Algumas observações sobre o III Musicom

Fiquei fora de Porto Alegre durante 8 dias entre São Paulo e Recife, participando de bancas de qualificação de mestrado no PPG da ESPM-SP e de dois congressos: o Musicom e o Intercom. Apesar da correria e da exaustão desse processo imersivo na pesquisa voltei com muitas ideias e insights. A troca entre diferentes pesquisadores é essencial para o avanço de algumas questões. Assim, apesar do atraso, vou fazer algumas considerações sobre os principais temas discutidos nos eventos, começando pelo Musicom.

III MUSICOM – Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular

O encontro aconteceu durante os dias 30 e 31 de agosto e 01 de setembro na Faculdade Boa Viagem e concentrou-se sobretudo em palestras e grupos de trabalho. No primeiro dia, houve uma mesa redonda com Thiago Soares (UFPB) e Felipe Trotta (UFPE). O primeiro, destacado por sua pesquisa sobre videoclipes falou sobre a presença midiática de Lady Gaga nos videos e nas redes sociais e elencou cinco hipóteses para análise da cantora e sua performance. Thiago ahazou ao mostrar a vida poser de Gaga na internet. Já Trotta, apresentou questões de identidade relacionadas ao gênero forró eletrônico mostrando algumas concepções de raça, identidade e sexualidade que compõem o estilo. O primeiro dia de trabalho foi encerrado com a conferência de abertura do evento, feita pela colega Simone de Sá (UFF) sobre Música 2.0, apresentando um panorama de algumas tendências relacionadas à pesquisa em música e tecnologia atualmente.

No segundo dia (quarta-feira) começaram os grupos de trabalho. Assisti ao GT Música e Convergência Tecnológica que tratou sobretudo dos processos em fluxo entre tecnologia de produção e distribuição e música. Destaco os trabalhos de Victor Pires (UFPE) sobre netlabels da cena noise e o do colega Fabricio Silveira (Unisinos) sobre a perfomance midiática em Lotus Flower (vídeo do Radiohead). As palestras no turno da noite já foram mais concentradas em diferentes aspectos históricos da música e da indústria fonográfica brasileira: Gravações de música popular brasileira dos anos 1930 e 1940, gêneros musicais e categorias raciais do prof. Carlos Sandroni (UFPE) e Majors e hegemonia no mercado fonográfico brasileiro, fala de Mariana Barreto (UFMA).

No último dia (quinta, dia 01/9), coordenei a sessão do GT Música e Convergência Tecnológica onde tivemos uma tarde bastante agradável de debates centrados sobretudo nas mídias sociais, plataformas de música online (Last.fm) e discografias virtuais. Eu e João Pedro W. Amaral (UFSM) apresentamos nosso paper sobre as estratégias do subgênero Happy Rock Gaúcho nas mídias sociais. Esse artigo foi publicado na coletânea  Nas bordas e fora do mainstream. Novas tendências da Indústria da Música Independente no início do século XXI, organizada por Micael Herschmann (UFRJ) e editada pela  Estação das Letras e das Cores, de São Paulo, que será lançada no início de outubro. A discussão acabou focada em algo que nem era o central do artigo mas que se desenvolvido pode render muito. Mas afinal o que caracterizaria a estética do rock gaúcho e lhe conferiria um status de gênero próprio? Abaixo, compartilho a apresentação que fizemos do artigo no slide share.

 

Fechando esse último dia, duas palestras. A primeira de Eduardo Vicente (USP) sobre um histórico da indústria fonográfica brasileira e os caminhos da produção atuais e a segunda de Edwin Pitre-Vásquez (UFPR) sobre o caso da “Banda mais bonita da cidade”em suas diversas convergências. Não posso deixar de comentar o encerramento com a música de Mark Davis (também conhecido como Fábio Jr.) Foi um momento muito bem humorado para encerrar o Musicom, que apesar de ainda ser um evento em consolidação mostrou que tem um potencial bem bacana. Minha experiência tem me mostrado que os eventos mais específicos têm rendido mais. A próxima edição do Musicom será em São Paulo, na USP em 2012.

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