“We are one in the unified field”

We are all insane
Counting down every single living day
We are prisoners of fate
I smile at the way everybody accepts the pain

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Meses sem postar ou aparecer por aqui e tanta coisa aconteceu. Posso dizer que é o tempo, que é o desgaste do modelo blog, que é falta de inspiração. É um pouco de tudo isso, e outras coisas que não caberiam aqui e que tampouco interessam. 2013 está sendo um ano muito introspectivo e interessante. A retomada da terapia, levada a sério dessa vez tem operado alguns pequenos momentos de menos sofrimento nessa conturbada cabecinha que vive em vários mundos ao mesmo tempo: uma certa dose de Peter Pan que não quer crescer; a dureza política do Game of Thrones acadêmico; o mundo da música que é efetivamente onde eu vivo; a diversão pop sem preconceitos e o underground das trevas e por ai vai. A multiplicidade de coisas que eu penso, gosto e faço por vezes se embaralha e me deixa atordoada. As vezes acho que não vou sobreviver a essa tormenta de sentimentos, ações e projetos.

Just because I don’t care doesn’t mean I don’t feel
Just because I don’t feel doesn’t mean I don’t understand
We are one in the unified field

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Mas ai respiro, me renovo, ouço uma canção, pinto o cabelo, bebo uma taça de vinho com os amigos mais próximos, danço alucinadamente no meu quarto, sorrio para um estranho na rua e tudo fica um pouquinho mais fácil. Faz tempo que parei de acreditar nas grandes narrativas ideológicas ou nos  arautos da mudança. Com a idade vem um certo cinismo ou déja vu de que tudo aquilo está acontecendo de novo, mas não deixo de me maravilhar com o mundo ao redor e com a diversidade. Me contento em sentir e descrever mais,  compreender menos no sentido racional do termo.

We are not in the dark
Our animal anger is eating our human hearts
How come everything hurts if nothing lasts
I smile at the way everybody lives in the past

O ano já passou da metade e me trouxe, entre outras coisas, uma nova idade que sinceramente estou adorando. Apesar da dificuldade de aceitação no início, creio que a proximidade com os 40 está me deixando ainda mais liberta de certas amarras. Também estou sendo mais eu e fazendo mais o que eu quero e menos o que eu devo, ou o que a sociedade e as pessoas esperam que eu faça. Tenho algumas idéias sobre quem eu não sou e do que não gosto, o que já é alguma coisa comparado a todo futuro de incerteza dos 30. Não posso negar que apesar de todos os meus esforços e hard works (ok, sou uma pessoa very industrious rs vocabulário novo que aprendi recentemente) tenho uma boa dose de sorte, que por algum motivo me faz estar no lugar certo, no momento certo. E é assim que me sinto nesse momento, estou onde preciso estar, quase uma missão, no sentido religioso original – re-ligare!  Tenho essa vocação de hub, de ligar os pontinhos nas redes de pessoas e ainda me divertir trabalhando com isso. Além do aniversário, completei essa semana três anos de volta a Porto Alegre e três anos no meu emprego.  Parece que foi ontem que eu retornei para começar tudo do zero embora com uma mala de experiências. O que vai acontecer daqui por diante? Não me interessa. Penso cada vez menos no passado e no futuro. Flutuo nesse presente cheio de reviravoltas, devires e cliffhangers.

Just because I don’t care doesn’t mean I don’t feel
Just because I don’t believe doesn’t mean I don’t understand
We are one in the unified field

(Everybody loves
Everybody leaves
Everybody hurts
Everybody heals
Everybody needs)

O irônico disso tudo é que quanto mais me desapego, quanto mais desacredito, quanto mais critico, mais vejo beleza naquilo que me cerca e me torno mais parte de um todo, que eu não sei bem qual é, mas não importa, ele é único, peculiar e estou muito bem acompanhada por pessoas com quem compartilho algumas dessas sensações. Até porque os que não convergem, foram por si próprios se deslocando da minha timeline da vida. Minimum-Maximum como prega o Kraftwerk. Mais qualidade de relações e menos superficialidades.

