Práticas acadêmicas irritantes

Existem algumas práticas que deveriam ser abolidas do meio acadêmico (em especial no Brasil). Não só para o desenvolvimento da ciência mas como para a não-irritação das pessoas quando da leitura de alguns artigos. Aproveitando que finalmente terminei meu livro novo sobre metodologia e tive de ler muita coisa, vou citar as duas  que mais me incomodam .

* Falta de estado-da-arte do objeto, campo, etc. – A não leitura do que outros colegas estão produzindo e a falta de resgate do que está sendo feito sobre um determinado assunto é irritante demais. Primeiro porque significa que nem a lição de casa inicial a pessoa fez na pesquisa. Segundo, porque o texto fica reinventando a roda e desconsidera as possibilidades de criticar o que já está em andamento e propor algo diferente. Ou é preguiça ou a pessoa parece não se importar. Em ambos os casos é um mal que seria erradicado se as pessoas lessem mais as revistas e bancos de dados científicos. Não estou dizendo aqui que alguém vai dar conta de tudo (óbvio que essa é uma pretensão inatingível) mas tenho visto artigos que são escritos sem o mínimo, ou seja, alguns conceitos/autores básicos já trabalhados no campo e ficam repetindo tudo que já veio antes como se fosse “a novidade”. Assim, as coisas realmente não andam.

* Metodologia meramente como rótulo qualificativo e não como prática efetiva – A segunda prática é mais “171” que a primeira (que pode ser apenas fruto da preguiça), pois a pessoa tenta te enganar colocando no meio do texto algo como “nesse artigo utilizo a metodologia Tal (FULANO, Ano XXXX)”. Assim o texto ganha um ar de suposta seriedade metodológica, mas no fundo não deixa de ser uma mera exigência formal, pois normalmente esse tipo de texto não faz uma reflexão sobre a prática e etapas da pesquisa em seus protocolos, meramente joga um rótulo para dizer que utilizou um método sem descrever como que a pesquisa efetivamente foi desenhada e construída, deixando o leitor boiando em como o autor chegou naquelas conclusões. É difícil e cansativo fazer essa reflexão? É, mas ninguém disse que seria fácil. Sinceramente, é preferível que a pessoa nem fale o tal rótulo mas apresente os passos do que foi feito de forma clara e direta (sem firulas). É mais honesto e rende mais.

Por hoje era isso, teriam outras práticas que igualmente me irritam. Façam vocês também as suas #hatelists do trabalho acadêmico rs

6 comentários

  1. marcia · novembro 18, 2010

    me diz onde eu assino, por favor.
    porque concordo com tudo.

    • Adriamaral · novembro 18, 2010

      irrita né Marcia?

  2. Ana · novembro 18, 2010

    O problema disso Adri é também das revistas que aceitam a publicaçao desses artigos. Muitas vezes embora esteja escrito que revistas brasileiras tem pareceristas, sabemos que nao é o caso. Resultado: Mme X envia texto pra revista Y, a revista publica o texto sem dar pra ninguém avalia-lo e o resultado é que Mme nao deu conta da literatura. Outro dia estava discutindo um caso desses com a Cris. Isso sem contar que praticamente todos os departamentos tem uma revista. Lecionei uma vez num departamento, onde tinha ali uns 4 doutores na época e isso nao os impedia de ter uma revista. Ou seja é dose pra leao. Beijo grande.

    • Adriamaral · novembro 18, 2010

      sim ana, esse é um problema bem sério, das revistas que aceitam pq fulano é conhecido, daria mais um item pra hatelist

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