Pesquisa

Projetos Individuais

2016 – 2018 (Em Andamento)

Fandoms e subculturas transculturais e suas práticas online: ativismo de fãs e seus desdobramentos em questões de gênero, idade e classes sociais no âmbito da cultura pop

Palavras-chave: fandoms e subculturas; ativismo de fãs; sites de redes sociais; cultura pop

A presente proposta tem como objetivo central ampliar conceitualmente as discussões sobre subculturas e fandoms e suas práticas culturais no âmbito brasileiro, tendo como objeto de pesquisa dois grupos sociais distintos e com presença intensa nos sites de redes sociais desde os primórdios da internet: fandoms de cultura geek/nerd (auto-intitulados) e grupos relacionados à subcultura gótica, que mais recentemente investiram no humor como forma de auto-apresentação (AMARAL, BARBOSA & POLIVANOV, 2015).
Para tal empreendimento nos pautamos pelos resultados de investigações anteriores onde as temáticas relacionadas a gênero, envelhecimento e capital subcultural – noções tratadas por diversos autores da área (THORNTON, 1996; JENSEN, 2014) mas não necessariamente na análise desses casos – apareceram com força na coleta de dados e nos discursos dos participantes das cenas. Além do aprofundamento teórico dos conceitos combinaremos uma pesquisa de campo qualitativa multimetodológica com observação etnográfica e entrevistas de profundidade com informantes brasileiros, a fim de observamos comportamentos e práticas transnacionais na produção desses materiais midiáticos e das atividades tais como memes, fanfcitions, fanarts, etc. O estudo não visa estabelecer comparações entre os grupos, mas sim compreender cenários distintos, porém relevantes, para o desenvolvimento tanto da pesquisa sobre subculturas quanto da pesquisa sobre fãs, que começa despontar no Brasil – onde a bibliografia em língua portuguesa ainda é escassa. Como resultados, esperamos um aumento de possibilidades teórico-metodológicas sobre esses temas e objetos e a possibilidade de construção de um modelo de análise de subculturas e fandoms que seja transcultural e considere os contextos de gênero, classe social, faixa etária – a noção de envelhecimento – para além da ideia de “cultura juvenil” atrelada a uma determinada idade e tipos de comportamento, que se apresentam muitas vezes através dos sites de redes sociais e do julgamento e manifestações do gosto, noção teórica atrelada a todos esses processos.

2013-2015 (Finalizado)

Performatização do gosto e as modulações de identidades nas práticas comunicacionais de fãs e antifãs de música nas plataformas de redes sociais

Palavras-chave: performance de gosto; sites de redes sociais; consumo musical; identidades;

