GP Comunicação, Música e Entretenimento da Intercom já aceita trabalhos para 2012

No ano passado um grupo de pesquisadores que atuam na relação entre a música, a comunicação e o entretenimento começou a discutir a proposição de um novo GP na Intercom que desse conta dessas temáticas devido ao crescimento e à consolidação das mesmas.  Num primeiro momento foi organizada uma mesa temática no Intercom 2011 em Recife e ao findar dessa mesa, coletamos assinaturas que apoiassem o GP. Depois disso, começamos o processo de construção coletiva da ementa e propusemos à diretoria da Intercom.

No início do ano tivemos a aprovação do GP Comunicação, Música e Entretenimento, que será coordenado pelo colega Michael Herschmann (UFRJ). É uma conquista importante para esse campo de estudos e um forum bacana para o debate das pesquisas acerca desses temas.

Agora que já está tudo ok e devidamente registrado no site da Intercom, aproveito para informar que o GP receberá trabalhos para o congresso desse ano, que será realizada em Fortaleza durante os dias 03 a 07 de setembro de 2012. 

Abaixo a ementa do GP, as sessões temáticas e as palavras-chaves que ele abrange, caso alguém tenha dúvidas.

Ementa

Reunir estudos que atuem na interface entre comunicação, música e entretenimento e que privilegiem: a) o compromisso em construir novos instrumentos de análise que possam dar conta do conjunto de temáticas e desafios abordados em geral pelos pesquisadores (ou seja, que priorizem o compromisso com a renovação do arcabouço teórico-metodológico); b) em suas análises tanto os próprios produtos midiáticos, bem como suas instâncias de produção, circulação e consumo seja nos circuitos, cenas ou cadeias produtivas; c) as tensões e articulações entre produtos, rotulações, gêneros e formatos, formas de expressão e recepção, estilos e tendências que se fazem presentes no universo da música e, de modo geral, do entretenimento; d) a avaliação da relevância da audibilidade (condições de emissão e de escuta) e da portabilidade para a conformação da experiência sonora e do entretenimento; e) os aspectos sociopolíticos significativos presentes no universo da música e do entretenimento; f) a problematização da relação entre as novas tecnologias e o condicionamento dos ambientes sonoros e espetaculares; g) em suas análises as articulações e conflitos entre música/entretenimento, identidade e espacialidade; h) a análise das relações entre corpo, moda, música e entretenimento; i) a elaboração de balanços da crescente importância da economia da música e do entretenimento; i) as conformações das cenas culturais em seus aspectos estéticos e mercadológicos.

Seções Temáticas: Dinâmicas da indústria da música e do entretenimento; Articulações e tensões entre comunicação, música e espacialidade; Gêneros, estilos e mediações (re)organizando o mercado da música e do entretenimento; Dinâmica de produção, circulação e consumo musical e do entretenimento; Identidades (e sociabilidades) e experiência sonoras e/ou do entretenimento; Articulações entre corpo, moda, música e entretenimento; Relevância das imagens e sonoridades nas experiências e espetáculos; Comunicação, Cenas Culturais e Tessituras Urbanas.

Palavras-chave: Comunicação, Música e Entretenimento; Comunicação, Espetáculo e Entretenimento; Comunicação, Música e Espacialidade; Produção, Circulação e Consumo do Entretenimento; Novas Tecnologias, Audiovisual e Entretenimento; Economia da Música e do Entretenimento; Corpo, Moda e Música.

Seminário Internacional “Música Independente no contexto pós-crise”

O colega Micael Herschmann (UFRJ) convida a todos para o Seminário Internacional Música Independente no contexto pós-crise que está sendo organizado no Rio de Janeiro em parceria com a UERJ, a Universidade Carlos III de Madri e da Universidade de Birmingham. Durante o evento será lançado o livro Nas bordas ou fora do mainstream musical. Novas tendências da Música Independente no início do século XXI (Editora Estação das Letras e das Cores, São Paulo) coletânea organizada por Micael Herschmann e que reúne diversos pesquisadores que têm se dedicado a essa temática a partir de uma rede de pesquisa. Eu e João Pedro Amaral participamos com um artigo sobre as estratégias de uso das plataformas digitais pelo happy rock gaúcho.

