Sci-fi, técnica e a cultura contemporânea em 3 links e uma canção

Aproveitando meu recesso de final de ano – enquanto organizo minha mudança oficial (finalmente!) de Curitiba para Porto Alegre – separei alguns links para postar aqui no blog sobre sci-fi. E o mais interessante é que todos eles estão muito mais conectados com o presente e até o passado do que com o futuro. Para fechar, uma bela canção em clima sci-fi/new weird de um dos favoritos da casa, o duo nórdico Röyksopp.

#Paper Discursos de lo artificial. Blade Runner como representación social de la técnica. Artigo de Claudio Alfaraz publicado na Revista Enl@ce.

# Entrevista – Na entrevista intitulada The reality of Science Fiction, William Gibson fala sobre seu novo romance “Zero History” e sobre o papel da ficção-científica e dos escritores no contexto da cultura atual. Imperdível!

#Ensaio – Em The Blast Shack,  Bruce Sterling – o mais marketeiro e conectado de toda a geração cyberpunk – traça um paralelo entre Julian Assange e o fenômeno cultural/político do Wikileaks e a cultura criptograda “cypherpunk” do início dos anos 90.

Quase tudo que o Röyksopp produz tem um aspecto estranho/pop que remete a uma atmosfera científico-ficcional. Pelo menos é como eu enxergo o discurso deles enquanto produtores de música eletrônica. Em Vision One, temos um vislumbre do que seriam as máquinas inteligentes falando sobre um mundo sem humanos. Infelizmente não há vídeo oficial dessa música:

Remember when we’d hear the distant sound of human life?
A zillion noises whip our eyes that travel through the sky
And one by one, each little sound, has faded away with time,
Allowing changes that we could not have foreseen

Minha lista sobre cyberpunk no blog de Bruce Sterling

Ao abrir o twitter hoje tive uma grata surpresa. O super master escritor de sci-fi Bruce Sterling publicou, com os devidos créditos, minha lista com os artigos científicos e publicações em língua portuguesa sobre cyberpunk e sci-fi em seu blog Beyond the beyond na Wired. Pior é que não atualizo a lista há horas por pura falta de tempo, mas com essa vou ter que criar vergonha na cara. Ele também publicou a programação do Invisibilidades III que acontecerá no Itaú Cultural nesse fim de semana. O homem tá ligadíssimo no que está rolando por aqui.

Invisibilidades III – Programação

Conforme eu havia comentado em um post anterior, participarei dias 21 e 22 de agosto do Invisibilidades III no Itaú Cultural. Confiram abaixo a programação.

Em agosto, o evento Invisibilidades, promovido bienalmente pelo Itaú Cultural, chega a sua terceira edição e dá continuidade aos debates sobre a produção de ficção científica na literatura e nas artes brasileiras.

São quatro mesas de discussão divididas em dois dias, reunindo diversos artistas, escritores, quadrinistas e pesquisadores que atuam na área. Além disso, a programação conta com apresentações especiais do artista plástico Walmor Corrêa e dos VJs Wandeclayt e Lady A.

Confira a programação completa do Invisibilidades III e participe.

sábado 21

15h30 mesa 1 Fora do Eixo – a Produção de Ficção e Crítica Literária no Brasil que Você não Conhece

com Alice Feldens, Arnaldo Mont’Alvão e Quelciane Mattos – mediação Edgar Nolasco

Os participantes irão discutir a produção de obras de ficção científica fora do eixo Rio-São Paulo, com ênfase para o projeto e-ficciones. Criado pelos professores Edgar Cézar Nolasco e Armando Montalvão, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o e-ficciones visa fomentar a produção literária e crítica de ficção científica.

17h30 mesa 2 Quadrinhos Brasileiros: a Experiência no Exterior

com Daniel Pellizzari e Rafael Grampá – mediação Octavio Aragão

Dois jovens e respeitados artistas brasileiros compartilham suas experiências na área dos quadrinhos. O objetivo é debater as possibilidades de criação de HQs dentro do gênero da ficção científica, no Brasil e no exterior.