Síntese dos Resultados Obtidos:
O projeto de pesquisa “Performatização do gosto e as modulações de identidades nas práticas comunicacionais de fãs e antifãs de música nas plataformas de redes sociais” explorou o debate sobre o gosto e suas manifestações nos sites de redes sociais a partir da discussão teórica sobre a noção de performance de gosto (Hennion, 2007, 2010) como uma relação experiencial entre sujeitos, música e as materialidades da tecnologias. A partir da contextualização dos debates conceituais sobre o gosto e os fãs de musica, foram analisados diversos casos, procedendo com estudos de cunho etnográfico multi-métodos descrevendo e caracterizando algumas práticas de performatização do gosto nas plataformas de redes sociais como Facebook, Twitter, entre outros. Partimos de manifestações dos fãs e antifãs brasileiros de música alternativa (rock e eletrônica) em oposição a outros gêneros nacionais (como funk carioca, pagode, etc) que circulam e são compartilhados nesses ambientes. Dentre as observações iniciais destacamos o amálgama entre as disputas simbólicas e distinções sociais (Bourdieu, 2008) no embate entre os gêneros musicais; os elementos de capital subcultural (Thornton, 1996) e a sociabilidade ora lúdica ora combativa de tipos diferentes de fãs como anti-fãs, haters e trolls (Amaral & Monteiro, 2012). Tais aspectos constituem modos de performatização do gosto musical atuando nas mediações entre a escuta e os gêneros musicais no contexto da cultura contemporânea, bem como curadores de informações musicais na web.
O presente projeto trouxe alguns elementos teóricos e empíricos para a discussão e a análise das manifestações do gosto – individuais e coletivas – nos sites de redes sociais. Os questionamentos que emergiram do projeto se desdobraram basicamente em duas abordagens: a primeira delas trata da discussão teórica sobre a noção de performance de gosto (Hennion, 2007, 2010) como uma definição operatória para tratar de determinadas articulações e formas de apresentação do gosto tecnologicamente mediado. A segunda diz respeito à cultura pop (Soares, 2013) e ao papel desempenhado por ela na produção, buscabilidade e viralização dos conteúdos a partir dos quais emergem algumas importantes disputas e consensos sobre o gosto. Dessa maneira, alguns dos resultados mostraram questões referentes ao gosto no contexto desses ambientes, motivadas por três fatores: as diferentes visões multidisciplinares trazidas pelos estudos sobre o gosto e como podem ser expandidas e criticadas na análise da relação do mesmo e das redes digitais; o intenso compartilhamento e as apropriações de materiais possíveis de serem categorizados como manifestações do gosto; e a cultura pop como uma das mediadoras desses processos.
A partir dos dados coletados no âmbito do projeto de pesquisa, observamos dois tipos de manifestações e de práticas empíricas referentes a essas vinculações: as disputas entre fãs, antifãs, haters e trolls – analisadas em Amaral, Monteiro & Soares (2015), Amaral, Souza & Monteiro (2015), Amaral (2014), Amaral & Monteiro (2013); o ativismo de fãs e sua relação com as celebridades e o gosto, discutido por autores como Bennet (2012). A partir dessa articulação entre a teoria e os casos empíricos em construção, vislumbramos a hipótese de que nos sites de redes sociais, as lógicas da cultura pop e do entretenimento – seja a partir de sua linguagem (Pereira & Polivanov), seja a partir dos aspectos de sociabilidade e de consumo – nos convocam à construção de mapas de gosto e afeto que ganham novos significados e contornos políticos e afetivos, através da produção de memes e da cultura remix, por exemplo, que têm como característica oscilar entre “a resistência e a assimilação” de normas, comportamentos e práticas culturais ora mais ou ora menos massivas ou de nicho. A cultura pop emerge como uma das hipóteses possíveis para se pensar a intensa disseminação de materialidades do gosto nos sites de redes sociais sua ampla viralização através dos conteúdos produzidos por fãs, dos memes e dos formatos específicos da cultura digital. Nesses elementos de manifestações do gosto nos sites de redes sociais foram observadas as disputas simbólicas entre fãs e antifãs de diferentes gêneros musicais (e a consequente formação de moralidades e preconceitos); o ativismo de fãs, do qual destacamos a prática de shippagem (torcida de casais) e suas possibilidades de legitimação de diversidade de minorias e o humor.
Assim, um dos principais resultados da pesquisa demonstra de que forma as práticas de fãs e a cultura pop são partes importantes nos processos de manifestações do gosto nos sites de redes sociais, através de uma série de questionamentos e possibilidades de discussão que foram vislumbrados tanto de forma teórica como empírica. Tais fenômenos trazem desafios de cunho metodológico em termos de coleta e de análise de dados, cada vez mais abundantes, obtidos nos sites de redes sociais e em algumas circunstâncias offlines. Além disso, problematizamos a compreensão desses fenômenos para além de algumas dicotomias e conceitos tradicionalmente discutidos na área.
Outros resultados derivados desse projeto de pesquisa estão articulados com a participação da bolsista em redes internacionais e nacionais como a) coordenação técnica do Projeto PVE-CSF CAPES e sua relação de aspectos relacionados às cenas musicais e indústrias criativas; b) o desenvolvimento do projeto de Estágio Sênior com apoio da CAPES “Gênero e envelhecimento nas subculturas e fandoms. Repensando as práticas e o capital subcultural relacionado ao gosto de góticos e de fãs de cultura pop no Reino Unido e no Brasil” (Agosto 2015 – Janeiro 2016), motivo pelo qual pediu-se a suspensão do projeto anterior; c) o PROCAD-CAPES com UFF e a UFPE, intitulado“Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual: Som, Imagem, Lugares e Territorialidades em perspectiva comparada” (2014); d) além da colaboração no projeto de pesquisa “Consumo como performance em sites de redes sociais” coordenado pela professora Dra. Sandra Portella Montardo e financiado pelo CNPq.
Por fim, em termos de popularização da ciência, o projeto tem recebido bastante atenção da mídia, através de uma série de entrevistas e participações em programas de rádio, TV e artigos em jornais tais como Zero Hora, TVCOM, RBSTV, Canal Octoo, entre outros, sem contar que publicações de resultados no próprio blog e nas redes sociais pessoais da pesquisadora.