We are all the same
Counting down every second every living day
we are prisoners of fate
I smile at the way everybody accepts the pain

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Num caminho absolutamente e torto e acinzentado sigo meu rumo. As paisagens verdes anteriormente habitadas pelos celtas, pelos saxões, pelos vikings, pelos romanos e pelos vitorianos, – todos eles partes importantes do meu DNA cultural –  me ajudaram a projetar esse novo ano ao perceber cada vez mais a profunda conexão entre cada nó da rede. As cenas e subculturas nas quais eu sempre transitei me ajudam a pensar que as diferenças criam ao mesmo tempo hierarquias e distinções mas também controem laços poderosos de identificação e afeto que podem fazercom que uma guria saída de um bairro do suburbio do sul do país consiga se sentir confortavelmente em casa em situações tão díspares quanto um bar de heavy metal na Bastille ou numa festa/performance de sound art em um studio em Hackney. E segue o baile, porque IAMX, muso, consegue dizer muito melhor do que eu. Que comece meu novo ano!

I don’t care
I don’t believe
But I feel, I feel

Sob o céu de abril

hey honey what you trying to say
as i stand here
don’t you walk away
and the world comes tumbling down
hand in hand in a violent life

Março não foi nada fácil, o que me obrigou a postergar as postagens por um misto de cansaço, excesso de trabalho e um certo choque em relação a alguns acontecimentos. Existem coisas sobre as quais é preciso refletir e silenciar. Mas é fato que a carga de atividades desse mês (um volume de deadlines absurdo) e acontecimentos negativos contribuiu demais para essa parada. Além disso, as viagens a Santa Maria, Curitiba e São Paulo também quebraram meu ritmo de escrita, apesar de terem sido proveitosas.

# As complicações de março incluíram o cancelamento de 2 shows aos quais eu já havia me programado: Morrissey em Porto Alegre e Atari Teenage Riot em São Paulo. Felizmente o ATR apenas transferiu o show para o dia 15/6. Mesmo assim, fiquei bastante chateada pois já estava com tudo organizado para ir.  Mas nada superou o fato de que fui assaltada a poucas quadras de minha casa e tive meu notebook e o celular roubados (e minha mochila). Pior do que ter sido assaltada a caminho do trabalho de manhã, do que ter um prejuízo financeiro que eu não podia sobretudo nesse mês foi ir na delegacia e não poder fazer o o BO devido à greve.  Foi revoltante!

# Mas nem tudo foi negativo. Durante as viagens pude rever colegas e amigos e consegui visitar a magnífica Ocupação Angeli no Instituto Itaú Cultural em São Paulo. Essa exposição com a trajetória de Angeli está simplesmente fantástica. Se puderem, confiram. Outro destaque desse mês conturbado que se encerrou foi ver Roger Waters com o show The Wall Live. Uma experiência sensorial completa. Um dos melhores shows que já vi sem sombra de dúvida. Valeu cada centavo pago. Posicionamento político, estética, emoção e boa música.

i take my aim and i fake my words
i’m just your long time curse
and if you walk away
i can’t take it

# Estou no processo de encerramento da minha pesquisa e me encaminhando para novas questões. Algumas das minhas considerações iniciais sobre a questão do gosto e de como ele é debatido no âmbito dos sites de redes sociais apareceram no artigo que publiquei no Caderno Cultura de Zero Hora do dia 24 de Março de 2012 e também, de forma mais condensada no comentário em formato de vídeo intitulado Patrulhas do gosto.

# Além desse texto cujo formato é mais ensaístico/jornalístico, o paper que produzi com a minha orientanda de mestrado Camila Monteiro, intitulado “Eses roquero não curte ”: performance de gosto e fãs de música no Unidos Contra o Rock do Facebook foi aprovado para ser apresentado no GT Comunicação e Cibercultura da Compós, que acontecerá em junho de 2012 e que aprofunda algumas questões relativas à performatização do gosto e a questão de fãs e anti-fãs nos sites de redes sociais, a partir do estudo de um objeto um tanto quanto bizarro.

# Abril trouxe novos ventos gelados com o início da 2a temporada de Game of Thrones logo no primeiro dia do mês. Juntei alguns fãs da saga na minha casa para assistirem a transmissão do episódio que estrategicamente a HBO disponibilizou ao mesmo tempo em que os Estados Unidos. Foi uma experiência social bem divertida e com a qual eu não me envolvia desde o tempo do video-cassete – quando juntava os amigos para maratonas de filmes – ou mesmo algumas transmissões do Oscar que assistia com algumas amigas nos idos de 2000.

