Dez anos

Acordei atrasada e com uma sensação estranha. Por alguns minutos achei que ainda estava em 2005 e ai me dei conta que não, estamos em 2015 e que dez anos se passaram em uma piscadela. Ok, não é exatamente assim, mas foi a minha sensação. 10 anos são 3650 dias. Não lembro muito de cada um deles, tenho algumas sensações, por sorte a memória digital tem algumas features que nos permitem relembrar. Por vezes acho que isso é uma espécie de maldição, quando o timehop ou o FB nos mostra o que estávamos fazendo há um ano. Será que gostaríamos mesmo de saber? Tenho cá minhas dúvidas.

De qualquer forma, 10 anos é muito tempo e é o tempo que esse blog vai completar em agosto. Esse é meu 3o. blog pessoal. No mesmo mês farei 40 anos. O primeiro blog começou nos idos de 2001 por inspiração da querida amiga Ana Iris Ramgrab. Em 2001, eu ainda era Lady A e usava um avatar do Roy Liechtenstein com um template de triskells celtas que logo mudou pra um fundo preto, em 2001, eu ainda “acreditava no sistema”, como dizia a chamada daquele seriado do juiz Nicholas Marshall e fazia mestrado… em 2001 parecia que a internet ia mesmo nos ajudar a ampliar as restrições de um mundo chato e cheio de pose, ou talvez eu fosse jovem demais pra compreender. De qualquer forma por conta dessa mesma internet é que cheguei aqui, onde estou agora e ainda sou grata a todas as coisas legais que ela me proporcionou e me proporciona. This is not a song to say goodbye.  Teve ainda a fase em que eu blogava direto de Boston, cidade em que morei por 7 meses durante meu Estágio de Doutorado entre 2004 e 2005. E ai chegamos aqui. Já faz tempo que reluto em fazer algumas modificações. Casa de ferreiro, espeto de pau.

E ai hoje acordo e penso nesses últimos dez anos e aquela mesma pessoa que aqui começou a escrever parece ter mudado tanto e ao mesmo tempo ser a mesma. Difícil explicar, engolimos coisas pelo caminho, expelimos outras, zeros e uns. Pessoas entram e saem das nossas vidas. Parei pra analisar o que pode ter ficado desses 10 primeiros anos de um futuro scifi que simplesmente não existiu ou não existiu da forma que eu achava que seria ou que meu imaginário indicou em seus eternos modelos. O mundo anda pra frente e pra trás ao mesmo tempo. Há retrocesso em algumas instâncias, forças políticas conservadoras, grupos extremistas, discursos de ódio, não temos robôs, não temos carros voadores. Mas há também os amigos, há os drones, há projetos bacanas que se converteram em trabalho, há felicidade e gozo a conta gotas em alguns momentos. Há os remédios que nos ajudam a sintetizar artificialmente algumas emoções difíceis e segurar a onda. E assim vivemos. Mas são 10 anos, 10 anos de 40 no meu caso. Dizem que 40 é o novo 20. Não sei, gosto de novidades mas não gosto do adjetivo novo, tipo quando usam em “novas mídias”.

Quem sabe o que vem por ai? No momento não consigo enxergar nada além do painel em branco onde escrevo esse post. E para quem é uma espécie de planejadora compulsiva e control freak da vida é um dos exercícios de paciência mais dolorosos e complexos de todos. De qualquer forma, que mais 20 venham por ai.

There are twenty years to go,

The faithful and the low.

The best of starts, the broken heart, the stone.

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