CfP: Ghost-Movies in Southeast Asia and beyond

Achei bem interessante a chamada de trabalhos abaixo para um evento sobre filmes de horror asiáticos com temáticas relacionadas a fantasmas. Recebi através da lista MediaAnthro. Informações abaixo.

Call for Papers

Ghost-Movies in Southeast Asia and beyond.

Narratives, cultural contexts, audiences

Workshop, Oct 3-6, 2012,

University of Goettingen, Social and Cultural Anthropology

Dynamics of Religion in Southeast Asia network (http://dorisea.de/en
<http://dorisea.de/en> )

Deadline for submission of abstracts: April 30th, 2012

Within the diverse and colorful religious landscape of Southeast Asia ghosts
and spirits play an important role, not only in the pre-modern past but also
in the post-colonial presence. Spirits become visible and audible in shrines
and temples, through trance mediums and by the means of performance, but also
in mass media such as TV-series, blockbuster cinema, cartoons and tabloids.
This holds true for rapidly transforming societies such as Thailand, Taiwan,
Vietnam, Singapore or Indonesia, to mention only few examples.

Whereas a good deal of studies focus on spirit cults and spirit-mediumship,
the realm of consumer culture, of entertainment and the popular is rather
unexplored when it comes to “ghostly matters”. In the late 1990s, right in
the middle of the Asian crisis, ghost-movies became great box-office hits.
J-Horror, a brand name for the most exquisite cinematic thrill by then,
stimulated ghost-movie productions in Korea, Thailand, Taiwan, Hongkong, and
Singapore.

Frenzy, ghastly homicides, terror attacks, communication with unredeemed
(Un)dead, vengeful (female-)ghosts and their terrifying grip on the living –
all this is part of popular TV- and film-entertainment. Such films are
world-view mirrors but also enhancers of morals and convictions. They reflect
traumatic events of the past, but can also be used as instruments of social
criticism, ironic or moral comments, or as validation of magical machinations
behind a mundane surface.

However, the audience of the extremely popular ghost-genre is largely
unknown.

The workshop aims at film-reception research and the comparative analysis of
ghost-discourses in the realm of popular culture of various Southeast Asian
countries and beyond. Methodological problems involved should be taken as
special challenges in this workshop.

What are the sources on which such film narratives are based (myths, urban
legends, stage drama, social drama, literary fiction, crime)? What kind of
people (age, gender, class, education) become horror-movie fans? Why do
people like to be scared (and pay for this experience)? Are ghost-movie
morals perceived as conservative or anarchistic, or do they back middle-class
values? In what ways is scary entertainment related to worldviews, politics,
aspirations and religious convictions of the (middle-class) audience? Do
“tele-visions of the otherworldly” promote forms of imaginations that
undermine (or stabilize) the dominant knowledge formations? How about
violence and terror in such movies? What about irony and overt critique as
stylistic devices of the ghost-film genre? Are the products of the film
industry sources of re-enchantment, or do they simply produce forms of “banal
religion”, or do we need different analytical categories, beyond the
enchantment-disenchantment metaphor?

Deadline for submission of abstracts: April 30th, 2012. Please submit an
abstract of not more than 300 words to pbraeun@uni-goettingen.de.

Peter J. Braeunlein

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Goettingen University
DORISEA – Dynamics of Religion in Southeast Asia
Deptm of Social and Cultural Anthropology
Berliner Str. 28
D-37073 Goettingen
Germany
www.dorisea.de/en/node/540

O Pacto – Joe Hill

O Pacto, que no original em inglês se chama Horns – um título que entrega bem menos o jogo do que o escolhido para a língua portugesa – é o terceiro livro de Joe Hill e saiu em 2010 pela editora Sextante. Li os dois livros anteriores dele, o romance A estrada da Noite e a coletânea de contos Fantasmas do Século XX. Gostei de ambos, mas achei que O Pacto é um livro  melhor resolvido, tanto por uma inspiração mais fantástica do que para o horror em si quanto para o grande caldeirão de citações à música pop (confesso que reconheci todas as referências dele que usou e abusou dos anos 80). Nesse terceiro livro também deu para sentir uma espécie de homenagem ao pai de JH, Stephen King, em especial de textos como Stand by me (Conta Comigo)/ Apt Pupil (O Pupilo) que tratam da pré-adolescência e das consequências da mesma para a vida adulta. Mas apesar das comparações Joe Hill tem um estilo próprio e está muito mais solto nesse terceiro livro contando a história de como em uma certa manhã Ignatius Perry acorda de um porre transformado em uma espécie de demônio. Ig é um cara que mora em uma cidadezinha da Nova Inglaterra cuja namorada foi morta violentamente e estuprada há cerca de um ano. Embora inocentado pelo crime, do qual foi injustamente suspeito, Ig se tornou uma espécie de looser, ainda mais considerando a fama e o sucesso do seu irmão mais velho, Terry, trompetista e apresentador de um talkshow na TV; e do até então melhor amigo, Lee Tourneau, assessor de um deputado republicano. Ao ganhar os chifres demoníacos (sem intenção de trocadilhos com o sentido de chifre no Brasil) os habitantes da pequena Gideão passam a revelar a Ig seus pecados e maldades. A partir daí, a narrativa se alterna entre o presente (com Ig vivenciando seu dia como diabo) e em flashbacks do passado dos personagens envolvidos no segredo que ronda a morte de Merrin Williams, a namorada assassinada. O interessante é que ainda na primeira parte do livro já sabemos quem é o responsável pelo crime, mas mesmo assim o suspense se mantém muito mais no como e no por quê, fazendo com que se devore o livro com bastante rapidez. [Atenção Spoilers] Em meio às referências musicais e às cenas de suspense e horror, O Pacto é um livro bucólico e até por que não dizer romântico no qual rapaz conhece garota acaba ganhando uma versão ora brutal e fantástica, ora irônica. Uma boa leitura para as férias.

