Invisibilidades III – Alguns comentários

Conforme prometido meu resumo e breves comentários sobre o Invisibilidades III evento que ocorreu dias 21 e 22 de agosto no Itaú Cultural em São Paulo e reuniu pesquisadores, escritores, artistas, músicos, críticos, jornalistas em torno da temática da ficção-científica sob curadoria do Dom Corleone da sci-fi brazuca, Fábio Fernandes.

Sábado 21/8 – Mesa Fora do Eixo – a Produção de Ficção e Crítica Literária no Brasil que Você não Conhece com Alice Feldens, Arnaldo Mont’Alvão e Quelciane Marucci
mediação Edgar Nolasco

A mesa apresentou os resultados das pesquisas do núcleo de estudos em ficção contemporânea da UFMS e as dissertações em andamento ou defendidas sobre a crítica da FC brasileira. Destaque para a empolgante apresentação de Edgar Nolasco que falou sobre como abrir caminhos desviantes na pesquisa normalmente canônica da teoria literária e apontou a rede por ele iniciada com as orientações de FC e Fantasia.

Mesa 2 Quadrinhos Brasileiros: a Experiência no Exterior
com Daniel Pellizzari e Rafael Grampá
mediação Octavio Aragão

A segunda mesa do dia apresentou a dupla Pelizzari e Grampá que está produzindo a graphic novel Furry Water. Foi um bate-papo muito bem conduzido pela mediação de Octavio Aragão. Pelizzari enfatizou as diferenças entre roteiros de quadrinhos e escrita literária e alguns outros pontos com muito bom humor.

Palestra e apresentação com o artista Walmor Corrêa

Excelente apresentação de Walmor que apresentou seu trabalho irretocável de estranhamento borrando as fronteiras discursivas entre ciência e arte na criação de seres fantásticos, em especial a série sobre lendas e mitologias da tradição brasileira.

Domingo Mesa Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim
com Adriana Amaral e Cristiane Busato Smith
mediação Fábio Fernandes

Cris apresentou sua análise sobre elementos de Ficção Científica em Império do Sol de JG Ballard, apontando as questões de gênero entre novel e romance e as indefinições entre FC e autobiografia nessa obra a partir do conceito de Inner Space. Eu apresentei algumas hipóteses acerca da adoção do subgênero steampunk por uma geração mais nova e de como essa subcultura está calcada na questão da performance – a partir dos conceitos de engajamento do corpo de Paul Zumthor – em sua recepção. Pena que falamos tanto que acabamos sem tempo para as perguntas.

Abaixo, os dois materiais que apresentei. Primeiro o vídeo sobre a exposição steampunk no Museu de Oxford e depois meu ppt com os apontamentos.

Mesa 2 New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário
com Alexandre Mandarino, Nelson de Oliveira e Richard Diegues
mediação Jacques Barcia

A mesa começou com o esforço hercúleo de Jacques para resumir a questão do surgimento do subgênero New Weird dentro da fantasia, apontando a ruptura nas temáticas escapistas para uma ficção mais política e urbana. Na sequência, Nelson de Oliveira falou do seu trabalho como escritor e Richard Diegues da Tarja editorial falou um pouco sobre o mercado brasileiro. Por fim, Alexandre Mandarino também tratou de seus projetos, entre eles a revista Hypervoid e a tradução para o português de Perdido Street Station de China Mielville.

Para fechar, eu – saindo da zona de conforto de pesquisadora – e o Wandeclayt apresentamos uma pocket performance intitulada “You must unconditionally surrender” com material audiovisual e sonoro inspirado pela FC ou suas temáticas.

No geral o evento foi muito bem pensado, planejado e executado. As mesas e discussões foram de alto nível e o público estava qualificadíssimo e compareceu aos debates. Deu para trocar ideias, conversar, sem coisas fora do tom ou briguinhas de fandom. Acho que isso demonstra a maturidade e o crescimento dessa área no Brasil, além da super-curadoria do Fábio que reuniu diversidade, multiculturalismo e perspectivas distintas dando um sabor todo especial ao evento, que foi bem vanguardista em sua proposta. Por fim, foi ótimo reencontrar os amigos de sempre e conhecer outras pessoas que têm poucas oportunidades de se ver por estarem espalhadas por regiões diferentes do país. Agradeço também a Aline Naomi, o Caue e a Lidia Zuin que apareceram por lá. E que venha o Invisibilidades IV em 2012 antes do fim do mundo!

PS: foi excelente participar de uma mesa com a Cris Smith. Finalmente depois de termos sido colegas por tanto tempo agora que não somos mais conseguimos, yeah!

PS2: Aguardo as fotos do evento para postá-las

PS3: Bazinga!

3 comentários

  1. Romeu Martins · agosto 24, 2010

    Olá! Fiz um post sobre sua apresentação e já estou ansioso pelo paper😉

    http://cidadephantastica.blogspot.com/2010/08/bronze-no-lugar-do-silicio.html

    Beijos!

    • Adriamaral · agosto 30, 2010

      Valeu Romeu!

  2. Cris S. · setembro 10, 2010

    Oi Adri,
    Gostei do post e adorei participar da mesa com vc! Espero que tenhamos mais oportunidades como esta! Ah, tenho que falar que gostei do todos e que o Fábio foi excelente com tudo e todos. O Invisibilidades III foi muito, muito legal, principalmente pela diversidade de pontos de vista, o que torna tudo muito mais prismático, digamos assim🙂

    bjs

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