2015: equilíbrio e dionísio

2015 foi um ano bizarro e incrível ao mesmo tempo. Muitos acontecimentos ruins para o mundo  em geral e para pessoas que conheço. Em termos pessoais não tenho do que reclamar, apenas agradecer. Foi um ano em que colhi resultados e materializei projetos que vinham de um certo tempo. Projetos que me fazem feliz e que ocupam minha mente. Ao mesmo tempo também foi um ano em que improvisei e apareceram coisas inesperadamente boas. Particularmente até algumas situações desagradáveis serviram para me ajudar, seja me fazendo ser mais paciente e compreendendo melhor alguns mecanismos burocráticos e subjetivos – não, não podemos controlar tudo – , seja com pessoas que revelaram sintonias muito distintas das minhas e que saem dessa temporada. Ficou a lição de perceber alguns sinais para que menos desse tipo de gente se aproxime nos próximos episódios. Dada a profundidade de alguns desses acontecimentos (alguns com desdobramentos que foram quase fatais , mas que foram revertidos a muito custo e sacrifício), manterei meu radar cada vez mais atento.

Creio que o principal desafio de 2015 foi encontrar equilíbrio. A falta de bom senso e equilíbrio em geral – eu inclusa em algumas situações específicas em que me deixei levar por esse potencial – transformou muitas ações bacanas e importantes em festivais de acusações e ressentimentos travestidos de pseudo-política. Acho que anda faltando divã e um certo recolhimento/reflexão para se pensar  antes de sair atirando pedras sob “um manto da defesa de uma causa ou luta justa”. É muito “fiel recém convertido” querendo apontar o dedo de forma moralista – no sentido mais estrito da palavra – até mesmo para quem está do mesmo lado, desde que certas críticas às mobilizações sejam varridas para baixo do tapete. Resta aquela pergunta clássica “Quem vigia os vigilantes?”.

Novamente retomo a questão do equilíbrio (ou caminho do meio para os que são afeitos às religiosidades orientais) para pensar que o que mais desejo para 2016 é que o embate subjetividades X coletividades diminua e se consiga dialogar sem demonizações. É utópico, eu sei, mas tais discursividades ou narrativas me fazem sentir cada vez menos vontade de pertencer a grupos, a coletividades, etc por mais empatia que eu tenha para com as pessoas e os problemas envolvidos. Como no poema de Carlos Drummond de Andrade, sou por demais “gauche” na vida para não perceber certas contradições – que me irritam – e portanto, ficar à margem e afastada de certos conflitos é o que farei mais nesse ano de 2016, processo que só consegui dar andamento ao final desse ano e que melhorou consideravelmente minha vida. Lidar com o volume de dados e informações dessa era não é nada fácil e desconectar do que nos faz mal é também um dever.

Nessa temporada, os roteiristas em geral nos deram muito o que pensar em reviravoltas imprevisíveis. Teve gente nova que chegou chegando, teve o retorno de antigos personagens. Tiveram conhecidos que ficaram mais próximos e subiram nos degraus de amizade. Teve amigos das antigas que sofreram e a quem emprestei de bom grado meu ombro, mesmo que virtual. Teve muito vinho, cerveja, whisky e coca-cola. E, claro, muitos shows, livros, passeios. Teve casamento sem pompa e circunstância mas com muito amor, nerdice e trevas. Teve mudança pra UK por conta do Estágio Sênior.

Foi difícil dar conta de todas essas coisas. Em alguns momentos queria jogar tudo para o alto e sumir. São muitas cargas para equacionar, de vários lados. As pessoas não vêm vazias, trazem consigo suas bagagens e experiências que nos aquecem o coração mas também nos fazem sofrer conjuntamente. Eu sabia que não seria fácil, sabia que teriam muitas questões envolvidas, mas me dou o direito à felicidade. Não aquela felicidade fake dos sorrisos de campanhas publicitárias, mas uma felicidade que pode estar em segurar um dos seus ídolos durante um mosh num show (Chris Corner, vivi para esse momento) ou em ver a realização de uma sobrinha em virar dona do seu negócio. Uma felicidade que só  é porque está envolta em momentos triviais e outros de tristeza. Certos rituais nos ajudam a pausar e a celebrar e esse ano foi pródigo em termos de demarcações de espaço, tempo, sociabilidade.

Ainda estou em dúvida se 2015 foi um ano de encerramento de um ciclo ou se uma nova estrada começou a ser trilhada nos meus 40 anos, creio que um pouco de cada. De qualquer forma quando o ano findar vou lembrar dele com carinho e para sempre como um ano em verdadeiro devir. Um ano dionisíaco pra caramba! Parece contraditório, mas eu valorizo as contradições, sobretudo quando são assumidas.

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