Mobilização, Rede de Pesquisas e Histórias de Fãs

Faz tempo que eu queria postar a segunda parte do diálogo – confira a parte 1 – que eu e a Raquel Recuero travamos no ano passado sobre as mobilizações de fãs via Twitter, mas a correria andava grande e estava sem tempo para traduzir as duas últimas questões. Aproveito para postá-las e juntamente comentar mais duas informações sobre fãs que recebi essa semana.

Mobilização de Fãs através dos SRS – parte 2

Raquel Recuero: Não é comum encontrar tantas “mobilizações de fãs”em  TTs de outros países como é no Brasil. Os fandoms brasileiros são diferentes dos fandoms de outros países?

Adriana Amaral: Tenho tentado compreender as diferenças e acredito que existem diferentes tipos de performatizações de gostos em diferentes fandoms, embora o sentimento de “ser fã” seja o mesmo globalmente. Também acredito que os elementos extra-musicais são importantes. Por exemplo, no dia 16/7 (data da entrevista), a hashtag #parabenstiojunior estava nos TTs e se referia ao aniversário de Arnaldo Junior, um dos empresários do cantor pop/sertanejo Luan Santana. Os fãs de Luan Santana o conhecem pelo apelido “tio Júnior”. Essa é uma informação até então privada que é compartilhada pelo Twitter e tem importância para os laços afetivos entre essa base de fãs. Certamente esse tipo de coisa não aconteceria ou aconteceria de outra forma em um subgênero diferente com diferentes práticas e idades por exemplo.

RR:  De que forma os fandoms estão se apropriando das tecnologias de mídias sociais no Brasil? Nos conte alguns exemplos.

AA: Há várias formas de apropriação e as diferenças acontecem de acordo com diferentes níveis de engajamento, gêneros musicais ou produtos narrativos como filmes, livros e seriados, classes sociais, idades, etc. São muitos aspecto. O Tumblr por exemplo, tem sido utilizado como uma forma de ironizar determinados produtos e ao mesmo tempo promover determinados tipos de interpretação sobre aqueles objetos culturais. Os tumblrs “porramauricio”, “porradj”e “fuckyeahfarofa”são bons exemplos disso. Dois outros exemplos que chamam atenção: o primeiro coletei em 2o07 quando entrevistava usuários do Last.fm e é o fato de que muitas pessoas desligam o scrobbler quando escutam músicas que eles julgam não se enquadrar nos seus perfis. Isso demonstra que estão atentos a sua própria audiência e constróem uma identidade para ela. No segundo exemplo, os dados coletados sobre os fãs de happy rock em 2011 demonstram modulações nos usos da linguagem escrita, expressando performances de identidade através de gírias e emoticons como forma de expressar sua ligação afetiva com algumas bandas (o famoso s2 ou❤ indicando coração e outros)

Rede de Estudos de Fãs

Também nessa semana recebi pela lista da Aoir e  pela Giovana Carlos, a dica sobre o Fan Studies Network. Excelente ideia, estava na hora. Segue o texto abaizo:

We are pleased to announce the formation of the Fan Studies Network. Open to scholars at all levels, the FSN is concerned with bringing together those interested in all aspects of fandom in order to engage in discussions and make connections. We welcome scholars to join the network by signing up to our Jiscmail mailing list: FanStudies@jiscmail.ac.uk. You can also visit our website, which features CFPs and events of interest at http://fanstudies.wordpress.com, and our Twitter account @FanStudies.

We look forward to making connections with new members: please circulate this message to anyone you think might be interested. All the best,Lucy Bennett and Tom Phillips–
The Fan Studies Network
http://fanstudies.wordpress.com
@FanStudies

FSN Team:
Lucy Bennett
Tom Phillips
Bethan Jones
Richard McCulloch
Rebecca Williams

Morrissey, suor e fronhas

Fãs de Moz comemorando os 50 anos do artista em frente ao legendário club da capa do álbum dos Smiths

Aproveitando que o show do Moz (que foi cancelado em POA infelizmente) aconteceu hoje em SP e foi transmitido pelo Terra, indico a leitura do texto Morrissey, suor e fronhas da Lorena Calabria que conta histórias de fãs de Moz. Apesar de ter sido pouco maniqueísta com os fãs, ainda há a divisão entre o fã-louco e o fã-normal, mas o texto é bem bacana, fora isso.

Boa semana a todos!

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