Para quem estiver no RJ na data e se interessa pelo tema, tenho certeza que valerá muito a pena. Abaixo, a programação:

Seminário Internacional “Música Independente no contexto pós-crise”

 Data: 03 e 04 de outubro de 2011

Local: Auditório RAV 102 – Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCS/UERJ)

Rua São Francisco Xavier nº 524 (campus do Maracanã), Pavilhão João Lyra Filho, 10º andar.

 Coordenação geral:

Micael Herschmann (UFRJ)

 Coordenação Adjunta:

Marcelo Kischinhevsky (UERJ)

Leonardo de Marchi (UFRJ/UniFOA)

Cíntia SanMartin Fernandes (UERJ)

 Realização e Apoio:

Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ;

Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ;

Curso de Especialização em Jornalismo Cultural da UERJ;

Departamento de Periodismo y Comunicación Audiovisual da Universidad

Carlos III de Madrid;

Ministerio de Educación/Gobierno de España;

Universidade de Birmingham

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

 Inscrições online (antecipadas), mais informações e contato:

seminariomusicaindependente.wordpress.com

Introdução e Justificativa:

 Os especialistas reunidos neste seminário internacional não se propõem propriamente a discutir o conceito de indie ou o nível de autonomia dos chamados atores independentes em relação à grande indústria. Na realidade, mais do que discutir os limites do mundo indie, eles buscam realizar um breve balanço do impacto das transformações que vêm ocorrendo nos negócios da música nos últimos anos, seja nas bordas ou mesmo fora do mainstream.

Para o desenvolvimento de suas reflexões tomam como referência alguns exemplos expressivos que estiveram ou estão em curso em várias localidades do globo (na Europa, nos EUA, na América Latina e, especialmente, no Brasil). Afinal, transcorrida mais de uma década desde que os atores sociais passaram a conviver com a sensação de que esta indústria cultural estaria vivendo uma crise sem precedentes, é possível constatar que, de fato, o business da música passa mais propriamente por um processo bastante significativo de transição e de reestruturação.

A discussão dos desafios e das perspectivas da música independente no âmbito das indústrias midiáticas reunirá pesquisadores do Brasil, Inglaterra e da Espanha – países onde a reconfiguração da indústria ocorre de modo mais pronunciado –, estabelecendo um diálogo entre academia e atores sociais e buscando alternativas para dinamizar os circuitos culturais mobilizados por estas manifestações artísticas num contexto pós-crise.

Programação:

1º dia – 03 de outubro (2ª feira)

8:00 – 9:00 horas – Credenciamento

9:00 – 10:00 horas – Mesa de abertura

Alessandra Aldé (UERJ)

Luis A. Albornoz (UC3M)

João Pedro Dias Vieira (UERJ)

Micael Herschmann (UFRJ)

10:00 – 12:00 horas – Conferência I

Samuel Araújo (UFRJ) – Música, política e sociedade em movimento: desafios e potenciais da crise global

12:00 – 14:00 horas – Almoço

14:00 – 17:00 horas – Mesa 1 – Nas bordas e fora do mainstream

Moderador: Marcio Gonçalves (UERJ)

Santuza Cambraia Naves (PUC-RJ) – O alternativo no mainstream: a tropicália entre Smetak e Muzak

Julio Diniz (PUC-RJ) – Nomadismo e trânsito na produção cultural contemporânea

Olívia Bandeira de Melo e Oona Castro (Overmundo) – Apropriação de tecnologias e produção cultural: inovações em cenas musicais da Região Norte

Luís A. Albornoz (UC3M) – Apontamentos sobre a trama empresarial espanhola independente

17:00 – 17:30 horas – Coffe break

17:30 – 20:00 horas – Mesa 2 – Música em rede: ampliando a visibilidade e protagonismo?

