Perspectivas para o desenvolvimento dos Estudos de Música e de Som no campo da Comunicação

Nessa semana a Intercom disponibilizou a sua programação completa bem como os textos a serem apresentados durante o evento, que acontecerá de 02 a 06 de setembro de 2011. Dentre as várias atividades que acontecerão, gostaria de enfatizar a Mesa-Redonda  Perspectivas para o desenvolvimento dos Estudos de Música e de Som no campo da Comunicação, como parte das atividades do GP Culturas Urbanas, coordenado pela colega da ESPM-SP, Rose Rocha. Essa mesa vai discutir uma das temáticas que mais têm crescido na área nos últimos tempos e é fruto de intensas conversas e trocas entre diversos pesquisadores. Além disso, ela ainda tem como objetivo propor um novo Grupo de Pesquisa à Intercom, justamente devido à expansão dessa subárea. A mesa acontecerá no dia 05 de Setembro de 2011, das 9h às 12h, no Bloco G, sala 507 da UNICAP em Recife. 

Participarão os seguintes pesquisadores:

Profa. Dra. Adriana Amaral (Unisinos)

Profa. Dra. Felipe Trotta (UFPE)

Prof. Dr. Jeder Janotti Jr. (UFAL/UFPE)

Prof. Dr. Micael Herschmann (UFRJ) – Moderador

Profa. Dra. Simone Pereira de Sá (UFF)

Abaixo o resumo/proposta de discussão da Mesa:

Desde a segunda metade da década de 1990, a indústria da música – de maneira pioneira – vem sendo impactada pelo emprego intensivo e criativo que os consumidores-usuários vêm realizando das novas tecnologias de comunicação e informação (impacto que é resultado, por exemplo, do desenvolvimento e uso de softwares para a troca de arquivos musicais ou pela forte popularização de novos dispositivos oriundos deste ambiente midiático). Estas reconfigurações provocaram transformações profundas não só nas etapas de produção, circulação e consumo da música (inclusive na sua articulação com a indústria do entretenimento global), mas também vêm suscitando reflexões sobre novas práticas, linguagens, experiências estéticas e audibilidades que são possíveis de ser observadas, por exemplo: nas “paisagens sonoras” e “cenas” mediadas tecnologicamente e exploradas na sua dimensão artística; na diversificação do conjunto de práticas comunicacionais desenvolvidas por meio de celulares e de outros dispositivos móveis; no crescimento da importância das trilhas sonoras para o êxito dos games; entre outros exemplos significativos.

Concomitantemente, as reflexões – que não só problematizam as articulações entre som, música e tecnologias de comunicação, mas que também analisam os diversos aspectos da experiência sonora e musical enquanto experiência estética, de consumo e de sociabilidade – vêm avançando de forma expressiva (no âmbito nacional e internacional), explorando novos objetos e questões profícuas para os estudiosos do campo da música (e, mais amplamente, para os pesquisadores das sonoridades e espaços acústicos da atualidade).

No Brasil, o crescente interesse por este conjunto de temáticas é bastante expressivo e pode ser observado através do boom: dos eventos acadêmicos regulares relacionados às pesquisas desenvolvidas neste sub-campo (tais como Mostra Mídia e Música, Comúsica, Musicom, Seminário Internacional Cultura da Música, MusiMid, etc.) dos trabalhos apresentados aos principais congressos do país (como, por exemplo, aqueles organizados pela Compós e Intercom) e do número de artigos submetidos aos periódicos do campo da Comunicação.

Portanto, a proposta da mesa – ao reunir alguns dos mais destacados investigadores brasileiros que vêm trabalhando na interface entre os campos da Comunicação e da Música (em seus respectivos grupos de pesquisa e programas de pós-graduação) – é a de explorar os diversos aspectos que envolvem estes tópicos (mencionados anteriormente) a partir de uma perspectiva interdisciplinar.

Em resumo, o objetivo desta mesa é oferecer um amplo painel dos desafios e perspectivas enfrentados por estes estudos, sugerindo alguns caminhos/alternativas para as pesquisas relacionadas a este conjunto de temáticas. Cabe ressaltar ainda que os pesquisadores que participam desta iniciativa tem também como meta a proposição futura de um GP no âmbito da Intercom.

Resumos das Comunicações:

a) Adriana Amaral (Unisinos)

Título: Visualização de dados sonoros e preferências musicais na web: apropriações culturais do Soundcloud e do Musical Avatar.

