Sobre um dia qualquer

Senta que lá vem desabafo quase auto-ajuda…

Hoje é um daqueles dias absolutamente triviais. Nada de novo, nada de bom e nada de ruim. Tudo absolutamente na mesma. Acho que esse é um dos dias mais “esquecíveis” que já vivi. É dessa matéria que consiste a maior parte da nossa vida, embora aparentemente – vivamos em um mundo da extrema felicidade ou do queria estar morta (num mundo mediado parece que apenas os extremos existem). O fato é que a maior parte dos nossos dias são patéticos e sem nenhum grande feito, nenhuma grande tristeza ou mega felicidade. Apenas a obviedade, a rotina e o cotidiano. Nada mais, nada menos. A parte boa de um dia como hoje, ou ao menos para mim, é que longe de qualquer tipo de pressão consegui parar para refletir por alguns minutos sobre uma conversa que tive ontem e que tem me perseguido nos últimos meses: escolhas. Por que escolhemos o que escolhemos?

Não vamos entrar aqui na ladainha fútil do “não me arrependo de nada”. Papo furado. Deixa isso pra cançao da Edith Piaf. Todo mundo se arrepende de alguma coisa, por menor que ela seja e todo mundo já pensou em como seria sua vida se a escolha tivesse sido outra. Pode ser por opção, por teimosia, por falta de talento, por achar que naquela conjuntura era o melhor que poderia ter feito, não importa, isso sempre acontece. O ponto é o quê fazer com isso pra que o desdobramento dessa escolha não se torne um fardo insuportável. Como lidar com o turbilhão de sentimentos que afloram? Como não despejar isso nos outros?

É díficil. Todos os dias nos perguntamos e somos obrigadas a ver que nossas escolhas nos colocaram – para o bem ou para mal – em determinadas situações. Da minha parte tenho tentado respirar fundo e pensar – como disse uma amiga – se ainda  e o quanto vale a pena. Tento lembrar a motivação da escolha e de como eu me divirto vivendo da maneira xyz. Claro, os custos emocionais normalmente são altos mas é preciso assumi-los, como fazemos como todas as outras contas que pagamos. O dia em que não valer mais a pena pagar o preço, o melhor é repensar e proceder aos cortes. De qualquer forma, para algumas escolhas não há possibilidade de devolução, por mais que a propaganda enganosa do discurso das pessoas te faça pensar que tem. Há questões que são sazonais, há contradições que são efêmeras e outras que persistem. Existem também as pequenas ironias e filhadaputices que encontramos pelo caminho. É difícil falar delas, mais fácil é segurar uma bandeira e dizer que tudo aquilo lhe pertence. Assumir as contradições é uma das tarefas mais árduas do mundo adulto.

E é exatamente nessa encruzilhada que me encontro. Seria mais fácil me apegar a algo (religião, ideologia, movimento etc) qualquer coisa que amortizasse um pouco os custos da complexidade. Mas acho que ainda prefiro o bom e velho recolhimento leonino: respirar, ouvir música, ler um livro, ver um episódio de um seriado e tentar simplesmente não resistir com tanta veemência ao que posto está. Resistance is futile.

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