2010-2013 (Encerrado)

Plataformas de Música On-line:  Fandom, consumo, classificação e distribuição de música nos sites de redes sociais

Síntese dos resultados obtidos:

Intitulado “Plataformas de Musica On-line: Fandom, consumo, classificação e distribuição de música nos sites de redes sociais”, o projeto de pesquisa refletiu teorica e empiricamente sobre as práticas de consumo subcultural e suas reconfigurações contemporâneas, entrecruzando os estudos sobre subculturas e as pesquisas sobre fandoms nos ambientes digitais, a partir das transformações no contexto da cibercultura e da popularização dos sites de redes sociais na sociedade. Com base nos estudos de cunho empírico multi-metodológico – sobretudo através da netnografia e da teoria fundamentada – realizados ao longo do projeto, observamos algumas categorias como a customização e a viralização das experiências de consumo, além das disputas simbólicas e performatizações identitárias amplificadas através de plataformas de nicho voltadas à música como MySpace, Last.Fm, Blip.Fm, Soundcloud e de plataformas mais genéricas como Twitter, Facebook, You Tube. O projeto procurou desenhar possíveis cenários e práticas sobre a reconfiguração das práticas de consumo e fruição da música. As interpretações centraram-se sobretudo em apropriações iobservadas a partir do cotidiano como usuária e insider desses sites de redes sociais e das cenas musicais, em seus desdobramentos apresentados em forma de disputas simbólicas e negociações identitárias. Como estratégia metodológica adotamos três formas de coleta e análise dos dados em rede: 1) a observação-participante nas plataformas; 2) descrição dos recursos materiais desses artefatos e das manifestações dos participantes; 3) entrevistas semi-estruturadas e questionários online 4) feedback dos dados para os participantes através da publicação de resultados parciais em jornais, revistas, no blog da pesquisadora e outras redes e nos grupos dentro dos sites. A perspectiva insider da observação partiu da descrição e do estudo de plataformas específicas voltadas à música e suas apropriações sócio-culturais; depois passamos às novas formas de categorização musical pelos usuários nesse cenário e pelos processos de reconfiguração do papel dos fãs e da crítica musical, trazendo uma diversidade de mediações e mediadores. Na sequência, procuramos discutir as formas de engajamento e participação dos fãs nas estratégias de mobilização e na construção das identidades de diferentes cenas musicais como o rock e a música eletrônica alternativa. Dentre alguns resultados obtidos, destacam-se a pluralidade de apropriações culturais, sejam coletivas e que incluem intensa mobilização online e offline – através da produção de produtos midiáticos produzidos pelos fãs como flashmobs, lipdubs e uso de tags e hashtags – até utilizações mais individuais – como a do fã-curador da memória e das negociaçõesde identidade e de demonstração afetiva ou de ódio, conforme observadasnas atuações de alguns fandoms no Twitter, Facebook e You Tube, por exemplo. Os resultados também nos indicam diferentes modulações de linguagem nos quais observamos que os conflitos sobre gêneros musicais trazem endereçamentos semânticos de ordem extra-musical, relacionados à construção de capital subcultural e a preconceitos e estéreotipos de gênero e raça, como no caso dosusos das hashtags ofensivas por grupos de antifãs de determinados gêneros musicais ou artistas.