 Resumo:

Pretende-se problemtaizar a relação entre consumo e recomendação de gêneros musicais e formas de visualização de dados nas plataformas de música online a partir das abordagens teóricas dos Sound Studies (Sterne, 2004) e dos Software Studies (Manovich, 2010). O objetivo geral é explorar a literatura sobre o tema e alguns projetos de pesquisa desenvolvidos essencialmente pelo campo da computação musical e contextualizar seus aspectos comunicacionais. Escolhemos como amostra duas plataformas com finalidades distintas, mas que funcionam com base em computação em nuvem: 1) uma plataforma de compartilhamento musical comercialmente bem sucedida, o Soundcloud (Alemanha, 2007); 2) o aplicativo/sistema experimental Musical Avatar (Espanha, 2010) produzido pelo grupo de pesquisa Music Technology, da Universitat Pompeu Fabra.  A análise pautou-se pela observação das plataformas a partir das categorias debatidas em estudos anteriores (Amaral, 2009) e das diferentes possibilidades de apropriação cultural que esses meios proporcionam.

b) Felipe Trotta (UFPE)

Título: Música, sociabilidade e valores: dois estudos de caso.

Resumo:

Essa comunicação tem como objetivo refletir sobre as diversas funções sociais da música na sociedade. O cotidiano contemporâneo é permeado de música e sons variados, que ambientam e definem experiências sociais. Apesar disso, a reflexão sobre a atualidade midiática ainda mantém-se refém de uma forte ênfase em seus aspectos visuais, tanto em objetos e temas de pesquisa como até mesmo em metáforas e conceitos. Parte-se da noção de que a música é uma forma de pensamento e ação no mundo (John Blacking, 1995) a partir da qual visões de mundo e valores sociais são compartilhados e negociados. A experiência musical (e sonora) fornece, portanto, “pontos de escuta” sobre o mundo, tensionados a partir dos vários usos da música e do som. Para este trabalho serão discutidos dois casos de práticas musicais que articulam debates sobre sexualidade (Parar meu carro na frente do cabaré) e identidade negra (Respeitem meus cabelos, brancos), respectivamente, pavimentando uma reflexão teórica sobre a utilização cotidiana da música como forma de elaborar pensamentos, escutas e formas de sociabilidade.

c) Jeder Janotti Jr (UFAL/UFPE)

Título: Transformações da experiência estética e do consumo musical

Resumo:

Com as transformações nas formas de consumo e circulação da música, a idéia de “cena”, antes abordada como uma perspectiva sociológica de consumo de música nos tecidos urbanos, ganha relevância e permite compreender algumas das formas salientes de consumo musical que se materializam nas cidades. Nesta perspectiva, observar as articulações entre o processo de midiatização presente nos circuitos culturais e a experiência estética que envolve novas formas de fazer vibrar as cidades contemporâneas, permite que se analise a articulação entre circulação digital de informações musicais e sua apreensão nas cenas, ou seja, que se avalie a própria transformação dos espaços em lugares, a partir da materialização dos consumos musicais.

d) Micael Herschmann (UFRJ)

Título: Alguns apontamentos sobre os desafios e as perspectivas dos estudos de música na Era Digital.

Resumo:

Nesta apresentação busca-se problematizar: a) algumas das facetas mais relevantes da música hoje, isto é, suas dimensões comunicativas, artísticas, sociopoliticas e econômicas; b) não só o peso crescente da experiência social e coletiva da música (em detrimento de formas de consumo e de experiência mais individualizadas), mas também a emergência de uma cultura participativa; c) a crescente demanda dos alunos, pesquisadores e dos atores sociais pelos estudos de música (ao mesmo tempo constata-se que esta emergente demanda se depara com a falta de estrutura e recursos disponíveis nas instituições de ensino e pesquisa superior brasileiras). Tomou-se como referência para esta comunicação estudos anteriores desenvolvidos (Herschmann, 2007 e 2010) e as obras de Yudice (2004 e 2007), Frith (2006), Attali (1995), Maffesoli (1987) e Jenkins (2006 e 2008).

e) Simone Pereira de Sá (UFF)

Título: Som, música, audibilidades e tecnologias na perspectiva dos Estudos de Som.

Resumo:

Esta apresentação tem por objetivo mapear algumas das questões pertinentes do campo dos Estudos do Som (Sound Studies) – perspectiva ainda pouco conhecida no Brasil e que pode ser muito profícua para os estudos do campo da comunicação. Dentro desta reflexão, pretende-se abordar, primeiramente, a noção de “paisagem sonora”, de Schafer (1994), e seus desdobramentos por Corbin (1998), Smith (2003) e Thompson (2004); e, na segunda parte, a reflexão de Sterne (2004) sobre a “audibilidade moderna”, buscando assim abrir algumas trilhas para futuras reflexões em torno da dimensão aural da comunicação.

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