# Espero que o céu de abril seja menos tenso  e traga um pouquinho mais de tempo. Só isso e uma bela canção do Jesus & Mary Chain para fechar essa songpost.

under the april skies
under the april sun
sun grows cold
sky gets black
and you broke me up
and now you won’t come back
shaking hand, life is dead
and a broken heart
and a screaming head
under the april sky

“Turning here, looking back in time”: Especulando o retrofuturismo de 2012

2011 foi um ano dificílimo e complexo de ser apreendido por uma só ótica.

logos sociaisMobilizações e manifestações de cunho político, social, econômico, cultural, etc (ok, não é possível traçar linhas entre essas categorias ou tampouco delineá-las dados os embates de interesses cada vez maiores) através dos sites de redes sociais ganharam novos contornos e pautaram a mídia de referência (ou massiva ou mainstream, whatever). As guerras entre fandoms de gêneros musicais, bandas ou artistas; o ativismo político foi tudo trend topic. A rua e a tecnologia estiveram cada vez mais entrelaçadas através do fluxo de postagens e produção de conteúdos disponibilizados via celulares, tablets e dispositivos móveis em geral.

Ao contrário das previsões de alguns catastróficos, os blogs não morreram. Eles ganharam outras apropriações, voltadas a nichos cada vez mais específicos e se integraram à circulação e à re-circulação através de práticas como a da re-blogagem. Eis ai o excesso cognitivo e o destaque que o Tumblr ganhou nesse ano, sobretudo no que diz respeito à velocidade do humor e dos memes que “contagiaram” boa parte do que foi postado, sobretudo no Facebook e no Twitter. Curtir, retuitar, timeline, o vocabulário da computação social popularizou de tal forma que esteve presente nos mais diversos lugares como salões de beleza, almoços de família e discussões de bares. O excesso de conteúdo também nos deu momentos de estresse informacional por vezes divertidos e sociais  – como na cobertura de eventos como o Rock in Rio por exemplo – por vezes estúpidos em casos de racismo, homofobia, discriminação, etc. Tudo isso tem muito menos a ver com as plataformas e suas materialidades, mas com as misérias da humanidade. Contudo, O silêncio e a desconexão também são necessários.

Desde sempre visualizei o entrelaçamento dos ambientes, conteúdos, emoções, pessoas, mas em 2011 ficou tudo muito mais explícito com tantos aplicativos que congelam momentos da vida ou nos dão pistas e tracejados dos caminhos escolhidos. A instagramização da vida cotidiana; os amigos encontrados via geolocalização e a constante vigilância 4squareana do todos vêem, todos sabem; os angry birds da vida presencial nos atirando pedras a cada erro. A música e os videoclipes continuaram fluindo através do YouTube e seus comerciais insuportáveis; pelas nuvens cada vez mais populares do SoundCloud e o “modelão” de negócios do iTunes chegou ao final do ano no Brasil. A tensão entre o comércio,  as estratégias de marketing e as liberdades e anonimatos entraram em disputa várias vezes.

ABC

Em termos de cultura pop, 2011 apostou no revival, sobretudo tirando o mofo das camisas xadrezes e coturnos do grunge dos armários e guarda-roupas com os 20 anos de Nevermind, o retorno do Foo Fighters – com um álbum declaradamente nostálgico, Wasting Light – as referências em seriados (como Californication e outros) e filmes. O álbum tributo à Achtung Baby do U2 (1991) fechou um círculo de influenciáveis e influenciados com o Garbage do Butch Vig, o NIN de Trent Reznor e o eterno Depeche Mode (também produzido por Flood em Violator, outro grande álbum noventista).O dubstep virou pop e deu vida aos remixes de Justin Biber a Katy Perry, e o witch-house assombrou a música eletrônica.

A fantasia, ainda bem, retornou em grande estilo ao horário nobre da televisão com Game of Thrones sendo disparado o melhor seriado do ano (na minha opinião, claro). O horror e a bizarrice neo-gótica da América do Norte também teve seu espaço com American Horror Story oscilando entre o riso nervoso e o surrealismo fetichista. O retrô das mais variadas épocas deu a tônica em muitos momentos de 2011. Nunca se falou tanto nas redes  sobre as mais diversas épocas: o neovitorianismo steampunk; o fantástico medieval; os anos 90 nas festas e produções musicais. Até a realeza britância deu os ares de sua graça transformando novamente o ritual de um casamento real em um espetáculo global televisionado ao vivo, tuitado, blogado, etc. A curadoria de informações é um instrumento metodológico cada vez mais relevante, vejam só.