Moderador: Marildo Nercolini (UFF)

Leo Morel (autor do livro Música e Tecnologia)

Abel do Cavaco (Grupo musical Antigamente)

Daniel Domingues (Coletivo Ponte Plural/Circuito Fora do Eixo)

Jefferson Andrade Silva (Grupo musical Passarela 10)

2º dia – 04 de outubro (3ª feira)

9:00 – 10:00 horas – Conferência II

Andrew Dubber (Universidade de Birmingham) – Música como Cultura na Era Digital.

10:00 – 13:00 horas – Mesa 3 – (Re)intermediação dos negócios da música

Moderador: José Ferrão (UERJ)

Leonardo de Marchi (UFRJ) – Discutindo o papel da produção independente brasileira no mercado fonográfico em rede

Juan Ignácio Gallego (UC3M) – Novas formas de prescrição musical

José Ángel Esteban (UC3M) – Música independente espanhola nas rádios

Marcelo Kischinhevsky (UERJ) – Rádio e musica independente no Brasil

13:00 – 14:30 horas – Almoço

14:30 – 17:30 horas – Mesa 4 – Revisitando a dinâmica de circuitos e cenas

Moderadora: Liv Sovik (UFRJ)

Cíntia SanMartin Fernandes (UERJ) – Musicabilidade no Rio de Janeiro: o samba e choro nas ruas-galerias do Centro

Simone Pereira de Sá (UFF) – Aspectos da economia musical popular no Brasil: o circuito do funk carioca

Felipe Trotta (UFPE) – “Tradicional é na capital”: a circulação do forró pé de serra no Recife

Micael Herschmann (UFRJ) – Ruas que cantam: ativismo seresteiro e desenvolvimento local em Conservatória

17:30 – 18:00 horas – Coffe break

18:00 – 20:30 horas – Mesa 5 – Novos business da música

Moderador: Eduardo Granja Coutinho (UFRJ)

Felippe Llerena (Imusica)

Paulo Monte (Bolacha Discos)

Adilson Pereira (Coordenador do Circo Voador)

Daniel Koslinski (Grupo Matriz)

Carlos Mils (Vice-Presidente da ABMI)

Bruno Levinson (Oi FM)

20:30 – 21:30 horas – Coquetel e lançamento da coletânea Nas bordas ou fora do mainstream musical. Novas tendências da Música Independente no início do século XXI (Editora Estação das Letras e das Cores). Local: Auditório do RAV, no Campus da UERJ.

22:00 horas – Festa de confraternização no Teatro Odisséia (Rua Mem de Sá 66, Lapa)

