Looking through her red box of memories

Why can’t you see
That nature has its way of warning me
Eyes open wide
Looking at the heavens with a tear in my eye

Acho que uns dias atrás escrevi que boa parte dos problemas – ao menos me parece – da minha geração concentra-se no timing, ou na falta dele. Passamos a maior parte da vida desejando, buscando e trabalhando por coisas e pessoas. E ai chega uma hora em que elas vêm, todavia não sabemos mais o que fazer com elas, ou o que elas realmente significavam nas nossas vidas.  Ou por outro lado,  temos algumas ideias até bem fundamentadas. Um belo dia observamos que elas já não nos caem mais tão bem. Mudamos de lado, desistimos e o que acontece? Ao contrário dos filmes da Sessão da Tarde ou das frases motivacionais que nos dizem que é sempre possível mudar a qualquer hora, a vida te dá um tapa na cara e diz que mudar depois de um certo período não é assim tão fácil e que você vai ter que rebolar pra conseguir. Ou então engolir as lágrimas e aceitar, porque afinal dói menos.

Enquanto isso, todos seguem vivendo suas vidas mais-que-perfeitas em sorrisos e dissimulações – como a flexão de tempo do passado em língua portuguesa – entre selfies e checkins, posando para a próxima temporada do seriado Vida Adulta em uma narrativa que faz com que a gente nunca pareça ter saído de verdade da high school.  Mas, no sentido contrário o tempo vem nos mostrar que algumas decisões lá do passado beiram a irreversibilidade. Talvez tenha sido num momento de raiva em que você só queria bancar a Scarlett O´Hara, talvez tenha sido no dia em que você decidiu fazer um caminho curto em que não encontrou quem deveria ter encontrado ou mesmo quando você por acaso foi parar numa festa à fantasia que não fazia parte do seu plano. Não tem como reconstituir totalmente a timeline. No fim das contas, o paradoxo temporal sempre me leva à Donnie Darko.

 

 

2 comentários

  1. Sergio Rodrigues · abril 19, 2015

    Belo e um pouco desesperançoso texto…Eu fico esperando a turbina do aviao cair no meu quarto e a unica voz que ouço é aquela que diz que, pena que ela nao vai viver. Mas afinal quem vive?

  2. Adriamaral · abril 22, 2015

    Obrigada pelo comment

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