência sônica do formato e seus meios de distribuição em uma relação que privilegia o “ouvinte distraído” – em oposição às noções clássicas de regime de escuta de atenção. Sterne finalizou afirmando que o mp3 é um artefato de negociação, “agente do caos” e da política internacional, uma vez que é o formato mais utilizado globalmente.

Mesa 1 Paisagens sonoras e mediação tecnológica

Jason Stanyek da NYU falou sobre Mortitude (Deadness) na colaboração entre vivos e mortos na música, exemplificada através de vários artistas como Natalie Cole e seu pai, Clara Nunes e Chico Buarque, entre outros. A principal discussão do trabalho de Jason é o debate em torno do tipo de performance gerada por esses espaços acústicos.

A seguir, Franz Manata e Saulo Laudares falaram sobre “O som como dispositivo social” e apresentaram seus trabalhos artísticos.

Mesa 2 – Os novos mediadores das cenas musicais

A mesa teve início com Jeder Janotti (do PPG UFPE) resgatando a genealogia da história da crítica musical e questionando o papel da crítica em tempos de internet a partir de quatro elementos que a caracterizam: 1) como forma de comunicação híbrida (comunidade de conhecedores); 2) associação entre crítica musical e a indústria editorial; 3) jornalismo cultural e 4) participação do entorno comunicacional através do ato de escutar e comentar música.

Na sequência, o jornalista e documentarista Bruno Natal, do blog URBE falou da sua experiência como blogueiro de música, levantando questões sobre rotinas produtivas jornalísticas, crítica, divulgação  e credibilidade.

Segundo Dia

Mesa 3 – Práticas Musicais em novos espaços: Games musicais e plataformas de música on-line

Kiri Miller (Brown University) falou sobre sua pesquisa sobre as características da performance mediada pelos jogos Guitar Hero e Rock Band, tratando de conceitos como virtuosismo e estética. Ela apresentou análises e resultados muito interessantes da etnografia que ela tem desenvolvido com usuários e designers desses games musicais. Um pouco dessas discussões podem ser conferidas no blog sobre a pesquisa: Guitar Hero: a research blog.

Na mesma mesa, falei sobre práticas de fansourcing – questionando o aspecto mercadológico do termo crowdsourcing – como lipdubs e flashmobs como estratégias de mobilização e curadoria dos fãs de música, apontando que essas práticas estão enraízadas nos rituais simbólicos de ser fã e são anteriores às plataformas on-lines e à questão da viralidade.

Mesa 4 – Novos Negócios, Novos Atores

Essa mesa apresentou um painel diverso acerca das novas possibilidades de nodelos de negócios frente às transformações tecnológicas pelas quais as indústrias da música têm passado. Felipe Trotta (UFPE) mostrou sua pesquisa sobre a estética e o comércio do forró eletrônico, mostrando a realidade regional do nordeste e os shows como eixos centrais da experiência musical.

Já o ativista Pablo Capilé, produtor dos coletivos Fora do Eixo e Espaço Cubo apresentou dados sobre os coletivos de música independente e sua atuação no Brasil desde 2005.

Por fim, Micael Herschmann da UFRJ indicou alguns dados sobre o que ele chama de reestruturação da indústria da música a partir de dois eixos: o dos negócios fonográficos (através da venda de músicas digitais) e dos negócios ligados à música ao vivo e o crescimento de uma “economia da experiência”. Micael chamou essa nova fase de reintermediação, uma vez que no período anterior a principal discussão era sobre a desintermediação.

Após essa última mesa, houve o coquetel de lançamento do livro de mesmo nome que já está disponível para venda na Livraria Cultura.

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