Convocatória – X Congresso da IASPM – Seção Latino-Americana

X Congresso da Associação Internacional para o Estudo da Música Popular – Seção Latino-Americana
18 a 24 de abril de 2012
Córdoba, Argentina
A Seção Latino-Americana da IASPM e a Universidade Nacional de Córdoba têm o prazer de anunciar o X Congresso da Associação Internacional para o Estudo da Música Popular, Seção Latino-Americana, que se realizará entre os dias 18 e 24 de abril de 2012 na cidade de Córdoba, Argentina. O tema da convocação nesta oportunidade é Enfoques interdisciplinares sobre músicas populares na América Latina: retrospectivas, perspectivas, críticas e propostas. Desde a constituição da Internacional Association for the Study of Popular Music no ano de 1981, a interdisciplinaridade foi instituida como uma das características distintivas dos estudos da música popular.
Tal noção de interdisciplinaridade emerge como uma necessidade metodológica na constituição do objeto de estudo. As perspectivas dominantes até então, que compartimentalizavam a abordagem do fenômeno da música popular, descartavam as interações entre texto e contexto do fenômeno que diziam estudar. Ao mesmo tempo, em outras áreas de estudo – como a linguística – a interdisciplinaridade se impunha como o caminho a seguir. Desde então, e seguindo a corrente neste sentido que se estendia a outras áreas do conhecimento, a ideia da interdisciplinaridade para a abordagem da música popular parecia estar fora de dúvida. Trinta anos depois, parece necessário colocar questões como:
A interdisciplinaridade é indispensável/inerente ao mesmo objeto de estudo? Neste sentido, é qualitativa ou quantitativamente diferente da música erudita, objeto tradicional da musicología histórica?
Até que ponto é possível ao estudioso da música popular abarcar as outras disciplinas (literárias, filosóficas, sociológicas, antropológicas etc.) sem reduzí-las a esquemas simplificadores? Que limites tem (se é que existem) um analfabeto musical (no sentido literal: incapaz de ler ou escrever música) para estudar este objeto?
É suficiente adotar/adaptar teorías e metodologías de outros campos para estudar de maneira interdisciplinar a música popular? Ou, ao contrario, é possível algum tipo de teorização específica sobre nosso objeto de estudo?
Já que o principal (único?) objetivo do estudo interdisciplinar da música é o esclarecimento da mediação entre o sonoro e o sociocultural, é a interdisciplinaridade o caminho único/privilegiado para investigá-la? Que conquistas podemos valorizar neste sentido?
Como se aplica a problemática anterior às especificidades da América Latina e de suas diversas regiões e realidades? A reflexão sobre estes e outros problemas afins pode manifestar-se tanto por meio de trabalhos teóricos como mediante estudos pontuais de fenômenos delimitados que os iluminem. Convidamos os interesados a debater estes temas no X Congresso da Associação Internacional para o Estudo da Música Popular, Seção Latino- Americana.
ORGANIZAÇÃO
Os comitês acadêmico e organizador propõem a realização de Conferências Plenárias, Simpósios e Mesas de Comunicações. As Conferências Plenárias e as Mesas de Comunicações serão organizadas pelo Comitê Acadêmico.
Simpósios
Estão convidados os sócios ativos da IASPM-AL para apresentação de propostas de simpósios para sua inclusão no programa do X Congresso da Associação Internacional para o Estudo da Música Popular, Seção Latino-Americana. Com a finalidade de fortalecer os vínculos entre pesquisadores de diferentes regiões, os simpósios devem contar com, pelo menos, dois coordenadores que pertençam a diferentes países. As propostas serão avaliadas pelo Comitê de Leitura e pelo Comitê Acadêmico que, com prévia consulta aos coordenadores, poderão recomendar agrupamentos por afinidade temática.
Requisitos para a apresentação:
Título do Simpósio, justificativa do tema (entre 500 e 600 palavras). Sobrenome e nome, instituições a que pertencem e endereços (postal e eletrônico) dos coordenadores propostos. Enviar um documento .odt ou .doc por correio eletrônico a: iaspm.cordoba2012@gmail.com. O nome do arquivo deve ter o formato “SOBRENOME DO AUTOR-simposio” (exemplos:
BUARQUE-simposio.odt; PAEZ-simposio.doc)
Comunicações
Estão previstos dois tipos de comunicação: “comunicações em simpósio” e “comunicações livres”. Serão recebidos resumos entre 500 e 600 palavras em espanhol ou português contendo: título, sobrenome e nome do/s autor/es, vínculo institucional e endereço (postal e eletrônico). No caso de propostas para comunicações em simpósios, incluir o simpósio ao qual se apresenta.
CRONOGRAMA
Apresentação de propostas de simpósios: até 12/08/2011
Comunicação de simpósios aceitos: 10/09/2011
Apresentação de resumos
◦ comunicações livres: até 23/10/2011
◦ comunicações em simpósios: entre 23/09/2011 e 23/10/2011
Comunicação de aceite de resumos enviados: 28/11/2011
COMISSÃO DIRETORA IASPM-AL
Presidenta: Marita Fornaro
Vice-Presidente: Felipe Trotta
Secretário: Julio Mendívil
Editor: Christian Spencer Espinosa
Tesoureira: Mercedes Liska
COMITÊ ACADÊMICO
Claudio Díaz
Marita Fornaro
Julio Mendívil
Federico Sammartino
Leonardo Waisman
COMITÊ DE LEITURA
Pablo Alabarces
Liliana González
Adalberto Paranhos (presidente)
Illa Carrillo Rodriguez
Christian Spencer
Felipe Trotta
COMITÊ ORGANIZADOR
Silvina Argüello
Lucio Carnicer
Claudio Díaz
Marisa Restiffo
Federico Sammartino
Leonardo Waisman

