Oito pontos para refletir sobre a utilização das mídias sociais para engajamento dos fãs

Recentemente a pesquisadora Nancy Baym (University of Kansas) disponibilizou no site dela uma fala/lecture que ela ministrou num evento sobre mercado da música independente na Noruega a respeito de estratégias de utilização das mídias sociais, essencialmente na relação músicos-fãs.

O pdf chamado “Engaging Fans through social media” traz algumas reflexões e dicas bem práticas sobre como manter e mobilizar fãs (ela fala especificamente da música mas dá para ampliar para outros tipos de arte/mídias como quadrinhos, seriados, etc)  para uma melhor utilização e apropriação dessas plataformas. O material é grande (48 páginas), portanto eu não teria tempo de traduzir tudo. Assim, vou me concentrar nos oito pontos principais enfatizados por ela, adicionando os meus comentários a partir das pesquisas que venho realizando:

1. Mantenha o seu domínio próprio – Tenha o seu site como agregador e base dos fãs e não confie na durabilidade e no redirecionamento a repositórios como My Space por exemplo. Imagine se essa ou outra plataforma encerra suas atividades. Além disso, o domínio próprio facilita paras buscas e para as técnicas de SEO;

2. Utilize apenas aquilo que você pode manter – Muitos músicos se sentem pressionados a utilizarem todos os sites de relacionamento, o que é impossível e inviável. Utilize apenas os canais que estão mais de acordo com o seu estilo de vida enquanto músico ou os de sua preferência. Por exemplo se vc gosta de escrever longos textos aposte no blog combinado com uma divulgação via FaceBook ou, se vc prefere textos mais curtos e passa muito tempo na estrada, talvez o Twitter te dê uma maior mobilidade, e por ai vai. Também não sinta que vc precisa responder a todos os fãs o tempo tempo.

Outro tipo de uso pode ser pelo perfil do público ou a própria materialidade e características da plataforma. Por exemplo, pelas minhas observações, percebo que o SoundCloud tem funcionado muito para DJ Sets e música eletrônica, enquanto o Myspace funciona melhor para o formato bandas. O importante é não se jogar em todas as mídias e sem estratégias definidas deixá-las abandonadas. Também é possível não utilizar nenhum desses espaços, se estiver de acordo com o que você realmente quer passar. Recentemente li uma matéria na revista da Webjet sobre a cantora Céu dizendo que a assessoria dela optou por não ter nem FB, nem Twitter devido a algumas questões ideológicas e , claro, mercadológicas. Eles apenas mantiveram o MySpace mas sem grande interação, apenas para amostra das músicas. É um tipo de posicionamento que vai ter seus reflexos negativos ou positivos. No caso da cantora em questão, eles preferiram fechar uma parceria com a rede de cafés Starbucks que distribui o CD dela em suas lojas. [crítica minha] Some-se ao fato, e ai é uma suposição minha de que a Céu quer fazer a linha “sou tão descolada e cabeça que posso me dar ao luxo de renegar a internet, o que condiziria muito com  o seu tipo de imagem e seu público, hipsters e modernosos que ouvem mpb descoladinha

3 – Busque Ajuda – Se você acha que o gerenciamento das mídias está tirando tempo do seu “fazer musical” e tem como pagar por isso, contrate uma empresa de gerenciamento e/ou assessoria para lhe ajudar. Em dois casos que estou comparando para um artigo, isso é o que acontece. Mas, se essa possibilidade não está ao seu alcance, há a possibilidade de recrutar seus próprios fãs; como no caso de Trent Reznor que chamou fãs do NIN para trabalhar no forum do site oficial; ou num exemplo citado por Nancy sobre a cantora Jill Sobule que teve o encarte de seu CD e o próprio layout do seu site redesenhado por fãs.

4. Atualize a sua audiência –  Disponibilize informações, afinal ela é um bem valioso para os fãs. Datas de tours, lançamentos de álbum, eventos, etc. Ofereça também mercadorias como camisetas, buttons, lançamentos de edições especiais,  etc. Fãs são colecionadores e curadores de memorabilia, o que nos leva ao quinto ponto.

books

5. Pergunte aos seus fãs quais objetos eles gostariam de adquirir – Parafraseando JFK, não é o que seu fã pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo seu fã. Nancy cita o caso de Paul Westerberg que é completamente offline, mas que localizou um fã-site e contactou a dona do mesmo para que ela ficasse responsabilizada pela distribuição de informações sobre a carreira dele.  Assim, Paul Westerberg (ex-Replacements) apenas envia um email semanal para ela com as novidades, que ela redistribui em seus canais de contato.

6. Questione que novos serviços a internet lhe oferece e o que ela possibilita que a sua audiência faça por vocês – Novas plataformas e meios de comunicação entre os fãs e os músicos podem ser testados como por exemplo live streams de shows, video chats privados com os artistas e fãs (a cantora Tori Amos tem feito isso), entre outros, o que talvez não atinja grandes audiências mas possibilita conexões mais interpessoais, o que pode ser muito valorizado pelos fãs. Lembre-se, a própria criatividade pode gerar buzz e também um bem simbólico a ser valorizado como no caso das fan-arts (remixes, vídeos, desenhos, etc).

7. Encoraje a criatividade dos fãs – Sua audiência irá produzir conteúdo, quer você os queira ou não. Saiba utilizar essa criatividade como troca. Música é emoção e a emoção também é compartilhada (para o bem ou para o mal) através dessas plataformas ;

metal fans

8. Deixe-os sentir o que eles sentem – Ou seja, a interpretação dos fãs sobre a sua música/arte e a maneira como eles se sentem deve ser respeitada. Fãs interpretam cortes de cabelo, letras de música, referências, etc.Essas interpretações podem não estar de acordo com o que o músico pensa ou podem ser até inapropriadas, mas é um direito deles interpretá-las dessa forma.

9.  “Saiba adquirir uma casca grossa” – Aqui em uma tentativa de tradução livre de (thick skin) quer dizer que o músico deve ser capaz de lidar com as críticas e com pessoas que vão falar bem e mal do seu trabalho, especialmente em sites que não são gerenciados por ele. É algo que leva tempo. Lembre-se que uma das coisas produzidas pela audiência de fãs é a construção de identidade e de coletividade e os músicos devem compreender suas dinâmicas.

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