Chamada para a Revista Contracampo. Dossiê Sociabilidades em Redes

Está aberta a chamada para artigos da edição de número 24 da Contracampo – Revista do Programa de Pós-graduação em Comunicação/UFF. A edição reunirá, na seção Ensaios Temáticos, contribuições que reflitam em torno do tema Sociabilidades em redes. A noção de sociabilidade se refere a modos de interação, diálogo e interlocução entre sujeitos e grupos, conduzindo à ideia de que tais interações conformam identidades culturais e subjetividades. O foco da seção será refletir de que modo tais práticas se reconfiguram na contemporaneidade, atravessada pela centralidade da cultura midiatica e, mais especificamente pela era digital. Aceitaremos também submissões de Artigos de Temáticas Diversas ampliando com isso a circulação das investigações pertinentes ao campo da comunicação.

Prazo final de submissão de textos: 15 de março de 2012

 Toda a submissão deve ser feita através do site http://www.uff.br/contracampo/. Qualquer dúvida, entrar em contato através do email contracampo.uff@gmail.com
Marco Roxo e Mariana Baltar – editores, em nome da Equipe Editorial.

http://www.uff.br/contracampo/

Experiências em mídias e estudos de gênero

Hoje, dia 23, às 19h30, acontecerá o painel “Experiências em mídias e estudos de gênero”  no Auditório Erico Veríssimo, no campus São Leopoldo da UNISINOS. O evento, organizado pelos professores do PPG em Ciências da Comunicação, Adriana Amaral, Denise Cogo e Ronaldo Henn, será dividido em duas partes: “Representações Femininas e as mídias” e “Questões LGBT nas mídias”.

A primeira mesa conta com a presença da mestranda Márcia Bernardes, que abordará a questão dos “Usos da internet por jovens em uma instituição socioeducativa“, e mestranda Lívia Fonseca, que falará da “Identidade e representação das personagens femininas nos videogames e a recepção das jogadoras”. Já na segunda mesa estará o mestrando Rafael Krambeck, que falará sobre “Cyberqueer e a representação da identidade LGBT no blog Katylene”, e o professor Ronaldo Henn, que tratará sobre “Homofobia como acontecimento nas Redes Sociais”. O evento será aberto a estudantes de graduação e pós-graduação, professores e profissionais.

Por uns bytes de memória

Achei muito bacana essa tirinha do quadrinista Gus Morais publicada no Gizmodo Brasil resgatando algumas práticas do início da internet. Achei que o “imaginário afetivo coletivo” de uma internet mais ingênua foi uma análise interessante e certeira e que é justamente por isso que continuo pesquisando nessa área. Sem querer ser nostálgica, mas é legal olhar para trás e perceber as diferenças da internet dos anos 90 e a internet de agora. Vale o registro. Obrigada Lorena Lenara pela dica 🙂

Fandom: a gift culture

A partir desse mês, o blog conta com algumas colaborações especiais sempre que houver demanda. E já começamos em alto nível com uma temática central nas pesquisas que tenho desenvolvido: a cultura dos fãs. Minha orientanda de Mestrado, Camila Monteiro (jovem pesquisadora que desenvolveu Iniciação Científica e o seu TCC na UCPel sobre cyberfandoms) , @camisfm, esteve presente na discussão sobre fandoms com Nancy Baym, ocorrida no dia 18 de maio no Oi Futuro, Rio de Janeiro. Confiram ai:

Vamos falar de coisa boa? Vamos falar da abertura do OiCabeça que aconteceu na última quarta-feira. Nancy Baym, Mauricio Motta e Pedro Carvalho, juntos, discutiram sobre o universo dos fãs. Nancy abordou o possível fim da era dos críticos, e consequente ascensão dos fãs, Maurício focou no valor desses fãs e Pedro contou sua experiência com a cultura pop japonesa.

Mauricio, fã/discípulo de Henry Jenkins – ele escreveu o prefácio de Cultura da Convergência na edição brasileira – começou a discussão abordando o valor do fã. Ele, que trabalha nos Alquimistas, cujo foco é justamente “contar histórias” (storytelling) em plataformas transmidiáticas, ressaltou a importância do que ele chama de “fandom drivers”, incluindo a análise das práticas desses fãs, combinadas com gerenciamento e estudos aprofundados sobre os grupos. A fórmula dos alquimistas seria: histórias + fãs + plataforma + marca.

