Sunn o))) e Phurpa no Meltdown Festival

Intervalo entre o show do Phurpa e a entrada do Sunn 0))). Foto do Tarsis Salvatore por celular.

Intervalo entre o show do Phurpa e a entrada do Sunn 0))). Foto do Tarsis Salvatore por celular.

Um show envolve uma série de dimensões estéticas, políticas, afetivas, sensoriais, performáticas, visuais, entre n outras. Na semana passada, dando início às explorações de campo da minha pesquisa sobre subculturas e cenas musicais aqui em UK – que é parte do meu semestre sabático de Estágio Sênior – tive a enorme felicidade (ou feliz coincidência? Já não sei) de ter conseguido ingressos pra assistir a banda de drone metal – deixemos os gêneros e classificações para um outro momento – norte-americana Sunn o))) . Mas é preciso falar do contexto. Naquela terça, 18 de agosto, havíamos tido um dia corridíssimo em busca de um apto para morar e estava torcendo para conseguir chegar à tempo em SouthBank, uma vez que o show iniciava às 19h. O show fez parte do Meltdown Festival, um festival alternativo já tradicional aqui em Londres e que nesse ano contava com a curadoria de nada mais nada menos do que David Byrne – outros curadores já foram Bowie e Yoko Ono, apenas para citar o nível da coisa toda. Cada curador escolhe artistas (não só da música, mas de cinema, artes visuais, etc) que lhe interessam.

Chegamos umas 18h e ainda havia alguns últimos lugares no mezanino. A abertura ficou por conta do projeto russo Phurpa que misturava música eletroacústica, industrial experimental e cânticos de budismo tibetano. Sem nenhum trocadilho, uma música para quase transe. Quando o Sunn o))) entrou no palco já estávamos dentro de uma atmosfera mezzo ritualística mezzo tecnológica. A união de peso, técnica, densidade e volume criou uma ambiência sônica que beirava o absurdo. Em um determinado momento coloquei a mão na cadeira ao lado da minha e senti que o anfiteatro inteiro vibrava em uma cadência atonal bizarra. Foi uma verdadeira experiência de materialidade da música em um wall of sound que criava momentos distintos de celebração, medo, paranoia e invocações e mais uma infinidade de sentimentos que sequer consigo descrever. A iluminação e o visual do vocalista hungaro Attila Csihar (da banda de black metal Mayhem) combinado aos seus gritos poderosos e afinadíssimos, muitas vezes me fizeram sentir em uma caverna ou em uma floresta ou abduzida por alienígenas. Uma performance primorosa. Música para iniciados, que saíram dali com a sensação de terem visto algo seminal. Precisei de algumas horas no silêncio para me recompor da beleza e intensidade de tanto barulho.

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