 

Intercom 2011: um pouco do que eu vi

Após o Musicom, participei da Intercom 2011 na UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco) . O evento estava muito bem organizado e tudo fluiu de forma excelente. Exceto o trânsito de Recife, mas isso é outra história. Participei em 3 momentos diferentes.

Primeiro na mesa de abertura do GP Cibercultura, apresentando o trabalho que fiz com a Sandra Montardo (FEEVALE) intitulado Pesquisa em Cibercultura: análise da produção científica brasileira na Intercom. Esse artigo foi aceito pela revista Logos (da UERJ) e deve ser publicado em breve. Além disso, é parte de uma pesquisa maior sobre a história e o estado da arte da comunicação no Brasil – eu e Sandra cuidamos da parte de cibercultura – que está sendo realizada pela professora Marialva Barbosa (UTP/Intercom). Os debates gerados pelas categorias e eixos temáticos foram muito instigantes além do projeto de um e-book sobre os 10 anos do GP. Mais detalhes sobre esse projeto na seqüência. Nessa mesma mesa também estavam Edilson Cazeloto(UNIP) que apresentou o artigo Elementos para a análise do Imaginário na Cibercultura; Vinicius Pereira (UERJ/ESPM-RJ) com Efeitos Materiais dos Meios, Pesquisas Neuromidiáticas e Dinâmicas Contemporâneas de Comunicação em uma bela apresentação – destaque para a análise do Pokemon – e Renata de Rezende Ribeiro(UFES) com “Narrar e ser narrado”: a morte e os usos narrativos nas redes sociais.

Minha segunda participação aconteceu na Mesa sobre Perspectivas para o Estudo de Música e Comunicação organizada por Micael Herschmann (UFRJ) . Além dele, Simone de Sá (UFF), Felipe Trotta (UFPE) e Jeder Janotti Jr (UFAL/UFPE) também participaram. Acho que foi um excelente momento que demonstra a maturidade dos estudos de música e som dentro da comunicação. Além do panorama geral sobre o campo e dos apontamentos de cada um de nós, encerramos o evento coletando assinaturas para o GP de Música, Comunicação e Entretenimento que, se tudo der certo, começará a funcionar em 2012.

Abaixo o doodle dos 65 anos do Freddy Mercury produzido pela Google e lançado no dia 05/9, um dos meus exemplos sobre visualização de dados sonoros na internet apresentados na mesa de Música e Comunicação.

Por fim, coordenei a sessão temática sobre Interfaces e sensorialidades, criação coletiva e cultura digital trash. Destaque para o trabalho do Fernando Fontanella (UNICAP/UFPE) Bem-vindo à Internets: os subterrâneos da Internet e a cibercultura vernacular que trata das práticas transgressoras e do lado underground da internet (como oas anônimos e trolls).O debate acirrado na segunda parte do GP foi muito bom.

Gostei muito de Recife, Porto de Galinhas, do Instituto Ricardo Brennand e sobretudo das trocas de ideias com os colegas da área de som e de audiovisual. Foi muito enriquecedor profissional e pessoalmente. Ano que vem o Intercom será em Fortaleza 🙂

Algumas observações sobre o III Musicom

Fiquei fora de Porto Alegre durante 8 dias entre São Paulo e Recife, participando de bancas de qualificação de mestrado no PPG da ESPM-SP e de dois congressos: o Musicom e o Intercom. Apesar da correria e da exaustão desse processo imersivo na pesquisa voltei com muitas ideias e insights. A troca entre diferentes pesquisadores é essencial para o avanço de algumas questões. Assim, apesar do atraso, vou fazer algumas considerações sobre os principais temas discutidos nos eventos, começando pelo Musicom.