Para o “alquimista”, qualquer um pode ser fã, mas algumas pessoas tem disposição fanática (alou Adri). Ele ainda lembrou a importância do consumo coletivo, da criação de comunidades e aproximação entre fãs. Esses fãs utilizam a cultura popular para criar uma identidade, construir sua individualidade.

Por fim, Maurício frisou que ser fã não é consumir individualmente, ou seja, não basta consumir, temos que dividir o pão. Além disso, ele fez uma propaganda básica do livro novo do Jenkins com o Burgess – aquele do livro do youtube – que deve ser lançado ainda esse ano, cujo tema será a viralização (spreadability). E também falou do livro de Ana Domb, Tacky and Proud: Brazil’s tecnobrega audiences (fiquei extremamente curiosa para ler esse trabalho).

Finalizada a explanação de Mota, que contou com uma série de slides diferentes e a apresentação de um vídeo mashup de Tropa de Elite combinado com algumas noções/gozações da cultura da convergência, Baym começou sua fala, um tanto envergonhada com os slides “sem graça” que iria apresentar – palavras da própria.

Muito simpática – a cara da Bjork – Nancy abriu a palestra com a pergunta: estaríamos vivendo o fim da era dos críticos e o inicio da ascensão dos fãs?

A autora iniciou a discussão com uma espécie de linha do tempo/esquema sobre como funcionava a disseminação de conteúdo antigamente: os gênios – insira aqui Dickens, exemplo utilizado pela autora – produziam em silêncio, praticamente reclusos; a mídia disseminava esses trabalhos, divulgando para um grande número de pessoas; os críticos falavam aquilo que tínhamos que ver, são ouvidos e olhos para nos guiar e por fim a audiência, tida como solitária, única e exclusivamente consumidora.

Felizmente, isso mudou, e muito nas últimas décadas. Nancy ressalta que a audiência sempre foi social, não somente os fandoms, e que a mídia é que teve dificuldade de enxergar essa dinâmica. Essa interação entre fãs não é nova, sempre existiu, mas só agora está chamando atenção dos grandes conglomerados midiáticos.

Baym no decorrer de toda palestra lembrou que a peça-chave para o entendimento dessa cultura dos fãs é a relação estabelecida entre cada individuo do grupo. Ser fã é se relacionar com o outro, muito mais do que apenas gostar de uma banda, de um seriado ou de um filme. Nancy considera a cultura dos fãs, uma “gift culture”, onde a troca é crucial para a construção de amizades, a base desses grupos.

Assim, ela citou cinco valores dos fãs que traduzem o engajamento desses grupos:

  1. Informação
  2. Troca de bens (troca social)
  3. Emoção
  4. Interpretação
  5. Criatividade

A autora ainda reiterou que sentir as emoções junto com outros fãs é o que realmente importa e comentou sobre um trabalho de campo que fez com uma comunidade de fãs americana de uma banda independente, que combinou de se reunir em um show, com identificações, e que apesar de a banda ter sido o elo do grupo, ficou em segundo plano, pois as amizades haviam se consolidado e o que as fãs mais queriam era se conhecer pessoalmente e trocar informações umas com as outras.

Baym fez questão de salientar a importância da mídia – cada vez mais diversificada – em dar voz a esses grupos, facilitando os processos interacionais. Ela cita a comunicação entre fãs de países diferentes, antes improvável e agora cada vez mais comum, a oportunidade de novos fluxos globais de informação, o contato direto com os famosos, permitindo conversações entre fãs/ídolos, e minando um pouco o lado inatingível dessas pessoas e a infraestrutura oferecida por fóruns, blogs, wikis, que são facilmente modificadas, permitindo que pessoas com pouco conhecimento dessas ferramentas, possam utiliza-las sem maiores problemas.

Finalizando sua fala, Nancy expôs que os fãs acabam se tornando uma espécie de curadores de conteúdo, ameaçando a função dos críticos. No entanto a autora não acredita no fim da era dos críticos profissionais. Ela ressaltou que os meios de comunicação de massa tradicionais como televisão e rádio, continuam atingindo um maior número de pessoas, e sendo importante referência de sucesso –  Burgess, autor que eu falei lá no inicio, do livro do youtube e do Jenkins, fala sobre a importância de ingressar na mídia tradicional. Uma banda por mais independente que seja, só é considerada mundialmente famosa, quando emplaca singles em rádios, videoclipes na tv, capa de revista, tornando-se mainstream.

