2012 em uma palavra: desapego

Acho que 2012 tem tudo para ser um bom ano. Primeiro porque eu sempre preferi anos pares – à exceção dos anos com o número 5. Ok, é uma preferência besta e sem nenhum traço lógico. Mas nem só de lógica e racionalidade somos feitos, não? Segundo porque estou praticando seriamente (ou pelo menos tentando e levando a sério isso pela primeira vez em muito tempo) a antiga arte do desapego. O ano passado demonstrou claramente que eu investia afetividade demais em pessoas que não me consideravam tanto assim – explicado através do velho refrão thesmithiano de Heaven Knows I’m Miserable Now:

“In my life
Why do I give valuable time
To people who don’t care
If I live or die?”
Ok Moz sempre exagera um pouco, mas o bom de ter passado por essas “decepções” demasiadamente humanas foi de ter conseguido redimensionar que, para além da minha mudança física – de endereço e trabalho – havia também uma mudança interior e de “núcleo da novela/seriado”.  Passei 2011 ruminando essas mudanças. Num primeiro momento tentei entender porquê tudo aquilo havia acontecido e de que maneira esses afastamentos e aproximações inesperadas haviam acontecido – a descrição, de forma abrupta era só a ponta do iceberg. À medida em que tudo foi se esclarecendo percebi que os roteiristas redistribuiram os personagens e, evidentemente, eu não fazia mais parte do núcleo central, não daquela narrativa em particular. A verdade é que eu mereci meu próprio spin-off . Essa pequena epifania foi útil para deixar mágoas de lado e compreender que meu seriado sempre havia sido outro, mas devido a contingências narrativas, alguns universos se encontravam, talvez por tempo demais e agora haviam vencido o prazo de validade. Acabou a temporada, a missão se encerrou e o grupo de “heróis” se desmembra e cada um toma seu rumo. Viram como ter lido coisas como Crise nas Infinitas Terras serviu para algo?
Mas, voltando a 2012. Eu espero sinceramente – e farei tudo para viabilizar isso – que o desapego seja a tônica. Comecei tirando sacolas de papel do meu escritório, doando roupas e percebendo por quem vale a pena lutar de verdade. Assim, o peso dos ombros talvez seja um pouco mais fácil, sem hard feelings. Não quer dizer que criei inimigos ou que sairei dando tiros a torto e a direito (longe disso), mas que eu me importo cada vez menos do que eu me importava e mantenho tudo nos limites da civilidade. Tenho outras coisas por fazer, por sentir, por viver. A nova temporada exige desafios diferentes e superação, afinal já não me encaixo mais na maioria das coisas em que me sentia confortável e, ao mesmo tempo, continuo a mesma de sempre com meus gostos “esquisitos” e minhas incompreensões.
2012 para mim vai ser isso:  desapego do senso comum; de algumas manias; de pessoas que não fazem mais sentido no meu cotidiano; de excessos negativos; de julgamentos precipitados; de peso na bagagem.

2 comentários

  1. Cris Camargo · janeiro 9, 2012

    Zuper me identifiquei.😉

  2. Giovana S. Carlos · janeiro 9, 2012

    Nossa, to em muita sintonia contigo! A identificação com o que você escreveu foi tanta que até chamei a Vivian e li pra ela teu texto e ambas concordamos por perceber as mesmas coisas! Também venho praticando esse desapego e tentando ver melhor em quem vale a pena investir/valorizar e em quem não vale. Voltar a morar numa mesma cidade, depois de vários anos longe, traz suas mudanças (mais do que a das bagagens). Mas é nessas horas que lembro daquele tio bigodudo (hehehe): o que não nos mata, nos fortalece! Que nossos spin-off estreiem em 2012 bombando e mantenham ao longo dos anos uma fiel audiência (bem segmentada mesmo, longe do senso comum)!😉

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