Encerramento do dia

19h30 palestra e apresentação com Walmor Corrêa

domingo 22

17h mesa 1 Ficção Científica e Estudos Culturais: Uma História Sem Fim

com Adriana Amaral e Chris Busato Smith

mediação Fábio Fernandes

Uma mesa para discutir Estudos Culturais no universo da ficção científica,lançando ao gênero um olhar mais acadêmico, convidando pesquisadores e jornalistas para um panorama abrangente dos desdobramentos dessa cultura, do fenômeno relativamente recente da subcultura steampunk até a obra do escritor britânico underground J.G.Ballard)

18h30 mesa 2 New Weird Fiction – Um Novo Estranhamento Literário

com Alexandre Mandarino, Nelson de Oliveira e Richard Diegues

mediação Jacques Barcia

Os componentes da mesa opinarão sobre o presente e o futuro deste subgênero da literatura fantástica. Surgido na década de 1990, somente nos últimos dois anos a New Weird Fiction começou a ganhar atenção no Brasil, através de ações táticas de jovens autores, pequenos editores e também escritores premiados, como Nelson de Oliveira.

Encerramento do dia:

20h performance com os VJs Wandeclayt e Lady A – exibição de remixes de clássicos da ficção científica ao som de música eletrônica.

Sobre os participantes

Adriana Amaral é professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS, Universidade do Vale do Rio dos Sinos e pesquisadora do CNPq. Doutora em comunicação social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), escreveu, entre outros, Visões Perigosas: Uma Arque-Genealogia do Cyberpunk.

Alexandre Mandarino é autor de contos de fantasia e fan fiction. Foi jornalista por 15 anos, nas áreas de cultura e tecnologia do Jornal do Brasil, dos sites Conecta e Hypervoid. Traduziu o livro The Invisibles, de Grant Morrison. Mantém, desde 1998, o projeto de música eletrônica Chip Totec.

Alice Feldens é jornalista. Mestre em estudos de linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – onde estudou a ficção científica na literatura brasileira –, participa do Núcleo de Estudos Culturais Comparados (NECC) da UFMS.

Arnaldo Mont’Alvão é mestre em estudos de linguagens pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). É membro do NECC-UFMS, onde coordena o e-ficciones. Publicou, em livros e revistas, artigos sobre a crítica brasileira de ficção científica.

Cristiane Busato Smith é professora de literaturas de língua inglesa na Universidade Tuiuti do Paraná e do mestrado em teoria literária da Uniandrade. Editora da Revista Scripta Alumni, atualmente pesquisa as representações da alteridade na literatura e na pintura.

Daniel Pellizzari é escritor e tradutor. Um dos criadores do selo Livros do Mal, publicou o romance Dedo Negro com Unha. Traduziu os autores David Foster Wallace, William Burroughs, David Mitchell e Hunter S. Thompson. É coautor, com Rafael Grampá, de Furry Water, série de HQs a ser publicada, ainda em 2010, pela Dark Horse Comics.

Edgar Cézar Nolasco é professor nos cursos de graduação e de mestrado da UFMS. Membro do Conselho Editorial da Editora da UFMS e editor-presidente dos Cadernos de Estudos Culturais, coordena o NECC-UFMS.

Fábio Fernandes é professor dos cursos Jogos Digitais e Mídias Digitais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Escreveu A Construção do Imaginário Cyber e Os Dias da Peste. Traduziu, entre outros, Laranja Mecânica e Neuromancer. É o responsável editorial, na América Latina, pela coletânea Best American Fantasy.

Jacques Barcia é jornalista e escritor. Edita a revista digital Kalíopes, voltada para a fantasia pós-moderna, e coedita a revista virtual Terra Incognita, com foco em ficção científica. É coautor do blog Post-Weird Thoughts.