Enquanto isso, os fãs criam fanfics, fanarts, wikis, mashups de vídeos, e uma série de outros materiais próprios, apropriados, reinventados, reconstruídos, descontruídos, remediados, etc..

Assim, Nancy Baym, extremamente simpática e piadista – enquanto o youtube travava, ela nos entretia – finalizou a apresentação de suas ideias, com três perguntas: a) Como vai ser a relação entre esses grupos de fãs? B) Como combinar os críticos “velhos” com os fãs? C) Como a economia de consumo/market economy vai coexistir com a economia de troca/gift economy? Como proposta inicial para pensar nessas perguntas, a autora acredita que um balanço entre audiência, fãs e críticos deve ser discutido com mais profundidade, mas que isso é só o começo..

Por Camila Monteiro

Oi Cabeça discute o fenômeno do fandom : com Nancy Baym, Mauricio Mota e Pedro Carvalho

Recomendo o evento abaixo. Recomendo sempre o trabalho da Nancy Baym, com quem tive o prazer de compartilhar uma mesa na Aoir de 2009, tratando justamente sobre fandoms e o Last.fm. Aguardem para breve a resenha sobre o novo livro dela que vou dispobilizar por aqui.
No próximo dia 18, quarta, tem início no Oi Futuro do Flamengo (RJ), o Oi Cabeça. Com curadoria de Heloisa Buarque de Holanda e de Cristiane Costa, o evento promove uma série de encontros mensais para se discutir diferentes temas que envolve a literatura e a palavra.

Na noite de abertura, com o tema: O Fim da crítica e o auge dos fãs, está confirmada a presença da pesquisadora americana Nancy Baym, uma das principais especialistas no fênomeno do fandom, que vai do cosplay às fanfictions (pessoas que reconstroem histórias, recortam passagens de livros consagrados e fazem livre adaptação em outros suportes e mídias).
Ex-presidente da Aoir e professora da Universidade do Kansas, Nancy assina o site www.onlinefandom e é autora de “Personal Connections in the Digital Age” e “Tune in, Log on: Soap, Fandom e On-line Community”. Veja todas as suas publicações aqui: http://www.people.ku.edu/~nbaym/research2.html
Os brasileiros presentes são Mauricio Mota, da empresa Os Alquimistas, que descobre e gerencia histórias para marcas e instituições em qualquer plataforma para assim construir relacionamentos com público de interesses e gerar fãs; e o jovem Pedro Carvalho, 23 anos, que há 10 anos vem se especializando em cultura pop japonesa além de ser o criador do evento Rio Anime Club, feira de comportamento jovem e globalizado com público recorde de 40mil expectadores. Ele vai falar sobre a prática do Cosplay na América do Sul e a influência desse público na literatura.

Data: 18/05
Local: Oi Futuro do Flamengo
Horários: 19h30
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo / Rio de Janeiro
Informações: 21. 3131-3060
Entrada: Grátis

Debate e Lançamento do livro Métodos de Pesquisa para Internet em Porto Alegre

Atenção moradores de Porto Alegre e região, convidamos a todos para o debate com as autoras – eu, Suely Fragoso (UFRGS) e Raquel Recuero (UCPEL) – e lançamento do livro Métodos de Pesquisa para Internet, da Editora Sulina em Porto Alegre. Será às 19h30 do dia 05 de abril de 2011 (terça-feira) na livraria FNAC do Barra Shopping Sul. Apareçam!

Entrevista com a Ministra da Cultura

A Isto é Dinheiro entrevistou recentemente a atual Ministra da Cultura Ana de Hollanda que demonstrou mais uma vez seu desconhecimento e falta de visão a respeito da questão dos direitos autorais e do Creative Commons dizendo que “o site do ministério não é blog”  para ter uma licença sem contrato. E a mulher ainda acha que distribuir cultura é dar vale-cultura. Meus sais! Depois dizem que eu implico gratuitamente com cantoras de MPB. Leiam e tirem suas conclusões. Só sei que o Minc retrocedeu muito em termos de cultura digital ao colocá-la nessa pasta.