Palestra Monitoramento de Marcas e Conversações em Mídias Sociais

Aproveitando a vinda da publicitária Danila Dourado (@daniladourado) a Porto Alegre, eu e o professor do curso de Relações Públicas da Unisinos, Augusto Parada (@augustoparada) a convidamos para uma palestra sobre Monitoramento de Marcas e Conversações em Mídias Sociais com os alunos da Unisinos na próxima segunda-feira dia 13 de junho às 20h no mini-auditório da Biblioteca da Unisinos em São Leopoldo. Esse tema é emergente nas discussões acadêmicas tanto quanto em suas aplicações no mercado e ela tratará justamente das práticas de monitoramento online como via de conhecimento de percepção dos usuários nas mídias sociais. O evento é gratuito. Abaixo o cartaz com mais informações. #vemgente

Fandom: a gift culture

A partir desse mês, o blog conta com algumas colaborações especiais sempre que houver demanda. E já começamos em alto nível com uma temática central nas pesquisas que tenho desenvolvido: a cultura dos fãs. Minha orientanda de Mestrado, Camila Monteiro (jovem pesquisadora que desenvolveu Iniciação Científica e o seu TCC na UCPel sobre cyberfandoms) , @camisfm, esteve presente na discussão sobre fandoms com Nancy Baym, ocorrida no dia 18 de maio no Oi Futuro, Rio de Janeiro. Confiram ai:

Vamos falar de coisa boa? Vamos falar da abertura do OiCabeça que aconteceu na última quarta-feira. Nancy Baym, Mauricio Motta e Pedro Carvalho, juntos, discutiram sobre o universo dos fãs. Nancy abordou o possível fim da era dos críticos, e consequente ascensão dos fãs, Maurício focou no valor desses fãs e Pedro contou sua experiência com a cultura pop japonesa.

Mauricio, fã/discípulo de Henry Jenkins – ele escreveu o prefácio de Cultura da Convergência na edição brasileira – começou a discussão abordando o valor do fã. Ele, que trabalha nos Alquimistas, cujo foco é justamente “contar histórias” (storytelling) em plataformas transmidiáticas, ressaltou a importância do que ele chama de “fandom drivers”, incluindo a análise das práticas desses fãs, combinadas com gerenciamento e estudos aprofundados sobre os grupos. A fórmula dos alquimistas seria: histórias + fãs + plataforma + marca.

Para o “alquimista”, qualquer um pode ser fã, mas algumas pessoas tem disposição fanática (alou Adri). Ele ainda lembrou a importância do consumo coletivo, da criação de comunidades e aproximação entre fãs. Esses fãs utilizam a cultura popular para criar uma identidade, construir sua individualidade.

Por fim, Maurício frisou que ser fã não é consumir individualmente, ou seja, não basta consumir, temos que dividir o pão. Além disso, ele fez uma propaganda básica do livro novo do Jenkins com o Burgess – aquele do livro do youtube – que deve ser lançado ainda esse ano, cujo tema será a viralização (spreadability). E também falou do livro de Ana Domb, Tacky and Proud: Brazil’s tecnobrega audiences (fiquei extremamente curiosa para ler esse trabalho).

Finalizada a explanação de Mota, que contou com uma série de slides diferentes e a apresentação de um vídeo mashup de Tropa de Elite combinado com algumas noções/gozações da cultura da convergência, Baym começou sua fala, um tanto envergonhada com os slides “sem graça” que iria apresentar – palavras da própria.

Muito simpática – a cara da Bjork – Nancy abriu a palestra com a pergunta: estaríamos vivendo o fim da era dos críticos e o inicio da ascensão dos fãs?

A autora iniciou a discussão com uma espécie de linha do tempo/esquema sobre como funcionava a disseminação de conteúdo antigamente: os gênios – insira aqui Dickens, exemplo utilizado pela autora – produziam em silêncio, praticamente reclusos; a mídia disseminava esses trabalhos, divulgando para um grande número de pessoas; os críticos falavam aquilo que tínhamos que ver, são ouvidos e olhos para nos guiar e por fim a audiência, tida como solitária, única e exclusivamente consumidora.

Felizmente, isso mudou, e muito nas últimas décadas. Nancy ressalta que a audiência sempre foi social, não somente os fandoms, e que a mídia é que teve dificuldade de enxergar essa dinâmica. Essa interação entre fãs não é nova, sempre existiu, mas só agora está chamando atenção dos grandes conglomerados midiáticos.

