Exposição Multimídia INSERT COIN no Paço da Liberdade em Curitiba

Para quem estiver em Curitiba e curte arte e tecnologia, vale a pena conferir a exposição multimídia Insert Coin, no Paço da Liberdade, do qual participam Fabricio Castro (DJ Gorpo) e Iuri Kato. Abaixo o release:

Blips e blops de 8-bits, soprar o cartucho para fazer funcionar, floppy-disks de 1.44 MB, prompts de comando, modem de 28800 Bps, fichas de fliperama, uma frase piscando na tela do arcade enquanto uma demonstração do jogo passa continuamente: INSERT COIN.

A exposição se faz do resultado das pesquisas da Oficina de Produção de Audio Experimental realizada no NULIB (Núcleo de Arte e Tecnologia do Paço da Liberdade) durante o segundo semestre de 2010. Fabrício Castro(Gorpo) e Iuri Kato apresentam uma exposição audiovisual pautada na estética low-tech dos videogames 8-bits e da informática do século XX. Estas tecnologias, apesar de recentes, já estão suficientemente defasadas comparadas às atuais, porém, de maneira alguma, descartáveis de valor. INSERT COIN explora um passado tecnológico e questiona o que ele tem a oferecer enquanto experiência estética híbrida entre som e imagem em pleno século XXI. Onde tal passado se enquadra em um mundo no qual o que agora é high-tech logo torna-se low-tech?

De 111 à 203

Paço da Liberdade Sesc Paraná
Praça Generoso Marques, 189
Centro – Curitiba, PR
41 3234 4200
www.sescpr.com.br

Invisibilidades III – Alguns comentários

Conforme prometido meu resumo e breves comentários sobre o Invisibilidades III evento que ocorreu dias 21 e 22 de agosto no Itaú Cultural em São Paulo e reuniu pesquisadores, escritores, artistas, músicos, críticos, jornalistas em torno da temática da ficção-científica sob curadoria do Dom Corleone da sci-fi brazuca, Fábio Fernandes.

Sábado 21/8 – Mesa Fora do Eixo – a Produção de Ficção e Crítica Literária no Brasil que Você não Conhece com Alice Feldens, Arnaldo Mont’Alvão e Quelciane Marucci
mediação Edgar Nolasco

A mesa apresentou os resultados das pesquisas do núcleo de estudos em ficção contemporânea da UFMS e as dissertações em andamento ou defendidas sobre a crítica da FC brasileira. Destaque para a empolgante apresentação de Edgar Nolasco que falou sobre como abrir caminhos desviantes na pesquisa normalmente canônica da teoria literária e apontou a rede por ele iniciada com as orientações de FC e Fantasia.

Mesa 2 Quadrinhos Brasileiros: a Experiência no Exterior
com Daniel Pellizzari e Rafael Grampá
mediação Octavio Aragão

A segunda mesa do dia apresentou a dupla Pelizzari e Grampá que está produzindo a graphic novel Furry Water. Foi um bate-papo muito bem conduzido pela mediação de Octavio Aragão. Pelizzari enfatizou as diferenças entre roteiros de quadrinhos e escrita literária e alguns outros pontos com muito bom humor.

Palestra e apresentação com o artista Walmor Corrêa

Excelente apresentação de Walmor que apresentou seu trabalho irretocável de estranhamento borrando as fronteiras discursivas entre ciência e arte na criação de seres fantásticos, em especial a série sobre lendas e mitologias da tradição brasileira.

Domingo Mesa Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim
com Adriana Amaral e Cristiane Busato Smith
mediação Fábio Fernandes

Cris apresentou sua análise sobre elementos de Ficção Científica em Império do Sol de JG Ballard, apontando as questões de gênero entre novel e romance e as indefinições entre FC e autobiografia nessa obra a partir do conceito de Inner Space. Eu apresentei algumas hipóteses acerca da adoção do subgênero steampunk por uma geração mais nova e de como essa subcultura está calcada na questão da performance – a partir dos conceitos de engajamento do corpo de Paul Zumthor – em sua recepção. Pena que falamos tanto que acabamos sem tempo para as perguntas.

Abaixo, os dois materiais que apresentei. Primeiro o vídeo sobre a exposição steampunk no Museu de Oxford e depois meu ppt com os apontamentos.

Mesa 2 New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário
com Alexandre Mandarino, Nelson de Oliveira e Richard Diegues
mediação Jacques Barcia

A mesa começou com o esforço hercúleo de Jacques para resumir a questão do surgimento do subgênero New Weird dentro da fantasia, apontando a ruptura nas temáticas escapistas para uma ficção mais política e urbana. Na sequência, Nelson de Oliveira falou do seu trabalho como escritor e Richard Diegues da Tarja editorial falou um pouco sobre o mercado brasileiro. Por fim, Alexandre Mandarino também tratou de seus projetos, entre eles a revista Hypervoid e a tradução para o português de Perdido Street Station de China Mielville.

Para fechar, eu – saindo da zona de conforto de pesquisadora – e o Wandeclayt apresentamos uma pocket performance intitulada “You must unconditionally surrender” com material audiovisual e sonoro inspirado pela FC ou suas temáticas.

No geral o evento foi muito bem pensado, planejado e executado. As mesas e discussões foram de alto nível e o público estava qualificadíssimo e compareceu aos debates. Deu para trocar ideias, conversar, sem coisas fora do tom ou briguinhas de fandom. Acho que isso demonstra a maturidade e o crescimento dessa área no Brasil, além da super-curadoria do Fábio que reuniu diversidade, multiculturalismo e perspectivas distintas dando um sabor todo especial ao evento, que foi bem vanguardista em sua proposta. Por fim, foi ótimo reencontrar os amigos de sempre e conhecer outras pessoas que têm poucas oportunidades de se ver por estarem espalhadas por regiões diferentes do país. Agradeço também a Aline Naomi, o Caue e a Lidia Zuin que apareceram por lá. E que venha o Invisibilidades IV em 2012 antes do fim do mundo!

PS: foi excelente participar de uma mesa com a Cris Smith. Finalmente depois de termos sido colegas por tanto tempo agora que não somos mais conseguimos, yeah!

PS2: Aguardo as fotos do evento para postá-las

PS3: Bazinga!

“Oo-ooh i got a rocket”

E o álbum mais recente do Goldfrapp, Head First não sai tão cedo do meu mp3player: ouço em casa, trabalho, ouço na academia é uma de-lí-cia! Doses cavalares de synth, Georgio Moroder, Olivia Newton John, italo-disco e glam rock, entre outras influências. Essa é a receita do duo britânico formado por Alison Goldfrap (diva!) e Will Gregory. O que é essa estética fluorescente oitentista e as coreôs – reparem os collants (bodys) super stylish – nesse vídeo de Rocket ? Mais uma vez o clipe está muito legal num clima sci-fi num planeta distante setentista psicodélico.

Em breve (assim que terminar um artigo e um capítulo),  vou escrever uma resenha sobre esse álbum para a versão impressa do Overclockzine. Por hora, uma boa quarta-feira a todos!

starting something, thought it could be fun
i started something, couldn’t go wrong

danger, heartache, i’d always knew
there’s no winner, in this game you lose

but i still wanna know how she got in the door uninvited

oo-ooh i got a rocket
oo-ooh you’re going on it
oo-ooh you’re never coming back