Práticas acadêmicas irritantes

Existem algumas práticas que deveriam ser abolidas do meio acadêmico (em especial no Brasil). Não só para o desenvolvimento da ciência mas como para a não-irritação das pessoas quando da leitura de alguns artigos. Aproveitando que finalmente terminei meu livro novo sobre metodologia e tive de ler muita coisa, vou citar as duas  que mais me incomodam .

* Falta de estado-da-arte do objeto, campo, etc. – A não leitura do que outros colegas estão produzindo e a falta de resgate do que está sendo feito sobre um determinado assunto é irritante demais. Primeiro porque significa que nem a lição de casa inicial a pessoa fez na pesquisa. Segundo, porque o texto fica reinventando a roda e desconsidera as possibilidades de criticar o que já está em andamento e propor algo diferente. Ou é preguiça ou a pessoa parece não se importar. Em ambos os casos é um mal que seria erradicado se as pessoas lessem mais as revistas e bancos de dados científicos. Não estou dizendo aqui que alguém vai dar conta de tudo (óbvio que essa é uma pretensão inatingível) mas tenho visto artigos que são escritos sem o mínimo, ou seja, alguns conceitos/autores básicos já trabalhados no campo e ficam repetindo tudo que já veio antes como se fosse “a novidade”. Assim, as coisas realmente não andam.

* Metodologia meramente como rótulo qualificativo e não como prática efetiva – A segunda prática é mais “171” que a primeira (que pode ser apenas fruto da preguiça), pois a pessoa tenta te enganar colocando no meio do texto algo como “nesse artigo utilizo a metodologia Tal (FULANO, Ano XXXX)”. Assim o texto ganha um ar de suposta seriedade metodológica, mas no fundo não deixa de ser uma mera exigência formal, pois normalmente esse tipo de texto não faz uma reflexão sobre a prática e etapas da pesquisa em seus protocolos, meramente joga um rótulo para dizer que utilizou um método sem descrever como que a pesquisa efetivamente foi desenhada e construída, deixando o leitor boiando em como o autor chegou naquelas conclusões. É difícil e cansativo fazer essa reflexão? É, mas ninguém disse que seria fácil. Sinceramente, é preferível que a pessoa nem fale o tal rótulo mas apresente os passos do que foi feito de forma clara e direta (sem firulas). É mais honesto e rende mais.

Por hoje era isso, teriam outras práticas que igualmente me irritam. Façam vocês também as suas #hatelists do trabalho acadêmico rs

CFP – Zombies in the Academy book anthology

Retornando a vida bloguística com um call for papers bombástico.

Call for papers:  book chapters for the interdisciplinary anthology
“Zombies in the Academy: living death in higher education”

Editors: Andrew Whelan, Chris Moore and Ruth Walker

This book takes up the momentum provided by the recent resurgence of
interest in zombie culture  to explore the relevance of the zombie
trope to discussions of scholarly practice itself. The zombie is an
extraordinarily rich and evocative popular cultural form, and
zombidity, zombification and necromancy can function as compelling
elements in a conceptual repertoire for both explaining and critically
‘enlivening’ the debates around a broad variety of cultural and
institutional phenomena evident in the contemporary university. We
propose to canvas a range of critical accounts of the contemporary
university as a living dead culture. We are therefore seeking
interdisciplinary proposals for papers that investigate the political,
cultural, organisational, and pedagogical state of the university,
through applying the metaphor of zombiedom to both the form and
content of professional academic work.

We invite submissions from a range of scholars – notably in cultural
and communication studies, but also popular culture, anthropology,
sociology, film, game and literary studies, political science,
philosophy and education – who would be prepared to submit chapters
that examine the zombie trope and its relation to higher education
from a variety of perspectives.

The editors of “Zombies in the Academy” have an agreement for
publication with Intellect Press UK for 2012. The anthology will be
structured in three sections around the broad general topics of:

1. corporatisation, bureaucratisation, and zombification of higher education;
2. technology, digital media and moribund content distribution
infecting the university;
3. zombie literacies and living dead pedagogies.

Paper proposals that would fit into these sections would include
essays that might:
•    investigate the current conditions of the academy under pressure
from the ‘zombie processes’ variously described as ‘audit culture’ or
the ‘McDonaldisation’ of higher education;
•    explore the uncanny value of the figure of the zombie as a component
in critical pedagogical accounts (zombie concepts, undead labour in
Marxist theory etc.), including in such accounts as they are applied
to the university itself;
•    analyse the theme of zombies and the academic gaze through the
narratives and mechanics of particular films, games, texts or graphic
novels;
•    name the attenuated conditions of work in the sector with reference
to its various forms of ‘zombidity’;
•    evaluate the perceived decomposition of academic standards;
•    discuss the zombie contagion model as an explanatory device for the
circulation of content across multiple media platforms, including into
and out of the classroom;
•    explore pedagogical activities that use or reflect zombie content;
•    critically investigate the rise of ‘zombie literacies’ – as an
epidemic circulated by an unthinking student horde, and/or the undead
ivory tower itself;
•    address the corpse like inertia and atavism of academic distinction
and social closure (journal rankings, peer review, tenure etc.) in the
face of the apparently ‘lifelike’ models of research production beyond
the walls of the academy;
•    reassess the metaphor of zombiedom, considering how it can be
construed not only as a negative critique, but also as a possibly
desirable,  advantageous or alternative adaptive strategy in academic
contexts.

