Re-ligare

Não sou uma pessoa religiosa, ao menos no sentido tradicional da palavra. Meu ceticismo também não obnubila totalmente minhas observações e respeito que tenho em relação à beleza de alguns mitos e sobre coisas fora do âmbito científico-lógico. De toda forma, admito que tenho um certo orgulho em não precisar de religião no sentido organizado para pautar minhas ações pelas possibilidades e resultados éticos que elas trarão para os outros seres humanos e para mim mesma. Esse orgulho é apenas uma questão pessoal, não me fazendo ser melhor ou pior do que quem precisa disso pra resolver suas questões.

Assim, sempre que possível tento me colocar na posição do outro e ajudá-lo na medida do possível. Não faço isso por altruísmo, faço isso por acreditar que se alguém que está próximo de mim (ou mesmo não tão próximo mas faz parte de um certo ecossistema) ficar bem, o resto irá se desenvolver e as coisas legais reverterão, em certa medida para todos os envolvidos, inclusive eu. Não pratico “boas ações” na expectativa de recompensa (nem de alguma entidade superior nem da própria pessoa) mas faço isso por mim e pelo meu entorno. Mesmo assim, é claro que sempre estamos sujeitos à ingratidão e à falta de reconhecimento por parte daqueles a quem ajudamos. Quanto a isso, já tive uma boa cota e nem me surpreendo mais com pessoas que fazem isso.

O que me causou um certo choque mais recentemente foi um episódio que extrapola o limite da tão conhecida ingratidão e se encaminha para agressão gratuita e total falta de reconhecimento do outro como alguém que em um determinado momento se colocou  à disposição para ajuda. Não sei se é carência de platéia – e ai usar o outro para ganhar likes e comentários em rede é uma estratégia tipo colocar uma melancia no pescoço e subir num poste como dizia meu pai – acrescida de baixa auto-estima travestida de arrogância com pitadas de deslumbramento por estar num “efêmero” momento de poder, no pior sentido possível. Só sei que quanto mais eu avanço na idade, mais tento evitar conflitos desnecessários e respostas a pessoas que estão apenas procurando vomitar suas fraquezas e frustrações virulentas em quem as colocou onde estão e que elas de forma bastante sintomática apagaram de sua memória devidamente sequelada.

Esse pequeno desabafo teve apenas o objetivo de me fazer sentir melhor porque observar certos rumos escolhidos sempre me fazem crer que vou continuar sim, apesar de todos os contra, trocando experiências, aprendendo, ajudando e sendo ajudada – também já tive pessoas que me ajudaram muito em toda a caminhada até agora, mas em hipótese alguma pensei em “pegar uma faca e tentar escalpelá-las publicamente” por pior que fossem suas ações a posteriori. Assim, assunto encerrado porque como dizia Ferris Buller no clássico da minha geração: “ Life moves pretty fast. If you don’t stop and look around once in a while, you could miss it.” 

PS: Mudei o template e os comentários sumiram. Vou tentar resolver assim que possível.

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