Não tenho bola de cristal, sou apenas uma pesquisadora das culturas emergentes, embora tenha os dons “cayce pollardianos de mediunidade semiótica coolhunting das ruas” (Fabio Fernandes All Rights Reserved). Especulo a partir de todo esse Zeitgeist – no sentido da especulação utilizado pela ficção-científica – que esse iníciozinho dos anos 10 (que começa com mais força agora em 2012) vai ser muito pautado por essa ambivalência experimental de sensações de tempo e espaço. Ainda estamos nos acostumando, enquanto sociedade, a nos apropriar dos meios, a nos estender tecno-social e materialmente pelos territórios, a compreender nossos corpos, desejos, sentimentos e pensamentos dentro desse contexto (re)mediado full-time, o que não é nada fácil, dai o apelo tão forte da nostalgia na construção de um futuro em constante conexão. E é nesse ponto que uma (an)arqueologia midiática se torna tão rica para observamos o presente e vislumbres do futuro dos artefatos e suas trajetórias narrativas, que contam cada um do seu jeito, nossas histórias/estórias.

Nesse sentido, desejo um 2012 repleto de narrativas, de grandes conquistas, de prazeres diários. “Celebrate the life and times of splendor” diz o VNV Nation em Space & Time, uma das melhores faixas de Automatic (2011), não por acaso um álbum conceitual acerca das tecnologias e estéticas dos anos 30, retrô-futurismo indicando até mesmo minha última songpost do ano. Em 2012, mais Victories Not Vengeances!

Space & Time

VNV Nation

Tear apart the life and times of familiar faces
And tracing lines to what connects me and binds me to
Images of the remote and never-changing
Grand designs, style and grace
And am i

Lost in thoughts on open seas
Let the currents carry me
If i could would i remain
Another life or another dream

No turning back, face the fact
I am lost in space and time
Turning here, looking back in time

One and all let us celebrate the rise and fall
Celebrate the life and times of splendor
Desire and love constant and never-changing
The flow of times, closed in lines
Can’t tell if i’m just

Lost in thoughts on open seas
Let the currents carry me
If i could would i remain
Another life or another dream

No turning back, face the fact
I am lost in space and time
Turning here, looking back in time

“Sometimes when I miss you I put those records on”

Música, nostalgia e memória. Quais são as implicações dessa tríade no universo da cultura pop contemporânea. Como já disse Nick Hornby há bom um tempo atrás, é possível que as canções tristes de amor tenham feito toda uma geração sofrer? Sofremos pq ouvimos as canções ou as canções fazem com que a gente sofra? É um paradoxo tostines típico. Mas Katy Perry com seu novo vídeo do álbum Teenage Dream apela à nossa nostalgia e ao mundo do “e se..” e das vidas que deixamos escapar. Será que a vida que vivemos é a aquela que deixamos de ter? Ou é aquela em que o acaso se ocupou de nos dar? Nossas escolhas nos determinam ou é tudo um grande deus ex machina? O que faríamos se tivéssemos uma máquina do tempo, consertaríamos tudo? “Em uma outra vida, eu seria sua garota” lamenta a velhinha do clipe.

No vídeo de The one that got away, o casal adolescente (protagonizados por uma Kate um tanto hipster e o galã latino barbudo, cabeludo, rebelde, artista e lindo – combo explosivo de acordo com a Camila Monteiro – Diego Luna)  e a idosa que rememora um grande amor perdido de juventude nos faz entrar em modo nostálgico e intertextual (Johny & June, Titanic, Diário de uma paixão, etc) gerando identificação de todos aqueles que já se jogaram nos abismos e vertigens da paixão na juventude e que perderam feio para a morte do relacionamento, seja ela apenas metafórica ou “real” como a do video. A história é a mais clichê possível, senso comum, etc e tal contudo, como afirma Maffesoli são esses clichês que permitem a identificação, o laço social e que causam a comoção do início ao final do vídeo. Desculpem ai os cults e cabeças, mas até eu que nem sou fã da cantora e muito menos desse estilo derramei minhas lágrimas de mulherzinha. Afinal, essa narrativa é uma velha conhecida, contada, recontada por anos de absorção de livros, filmes e discos e do imaginário da cultura pop como um todo, além de uma experiência da estética quase fisiológica, experimentação e empirismo no assunto.

Uma questão interessante que aparece na letra/video é a reflexão sobre o próprio papel da música como gatilho da memória. É através da materialidade dos discos que a Katy idosa relembra do amor: “Sometimes when I miss you I put those records on” canta a senhora nostalgicamente arrependida por “the one that got away”. O som e a música percorrem entranhas cognitivas mais encrustadas na alma do que somente a imagem e é por isso que esse apelo nostálgico gera tanto sentido e significado num produto como o videoclipe. É o Radiohead da primeira transa no carro, é  Johnny Cash do final trágico é o blues da tristeza da separação. A canção é um pop tristonho mas deliciosamente fácil cantado pela visão da garota, não é o lamento melancólico do rock/blues geralmente associado ao gênero masculino.