A mão do Diabo – Dean Vincent Carter

A mao do diaboA mão do diabo, primeiro romance de Dean Vincent Carter foi uma agradável surpresa para mim, que andava bem descrente do gênero terror (embora a Livraria Cultura tenha catalogado o livro como Infanto Juvenil). O livro foi lançado em 2006 mas só em 2010 ganhou uma tradução no Brasil pela editora Bertrand Brasil. Entre o suspense, a aventura e o horror, a narrativa se equilibra muito bem entre a mistura de lendas urbanas e entomologia a que o autor se propõe. O livro conta a aventura do jornalista inglês Ashley Reeves que vê na  carta do (até então desconhecido) Reginald C. Mather uma chance para conseguir uma pauta quente para a revista de divulgação científica na qual trabalha. Mather afirma ter consigo “O vermelho do Ganges”, exemplar raro de mosquito gigante e atrai Reeves para sua residência na soturna ilha de Aries a fim de dar uma entrevista sobre o assunto. Ao chegar na localidade, Reeves começa a perceber que coisas tão ou mais estranhas quanto os poderes da “Dama”(como Mathes faz questão de chamar o mosquito) acontecem na ilha. Confesso que li o livro em menos de um dia porque a curiosidade sobre o que iria acontecer no embate psicológico entre Reeves, Mathes a Dama e outros personagens que participam da narrativa era enorme. Ponto positivo para Carter que injetou sangue novo – com o perdão do clichê e do trocadilho infame em se tratando de um mosquito – em um gênero que muitas vezes se repete demais.[Atenção, SPOILERS] Achei a circularidade e viralidade da lenda, acrescida dos crimes praticados pelo psicopata uma boa solução para a narrativa. Claro tem todo um tom de referência um tanto  “A ilha do Dr. Moreau” mas o livro cumpre o que promete e causa um incômodo quase contínuo no leitor, seja pelas boas (e nojentas) descrições, seja pela sensação de medo que vai tomando conta de Reeves, que conta a estória a posteriori em primeira pessoa. Gostei bastante do estilo despojado mas incisivo do autor que após A mão do diabo (The hand of the Devil) já lançou mais dois livros: The Haunting Season e Bloodwater.

Everybody has a poison and hellbound heart

Pausa no meio de uma longa madrugada de trabalho em que faço a revisão de um capítulo cujo deadline pessoal está quase em extinção de tão jurássico. Assim aprendo e/ou confirmo algumas coisas importantes tais como: 1) o número de pareceres que surgem no meu email para serem feitos no final de semana se reproduzem mais do que coelhos; 2) alterações sugeridas em um texto que ficou tanto tempo na gaveta são mais difíceis de serem efetuadas e causam mais desgaste do que fazer um texto novo e 3) descobri que o musical Hedwig and the Angry Inch, um dos meus favoritos de todos os tempos, acaba de ser remontado no Brasil com Paulinho Vilhena e Evandro Mesquisa nos papéis principais além de traduções das letras para o português. Como assim Bial? rs Vou ali vomitar num cantinho e já volto.

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De qualquer forma já houve um tempo em que noites de sexta eram bem mais vibrantes do que revisar um  artigo (é #fato eu gosto muito de escrever, mas revisar é doloroso). Mas é também verdade que mesmo que eu pudesse ou quisesse – o que não é possível por conta de doença familiar e prazos apertadíssimos – as coisas andam mais paradas do que não sei o quê na capital do “orgulho farroupilha”. Nessas horas eu sempre recorri a um pouco de vinho e literatura para melhorar o astral. Dessa vez é diferente, nem com isso posso contar porque meus livros ainda não chegaram de CWB. Minha mudança será efetuada mesmo apenas quando encontrar um apartamento (ainda estou à procura, a falta de tempo para olhar está sendo um complicador). Por hora permaneço de filha visitante na casa da minha mãe e penso que o cenobita Pinhead tem razão. Devo me manter calma: “No tears, please. It’s a waste of good suffering.”

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E, por falar em filmes/livros/canções e na citação ai de cima, curtiram meu título-mashup de Ramones + Clive Barker?

Hoje lembrei que nos anos 90 cheguei a pensar em fazer minha monografia sobre a obra do grande mestre Clive Barker (lembrei disso por conta de um post do @falc4o). Fantasia,  splatterpunk e weirdness sempre caracterizaram a obra dele. As dicotomias filosófico-existencias dos personagens  tanto nos Livros de Sangue quanto romances que debatem conceitos como horror-naturezan tipo Sacramento merecem mais atenção.

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Para fechar, um pouco do imaginário barkeriano:

“I want to be remembered as an imaginer, someone who used his imagination as a way to journey beyond the limits of self, beyond the limits of flesh and blood, beyond the limits of even perhaps life itself, in order to discover some sense of order in what appears to be a disordered universe. I’m using my imagination to find meaning, both for myself and, I hope, for my readers.” Clive Barker