40: spin the wheel of fortune or learn to navigate

 

a hundred clocks are ticking
the line becomes a circle
spin the wheel of fortune
or learn to navigate

Engraçado pensar que esse dia chegou bem de mansinho e que parte dele já estava resolvido na minha cabeça, ao contrário do que eu pensava. Para dizer a verdade, nunca imaginei como eu estaria aos 40 anos – mentchyra: aos 11 anos eu sonhava em casar com o Peter Parker e morar em NYC –  pois em minha juventude melancólica sequer achava que sobreviveria tanto ( #goticismodetected). Hoje acho que é mais um recomeço, entre os tantos que já tive. Mas o fato é que a cada aniversário, temos um ritual de passagem e os 40 ganharam um status mítico nos últimos anos. Por um bom tempo eles me apavoraram. Eu me recusava terminantemente a deixar de “ser quem eu sou”, porque as minhas referências de “pessoas de 40” até pouco tempo atrás eram de uma geração tão diferente da minha. Á medida em que os 30 foram avançando, percebi que tudo isso era uma grande bobagem, e que eu seria quem eu sou mesmo for ever and ever, ainda que me adaptando em relação a determinadas situações, uma vez que essas próprias adaptações já me caracterizavam. Assim, crescer e atravessar algumas pontes não significaria abrir mão dos meus valores estéticos/éticos, mas sim flexibilizá-los em alguns momentos. No entanto, isso é um papo por demais psicanalítico que não vem ao caso aqui nessa breve reflexão.

a choir full of longing
will call our ships to port
the countless lonely voices
like whispers in the dark

Entre estragos e benefícios, acho que nos últimos cinco anos ao menos fui aprendendo a contornar uma diversidade de situações difíceis e que me causavam mal a partir da  liberdade de abandonar certezas e paradigmas consolidados ou o bom e velho “chutar o balde”. O processo foi longo e demorado, mas a partir desse momento, em que abri mão de coisas que me incomodavam e das quais eu também fazia parte, o caminho para uma década mais tranquila que a dos 30 começou a se abrir. Seria hipócrita dizer que foi fácil, que não doeu, que não foi sofrido. Aprender a navegar, nunca é. Foi tudo isso junto, mas tem compensado a cada sorriso, a cada linha escrita. O processo é mais de deixar a discussão pra lá e aceitar o que temos de bom do que de comparações ou de querer ganhar todas. Ninguém ganha, por mais que boa parte das pessoas estejam sorrindo nas fotos apenas pra te convencer que ganham e que a vida que elas escolheram é melhor que a sua. Cada uma é e não é ao mesmo tempo. “If you try walking in my shoes, you´ll stumble in my footsteps” resume bem essa parada.

tonight we light the fires
we call our ships to port
tonight we walk on water
and tomorrow we’ll be gone

Então que, fazer 40 não é mais o grande drama que era há alguns anos para mim, pois a transitoriedade da vida (mudanças de todos os tipos, de cidade, de estado civil, de perdas etc) tem me brindado com uma série de lições e experiências sobre impermanência, devir e sobre tentar manter os pés no presente – por mais que a ansiedade de fazer planos ad infinitum ainda me cause alguns danos. O importante é quem está aqui ao nosso lado – família e amigos que me apoiam sempre das coisas mais banais às decisões mais arriscadas – e ao contrário do ditado popular “a grama do vizinho não é mais verde do que a nossa”. Nunca sabemos quando nosso barco será chamado ao  Valhala para prestar nossas contas ou falar das batalhas que travamos bebendo hidromel no salão dos deuses. Enquanto não desaparecemos em meio a poeira cósmica da qual somos parte, vivemos, amamos, sonhamos, agradecemos e giramos a roda da fortuna. Nesse ano, a minha trouxe um casamento emocionante e sem frescuras, uma casa que finalmente pode ser do meu jeito e um semestre sabático que começa dentro de quatro dias no qual ficarei imersa nos estudos e nas cenas musicais da zooropa. Tá muito mais do que bom para quem só pretendia sobreviver. Obrigada! “We have one future, let´s share it”

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