III MUSICOM – Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular

O encontro aconteceu durante os dias 30 e 31 de agosto e 01 de setembro na Faculdade Boa Viagem e concentrou-se sobretudo em palestras e grupos de trabalho. No primeiro dia, houve uma mesa redonda com Thiago Soares (UFPB) e Felipe Trotta (UFPE). O primeiro, destacado por sua pesquisa sobre videoclipes falou sobre a presença midiática de Lady Gaga nos videos e nas redes sociais e elencou cinco hipóteses para análise da cantora e sua performance. Thiago ahazou ao mostrar a vida poser de Gaga na internet. Já Trotta, apresentou questões de identidade relacionadas ao gênero forró eletrônico mostrando algumas concepções de raça, identidade e sexualidade que compõem o estilo. O primeiro dia de trabalho foi encerrado com a conferência de abertura do evento, feita pela colega Simone de Sá (UFF) sobre Música 2.0, apresentando um panorama de algumas tendências relacionadas à pesquisa em música e tecnologia atualmente.

No segundo dia (quarta-feira) começaram os grupos de trabalho. Assisti ao GT Música e Convergência Tecnológica que tratou sobretudo dos processos em fluxo entre tecnologia de produção e distribuição e música. Destaco os trabalhos de Victor Pires (UFPE) sobre netlabels da cena noise e o do colega Fabricio Silveira (Unisinos) sobre a perfomance midiática em Lotus Flower (vídeo do Radiohead). As palestras no turno da noite já foram mais concentradas em diferentes aspectos históricos da música e da indústria fonográfica brasileira: Gravações de música popular brasileira dos anos 1930 e 1940, gêneros musicais e categorias raciais do prof. Carlos Sandroni (UFPE) e Majors e hegemonia no mercado fonográfico brasileiro, fala de Mariana Barreto (UFMA).

No último dia (quinta, dia 01/9), coordenei a sessão do GT Música e Convergência Tecnológica onde tivemos uma tarde bastante agradável de debates centrados sobretudo nas mídias sociais, plataformas de música online (Last.fm) e discografias virtuais. Eu e João Pedro W. Amaral (UFSM) apresentamos nosso paper sobre as estratégias do subgênero Happy Rock Gaúcho nas mídias sociais. Esse artigo foi publicado na coletânea  Nas bordas e fora do mainstream. Novas tendências da Indústria da Música Independente no início do século XXI, organizada por Micael Herschmann (UFRJ) e editada pela  Estação das Letras e das Cores, de São Paulo, que será lançada no início de outubro. A discussão acabou focada em algo que nem era o central do artigo mas que se desenvolvido pode render muito. Mas afinal o que caracterizaria a estética do rock gaúcho e lhe conferiria um status de gênero próprio? Abaixo, compartilho a apresentação que fizemos do artigo no slide share.

 

Fechando esse último dia, duas palestras. A primeira de Eduardo Vicente (USP) sobre um histórico da indústria fonográfica brasileira e os caminhos da produção atuais e a segunda de Edwin Pitre-Vásquez (UFPR) sobre o caso da “Banda mais bonita da cidade”em suas diversas convergências. Não posso deixar de comentar o encerramento com a música de Mark Davis (também conhecido como Fábio Jr.) Foi um momento muito bem humorado para encerrar o Musicom, que apesar de ainda ser um evento em consolidação mostrou que tem um potencial bem bacana. Minha experiência tem me mostrado que os eventos mais específicos têm rendido mais. A próxima edição do Musicom será em São Paulo, na USP em 2012.