Abstracts for proposed book chapters should be 1000 words.  Authors
are asked to include brief biographical details along with their
proposals, including name, academic affiliation and previous
publications.

Deadline for submissions is 15th December 2010. Please select the most
appropriate book section theme for your paper, and submit proposals as
an emailed .doc attachment to the following editors:

For papers on the corporatisation and zombification of higher education:
– Andrew Whelan, PhD.  Department of Sociology, Sciences, Media and
Communication, University of Wollongong. Email: awhelan@uow.edu.au

For papers on technology, digital media and contagion:
– Chris Moore, PhD. Centre for Memory, Imagination & Invention,
Faculty of Arts and Education, Deakin University. Email:
moorenet@gmail.com

For papers on zombie literacies and pedagogies:
– Ruth Walker, PhD. Learning Development, University of Wollongong.
Email: rwalker@uow.edu.au

Anticipated timeline:
– proposals due December 15th 2010 (1000 words)
– contributors notified January 15th 2011
– chapters due July 1st 2011 (6,000 – 9,000 words)
– edited full manuscript to publishers December 2011
– book publication 2012


Dr Christopher Moore
Postdoctoral Research Fellow
Centre for Memory, Imagination and Invention
School of Communication and Creative Arts, Faculty of Arts and Education
Deakin University, 221 Burwood Highway Burwood VIC 3125 Australia
c.moore@deakin.edu.au
moorenet@gmail.com
03 9244 6438
Twitter: CL_Moore
Scribd: Moorenet

Novas emoções de agosto: Unisinos, here I go

Conforme eu já havia antecipado, muitas coisas estarão acontecendo a partir de agosto. Vou primeiramente falar da mais importante delas até o presente momento:

/me @ Unisinos


A grande mudança do semestre é minha nova vinculação institucional.  A partir do próximo mês reinicio em nova instituição, pois passei em primeiro lugar no processo seletivo para professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS, no Rio Grande do Sul.

Também atuarei na graduação em Comunicação Digital e no curso de Jornalismo. Estou super feliz com a nova fase e, principalmente por toda acolhida que tenho recebido por lá, além de presencialmente via web no site do curso de comunicação digital (valeu pessoal!). É um novo desafio migrar para uma grande e reconhecida  instituição como a Unisinos e com um programa de excelência pela CAPES. Sem contar o fato de que estarei mais próxima da família e dos meus melhores amigos.

Por outro lado, gostaria de também de ressaltar o carinho e o aprendizado que pude compartilhar com colegas e alunos durante esses quase cinco anos na UTP e um ano e meio na Facinter. Vou lembrar muitas memórias do tempo que passei aqui, boas, ruins, tristes, divertidas, mas foram experiências ricas que quem sabe um dia não sejam dissecadas em algum material de ficção. Gostaria então de deixar um abraço especial :

  • aos colegas de PPG e, mais do que isso, amigos Claudia Quadros, Kati Caetano e Alvaro Larangeira;
  • ao Fabio Feltrin e a Ana Paula Rosa , coordenadores dos cursos de graduação em comunicação da UTP e que além de serem competentes no gerenciamento são pessoas de fácil convívio e por demais simpáticos;
  • à colega e amiga Cris S. e nossos encontros vespertinos com chás e outros quitutes e discussões sobre literatura que muito me enriqueceram;
  • aos meus ex-orientandos (de graduação e de mestrado) a quem tenho acompanhado o sucesso em projetos, aulas, empregos, congressos, pesquisas, publicações. Renata, Geórgia, Giovana, Helcio, Neliffer, Michelle, Gisele, Aleteia, Leticia, Lucina,  Lorena, Mayara, Diego, Rafael, Marcelo, Danilo, Tatiana, Thyenne, Yara, aprendi muito com todos ;
  • a todos os meus alunos e alguns dos quais se tornaram jovens padawans mesmo não tendo sido meus orientandos: Jack, Adrianne, Carusa, Josiany, Guilherme, Bianca, Alessandra entre outros;
  • aos ex-colegas animadíssimos que estão dando gás e trabalhando muito para o reconhecimento do curso de comunicação da Facinter;
  • a dois grandes amigos que fiz por aqui: Raul Aguilera – sentirei saudades de nossas discussões sobre subgêneros de música, tecnologia, festas, livros, informação, filmes e de nossas idas ao cinema e festeenhas. A Giovana Zaltron que além de amiga, divertida e reflexiva ao mesmo tempo se mostrou uma excelente vizinha;
  • ao pessoal da “cena eletrônica” e aos “trevosos” em geral;
  • e claro, aos desafetos que com certeza estão felizes em não precisar mais me ver e com isso contribuem para uma partida sem traumas. Afinal, como diz Michael Corleone em “O poderoso chefão 3”: “não odeie seus inimigos, afeta o discernimento”

Perdoem se esqueci de alguém na contagem, afinal, todos os que cruzaram o meu caminho em algum momento  aqui na capital paranaense, de certa forma fazem parte dessa narrativa pessoal. Até dezembro permaneço fazendo algumas visitas esporádicas por conta de alguns compromissos (palestras, curso, consultoria) que estão em andamento, portanto não vou evaporar daqui por completo. Em breve eu aviso sobre os eventos.