Baym no decorrer de toda palestra lembrou que a peça-chave para o entendimento dessa cultura dos fãs é a relação estabelecida entre cada individuo do grupo. Ser fã é se relacionar com o outro, muito mais do que apenas gostar de uma banda, de um seriado ou de um filme. Nancy considera a cultura dos fãs, uma “gift culture”, onde a troca é crucial para a construção de amizades, a base desses grupos.

Assim, ela citou cinco valores dos fãs que traduzem o engajamento desses grupos:

  1. Informação
  2. Troca de bens (troca social)
  3. Emoção
  4. Interpretação
  5. Criatividade

A autora ainda reiterou que sentir as emoções junto com outros fãs é o que realmente importa e comentou sobre um trabalho de campo que fez com uma comunidade de fãs americana de uma banda independente, que combinou de se reunir em um show, com identificações, e que apesar de a banda ter sido o elo do grupo, ficou em segundo plano, pois as amizades haviam se consolidado e o que as fãs mais queriam era se conhecer pessoalmente e trocar informações umas com as outras.

Baym fez questão de salientar a importância da mídia – cada vez mais diversificada – em dar voz a esses grupos, facilitando os processos interacionais. Ela cita a comunicação entre fãs de países diferentes, antes improvável e agora cada vez mais comum, a oportunidade de novos fluxos globais de informação, o contato direto com os famosos, permitindo conversações entre fãs/ídolos, e minando um pouco o lado inatingível dessas pessoas e a infraestrutura oferecida por fóruns, blogs, wikis, que são facilmente modificadas, permitindo que pessoas com pouco conhecimento dessas ferramentas, possam utiliza-las sem maiores problemas.

Finalizando sua fala, Nancy expôs que os fãs acabam se tornando uma espécie de curadores de conteúdo, ameaçando a função dos críticos. No entanto a autora não acredita no fim da era dos críticos profissionais. Ela ressaltou que os meios de comunicação de massa tradicionais como televisão e rádio, continuam atingindo um maior número de pessoas, e sendo importante referência de sucesso –  Burgess, autor que eu falei lá no inicio, do livro do youtube e do Jenkins, fala sobre a importância de ingressar na mídia tradicional. Uma banda por mais independente que seja, só é considerada mundialmente famosa, quando emplaca singles em rádios, videoclipes na tv, capa de revista, tornando-se mainstream.

Enquanto isso, os fãs criam fanfics, fanarts, wikis, mashups de vídeos, e uma série de outros materiais próprios, apropriados, reinventados, reconstruídos, descontruídos, remediados, etc..

Assim, Nancy Baym, extremamente simpática e piadista – enquanto o youtube travava, ela nos entretia – finalizou a apresentação de suas ideias, com três perguntas: a) Como vai ser a relação entre esses grupos de fãs? B) Como combinar os críticos “velhos” com os fãs? C) Como a economia de consumo/market economy vai coexistir com a economia de troca/gift economy? Como proposta inicial para pensar nessas perguntas, a autora acredita que um balanço entre audiência, fãs e críticos deve ser discutido com mais profundidade, mas que isso é só o começo..

Por Camila Monteiro

Feriadão

Sexta, após uma maratona de mais de 5h no aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, eis que cheguei finalmente em Curitiba, mas não consegui estar a tempo para a palestra que eu daria no SESC/Paço da Liberdade, mas correu tudo bem e a transferimos para sábado à tarde. Falei sobre imaginário da Ficção Científica mais especificamente sobre o caso do steampunk e algumas discussões estéticas e relações com movimentos artísticos foram suscitados no debate com a audiência. Em tempo, o ambiente art nouveaux do Paço nos fez imaginar um baile “nouveaupunk”.

Mas esse post era para alertar que estou em um recesso bloguístico por conta da crise do meio do semestre que incluiu até mesmo um ataque de dor na clavícula. E, principalmente porque preciso terminar uma série de trabalhos em andamento. Assim que possível retorno com novidades e posts.

Ah, e aproveito para anunciar que no próximo dia 19 de Outubro,as 16h, faço palestra na Semana da Comunicação da Fabico/UFRGS sobre Práticas de Fansourcing.

Por hora era isso, bom feriado a todos.