Nada disso pode mudar o mundo, afinal é só mais uma das tantas histórias de amor já contadas, é só mais um video de uma cantora pop, é só mais uma narrativa do que poderia ter sido e não foi. É só mais um artefato pop como dispositivo da memória.

Minha primeira tattoo está meio apagada… Por vida das dúvidas, nunca mais entrei em um carro em alta velocidade na estrada a caminho da praia; nunca mais invadi festas de pessoas mais velhas que eu sequer conhecia e dancei alucinadamente; e não voltei mais a Paris. Nunca mais escutei Misplaced Childhood do Marillion…

Summer after high school when
we first met
We’d make out in your Mustang
to Radiohead
And on my 18th birthday
We got matching tattoos
Used to steal your parents’ liquor and
climb to the roof
Talk about our future like we had
a clue
Never planned that one day
I’d be losing you

In another life, I would be your girl
We’d keep all our promises, be us
against the world
In another life, I would make you stay
So I don’t have to say you were
The one that got away
The one that got away

I was June and you were my
Johnny Cash
Never one without the other,
we made a pact
Sometimes when I miss you
I put those records on
Someone said you had your
tattoo removed
Saw you downtown, singing the blues
It’s time to face the music
I’m no longer your muse

In another life, I would be your girl
We’d keep all our promises, be us
against the world
In another life, I would make you stay
So I don’t have to say you were the
one that got away
The one that got away

The one
The one
The one
The one that got away

All this money can’t buy me
a time machine, no
Can’t replace you with a
million rings, no
I should have told you what you
meant to me, whoa
‘Cause now I pay the price

In another life, I would be your girl
We’d keep all our promises, be us
against the world
In another life, I would make you stay
So I don’t have to say you were the
one that got away
The one that got away

The one (the one)
The one (the one)
The one (the one)

In another life, I would make you stay
So I don’t have to say you were the
one that got away
The one that got away

Uma carta nunca enviada

Oi mãe,

Feriado e para variar acordei tarde. Lembra quando eu resmungava que tu me ligava muito cedo nos domingos e feriados? Dai tu começaste a ligar à tarde e eu nunca mais resmunguei. Sinceramente preferia continuar sendo acordada com o teu telefonema do que nunca mais ouvir tua voz no telefone como acontece agora. Dai eu contaria minha semana e os preparativos para as próximas viagens e coisas que estou fazendo. Tu te alegraria com as minhas conquistas e se entristeceria com o que me faz mal, mas diria que tudo vai passar, com aquela certeza que me fazia também acreditar sempre que o pior já havia passado. Depois de contarmos os acontecimentos óbvios da semana, tu passaria o fone para o meu pai que me perguntaria se eu já vi o novo seriado/ filme de ação/ suspense/ scifi em cartaz. Lamento não ter podido comentar sobre Thor, sobre Game of Thrones e as últimas coisas que vi nesses dois anos em que ele não estava mais ai para comentar. Daí o fone voltaria para ti e comentaríamos sobre outras coisas como meu jeito “sem jeito” para arrumar a casa ou ideias de receitas e soluções para coisas como “tirar manchas” de alguma roupa. Pois é, nunca tive grande talento para isso, mas ocasionalmente eu tento. Sei que jamais conseguiria fazer isso tão bem quanto tu, mas aprendi contigo mesma que meus talentos sempre foram outros.

Durante a última semana eu usei uma echarpe tua, aquela preta de petit poas brancas. Fiquei com todas elas, que darão todos os passeios possíveis que tu sempre gostou. Incrível, como a cada ano que passo me acho mais parecida contigo. Toda vez que eu sento na frente do espelho para me maquiar eu revejo a cena em que te via se arrumando, prendendo o cabelo, passando rímel, lápis e o batom vermelho. Eu assisti a essa cena boa parte da minha vida e agora a repito sem pestanejar, virando o olho para cima para passar o lápis na parte interna. Acho essa uma metáfora interessante sobre a condição feminina nesse mundo e aprendi contigo. Às vezes escorre uma lágrima, às vezes borramos e precisamos repetir, mas na medida certa dá aquele toque estético que faz a diferença. Pequenos gestos que nos lembram do que é realmente importante na vida.