Nelson de Oliveira é escritor. Doutor em letras pela Universidade de São Paulo (USP), coordena o curso de pós-graduação lato sensu Prática de Criação Literária do Espaço Cultural Terracota. É autor de, entre outros, A maldição do Macho, Ódio Sustenido e Naquela Época Tínhamos um Gato, pelo qual recebeu o Prêmio Casa de las Américas.

Octavio Aragão é professor, designer gráfico e ilustrador. Doutor em artes visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor adjunto da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), escreveu o livro A Mão que Cria. Também editou a antologia de contos Intempol e coescreveu Imaginário Brasileiro e Zonas Periféricas.

Quelciane Marucci é pesquisadora de ficção científica, estudos culturais e literatura digital. Mestranda em Teoria Literária e Estudos Comparados em Literatura e Memória Cultural na UFMS, graduou-se em letras pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal.

Rafael Grampá é quadrinista. Ganhador do Eisner Awards 2008 pela HQ 5, da qual é coautor, e de três prêmios HQ MIX, nas categorias Melhor Blog de Artista Gráfico, Melhor Desenhista Nacional e Melhor Edição Especial Nacional, as duas últimas pela graphic novel Mesmo Delivery.

Richard Diegues é escritor e editor. Autor de Magia – Tomo I, Sob a Luz do Abajur, Tempos de AlgóriA e Cyber Brasiliana, é integrante da Tarja Editorial, voltada à literatura fantástica e à ficção científica.

Walmor Corrêa é artista plástico. Possui trabalhos apresentados na XXVI Bienal de São Paulo, no Museu de Belas Artes na Cidade do Cabo (África do Sul) e no Instituto Goethe (Porto Alegre), entre outras exposições. Realiza trabalhos relacionados a arte e ciência, explorando o cruzamento entre texto e imagem, razão e fantasia.

Wandeclayt M. é técnico em aviônica e artista multimídia. Fundou em 1997, em parceria com membros em Nova York e em Madri, a banda eletrônica Aire’n Terre, pioneira no uso da internet como ambiente para composição. Desenvolve trabalhos de videoarte e fotografia, retratando temáticas fetichistas e o imaginário cyberpunk.

Invisibilidades III

sala itaú cultural (247 lugares)

ingresso distribuído com meia hora de antecedência
não recomendado a menores de 12 anos

Itaú Cultural | Avenida Paulista 149 – Paraíso – São Paulo – SP (próximo à estação Brigadeiro do metrô)

informações 11 2168 1777 | atendimento@itaucultural.org.br

The Dose Magazine #03 – Paris

Já comentei há bastante tempo sobre a The Dose Magazine, revista/webzine sobre tecnologia, estilos de vida e  subcultura cyberpunk e electro-industrial sempre centrada em uma cidade, ou seja, “cultura pop alternativa“, como eles se auto-definem no editorial. Agora ela retornou com uma nova edição, a número 3,  cujo dossiê é sobre Paris e o cinema cyberpunk francês. As outras edições, lançadas entre 2006 e 2007,  foram sobre Tóquio e Londres. A dic a foi do kr3st0.blogspot.com. Com essa nova edição que  será vendida por apenas 4 euros, a revista entra em uma outra fase, tendo sido adquirida Wide View Ltd. Vale ler um trecho do que pensam os editores sobre o seu público:

We now live in the future and the future is dense and fast. We’re in the age of procrastination extraordinaire, where our commodities are endless and nothing short of wondrous. Cyberpunk is a nineteen-eighties term and SF authors write their bleak (or for that matter, vivid) visions of the future straight from their RSS feeds. Not that SF was ever about the future, anyway. We’re using the accumulated knowledge of millions and it basically all boils down to one thing: this is the first era when you can really do anything you want. If you can’t do that, you probably don’t know what you want or you don’t persist enough. Which is, you know, all good if you’re comfortable enough with that.

A revista está oferecendo um teaser de leitura que pode ser visualizado abaixo:

E, para fechar uma banda francesa que está na chamada de capa da edição, o Punish Yourself e seu som techno-rock falando de uma estação espacial (“station in the space”), porque #sci-fi e música tem tudo a ver.