Projetos Coletivos

Coordenação Técnica do projeto POA Music Scenes – CAPES

2013-2016

É um projeto entre a UNISINOS e a Universidade de Salford em Manchester-UK, apresentando os contextos das indústrias criativas, através da pesquisa sobre a distribuição espacial das cenas musicais do rock e da música eletrônica em Porto Alegre a partir de projetos semelhantes realizados em Manchester. Com o financiamento da CAPES pelo programa CSF (Ciências Sem Fronteiras) – Pesquisador Visitante Especial – processo nº 888881.030393/2013-01, o PoA Music Scenes vai arquivar e gerar material audiovisual, textual e hipertextual com conteúdo produzido pelos pesquisadores e pelos próprios usuários, através de um site e um aplicativo móvel. A pesquisa também poderá servir de modelo para outros centros urbanos e outras temáticas relativas às indústrias criativas como design, games, quadrinhos, moda, audiovisual, etc. O projeto tem como objetivo mapear as cenas musicais do rock e da música eletrônica de Porto Alegre, tendo como parâmetros algumas iniciativas realizadas em Manchester de acordo com seus shows, clubs, selos e gravadoras, lojas de discos, personalidades e outros locais no contexto de suas respectivas indústrias criativas. A pesquisa centra-se na análise dos processos mediáticos e nas apropriações da memória afetiva pelos sites de mídias sociais, na articulação entre espaço urbano, cenas, territórios, mídias e indústrias criativas, além de proposições de modelos de arquivamento das mesmas.

Mais informações em poamusicscenes.com.br

Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual: Som, Imagem, Lugares e Territorialidades em perspectiva comparada (EM ANDAMENTO)

(2015-2020)

Coordenação da Equipe UNISINOS

Projeto PROCAD/CAPES Qual o papel da cultura musical e audiovisual na construção de um imaginário urbano, suburbano, cosmopolita, periférico, translocal e/ ou virtual? De que maneira o espaço urbano se reconfigura a partir de um imaginário produzido por canções, filmes, videoclipes, trilhas sonoras e demais produtos sonoros e/ou audiovisuais? Nos debates sobre música e cultura audiovisual, noções ligadas a lugar, espaço e territorialidades são constantemente acionadas. Seja para atrelar determinada prática musical a um sentimento de identidade local ou regional; seja para delimitar espaços simbólicos de circulação de gêneros; seja ainda para referir-se a ambientes virtuais tais como redes sociais e plataformas musicais, a noção de que canções, filmes, novelas, videoclipes, circulam (ou se reconfiguram) em lugares ou espaços definidos físicos, simbólicos, afetivos, virtuais é recorrente.Além disto, estes produtos midiáticos estabelecem com o espaço urbano uma via de mão dupla: por um lado, bairros e/ou cidades inspiram compositores, diretores, e criadores do campo musical e audiovisual; por outro lado, letras de músicas, filmes ou mesmo um gênero podem ressignificar o imaginário sobre uma cidade ou país . Desta maneira, a articulação entre a produção e consumo sonoro e imagético e as metáforas espaciais abrange uma ampla gama de ideias que cercam as práticas culturais e sua distribuição midiática.Tal como apontado por Steven Connor (2000) este projeto parte da premissa de que as paisagens midiáticas construídas através da música e do audiovisual constroem novos mapas urbanos e que com grande recorrência os espaços fragmentários das cidades contemporâneas são reconfigurados por estes produtos culturais. Esta pesquisa tem como objetivo problematizar, tensionar e avançar na reflexão entre as diversas articulações entre música, audiovisual, espaço e territorialidades, acionando debates que caminham basicamente por quatro eixos: (1) a relação hierárquica dos símbolos e referências espaciais que circulam nas práticas culturais em torno das categorias de centro/ periferia, e de local/trasnlocal/global , absorvendo as diferenciadas experiências espaciais que circulam em torno das territorialidades sônico-musicais e audiovisuais; (2) a formação e conceituação das ideias de espaços e cenas culturais, pensadas tanto como referências a uma cidade quanto como metáforas de articulação de gostos que se conectam de modo virtual; (3) as relações do espaço com a performance, com destaque para os debates sobre corpo e sexualidade e para a questão do valor – seja entre fãs ou através da crítica cultural; e (4) a circulação de música e audiovisual pelo ciberespaço, com foco no papel das tecnologias que mediam estas apropriações. Delineada de maneira coletiva, a partir de equipes de pesquisadores das Universidades Federal Fluminense (UFF); Federal de Pernambuco (UFPE) e Vale dos Sinos (Unisinos), nosso objetivo é contribuir para o refinamento do debate a partir da construção de problemas comuns suscitados pela temática proposta e produzir uma cartografia do urbano em suas múltiplas entonações nos produtos musicais e audio-visuais.

1 comentário

  1. cintia · fevereiro 10, 2011

    Oi, preciso conversar contigo sobre tuas pesquisas e o que elas têm a ver com a minha:H@LP! Aguardo então.😉

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