O eterno retorno das memórias digitais

Perdida entre memórias, afetos e arquivos textuais, fotográficos, audiovisuais. Arqueologia da mídia pessoal. Como juntamos coisas ao longo dos anos. Uma década inteira passou. Pessoas entraram e saíram da minha vida. Outras  retornaram. Eu sai para longe, voltei, saí de novo para um longe mais perto e novamente retornei. É estranho, nem sei mais escrever coisas pessoais em blogs, coisa que eu fazia o tempo todo entre 2002-2004.  O fato é que nessa madrugada estava vagando pelos backups e uma cascata de informações floodou a timeline do meu cérebro.  Fatos que eu nem lembrava, resenhas publicadas, músicas que ouvi tanto e hoje lembro tão pouco ou ao contrário, lembro tanto que esqueci. Os velhos links, o cemitério de websites, toda uma cronologia que agora é sem sentido.

A materialidade do conteúdo imaterial só não é um fato para quem nunca se deixou levar pela flaneurie digital, para quem não devotou um investimento de tempo em tentar abrir uma mídia obsoleta (seja ela CD, DVD, Blu-Ray) em algum aparelho que talvez nem funcione mais…. porque elas nascem por e para a obsolescência. Depois disso elas entram no circuito do retrô, do cult, do vintage… fiz uma digressão, não era disso que eu queria falar, nem do montante de blogs abandonados, dos jogos que ninguém mais joga ou de apps  inutilizados pela ação do tempo, essa entidade cruel que atormenta objetos e artefatos da cultura humana e não-humana.

Difícil explicar , mais fácil descrever e/ou sentir, no entanto nenhuma das duas coisas é uma boa opção nesse momento de insônia. Corro risco de ficar ou direta demais ou perdida em aforismos ilusórios ou numa retórica que camufla o que é preciso desabafar. O ponto é qual o limite do esquecer/lembrar na cultura digital? Um tumblr como Old Loves está ai pra esfregar toda a materialidade dos afetos e desafetos em nossa cara. É legal e mesquinho porque é com as celebridades, mas experimentem fazer isso com um grupo de amigos para ver se o verniz de civilidade não cai. Todo mundo conhece alguém que “been there/done that”. Bingo!

De que maneiras nossas antipatias, amores, ódios, recalques, etc permeiam nossas auto-edições e gerenciamentos do self? É possível reescrever as histórias? É possível deixar para lá ou o eterno retorno do caché é inevitável? Quem stalkeia acha? Quem guarda  tudo na nuvem pode ver a chuva de dados vazar? Facebook e Google nos impedem de esquecer? Big Data distribui ciúmes entre ex-amantes, cria inimizades entre redes de conhecidos mas aproxima brilhantemente quem está no mesmo circuito de consumo e não, isso não é necessariamente ruim😉

Nesse momento só quero mais comportamentos imprevisíveis, não quantificáveis. Não quero mais ver grafos/gráficos, não quero visualizações, quero a anti-sociabilidade, quero ver o circo pegar fogo !

My computer thinks I’m gay
I threw that piece of junk away
On the champs elysees
As I was walking home

This is my last communiquè
Down the superhighway
All that I have left to say
In a single tome

I got, too many friends
Too many people
That I’ll never meet
And I’ll never be there for
I’ll never be there for
‘Cause I never be there

1 comentário

  1. otiagom · março 10, 2014

    Perfeito Adriana …. Boa semana

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