Ontem estava contando uma história a uma amiga e precisei descrever detalhes sobre um vestido de festa vermelho que usei em umas formaturas nos anos 90. Lembra quando tu fizeste ele, do quanto brigamos? Pois é, foi eu sempre brigava porque detesto experimentar roupas na costureira. Mas recordei do quanto ele foi importante e marcou um período em que eu fui absurdamente feliz, uma felicidade vermelho carmim que incomodava a tantas pessoas. Cada objeto sempre guarda lembranças, artefatos contam narrativas de vida. Naquela época eu não tinha essa percepção e me desfiz quando achei que ele havia saído de moda.

Sim, eu tenho ido ao médico, estou tomando os remédios certinhos para o meu problema no estômago. Estou me cuidando, claro e como saladas mesmo as detestando em geral. Tenho sentido o peso dos 30 e poucos, certas coisas não tem jeito mesmo. Mas ok, continuo ouvindo música alta e dançando no meio da sala enquanto ninguém olha, como eu fazia desde que me conheço por gente. Também tive uma atitude genuinamente caridosa num dia da semana e recebi algo inesperado no dia posterior. Como tu sempre falava, “quem é generoso sem pensar, recebe em dobro sem saber nem de onde”. Não tenho visto meus irmãos tanto quanto deveria, o tempo e o volume de trabalho é sempre complicador. Mas no domingo vi a Julia e a Manu que está absurdamente parecida contigo: o cabelo, o sorriso e até o jeito de falar.

Escrevo essa carta que nunca poderei enviar 24h antes de completar um ano daquele dia fatídico, 3 de novembro de 2010. A dor ficou guardada em uma certa medida e as poucos vai se apaziguando. A saudade e as boas memórias permanecem. Agora vou sair e aproveitar o resto desta tarde ensolarada porque sei que tu acharia que essa é a atitude adequada, em vez de ficar chorando no cemitério. Estou apenas repetindo as palavras que tu sempre me ensinaste. Sim, viver a vida e fazer o bem pelas pessoas que amamos enquanto elas estão aqui e não depois quando já não há mais tempo. E é com essa consciência que coloco o ponto final.

Com amor e muita saudades,

Adri.

Learning to walk again

Agosto e setembro se despediram e com eles os últimos resquícios de um ano conturbado. Sim, eu conto o ano pelo mês do meu aniversário e não pela troca de calendário. Foi um ano de ligar os pontos e perceber os sinais que a vida estava emitindo. Me perdi pelo caminho,  desviei das rotas mas consegui retomar a estrada. Quem sabe eu não fico boa em recomeçar? São tantas idas e vindas.

A million miles away
Your signal in the distance
To whom it may concern
I think I lost my way
Getting good at starting over
Every time that I return

Houve um momento em que achei que a minha identidade havia escapulido pelo sufocamento cotidiano, pelo excesso de compromissos, pelos do’s and dont’s que a vida nos coloca. Também cheguei a imaginar que pertencia a algo maior, a um grupo e que talvez eu devesse me adaptar “adjust to fit in”.  Era ilusório como todo o resto. Afinal, estou sempre reaprendendo e consequentemente frustrando as expectativas alheias, uma vez que possivelmente nunca vou me adaptar completamente a modelos e padrões pré-determinados pelo senso comum. Me sentia como Dave Grohl nesse vídeo no momento em que ele olha para o lado e vê um adesivo do Bush e olha para o outro e dá de cara com um sticker do Coldplay. Faltava só criar coragem, abandonar o carro no meio do engarrafamento e fazer outra rota a pé.

Learning to walk again
I believe I’ve waited long enough
Where do I begin?
Learning to talk again
Can’t you see I’ve waited long enough
Where do I begin?

Faltava, não falta mais. Por que existem coisas que levam tempo sedimentando, que podem ser sufocadas, mas um dia elas retornam e ai aquela fúria toda emerge exorcizando o passado. Sim, Wasting light é um álbum de exorcismo do que Grohl viveu nos anos 90. Cada um a seu jeito, tambem exorcizo os demônios interiores e novamente aprendo a andar. A vida é assim, feita de rupturas e continuidades, de passagens, de flaneurie, de saber que nada dura para sempre, nem mesmo a chuva fria de novembro. Resgatei as raízes e agora um novo episódio do seriado me aguarda sem nenhum spoiler pela frente.

Do you remember the days
We built these paper mountains
And sat and watched them burn
I think I found my place
Can’t you feel it growing stronger
Little conqueror

It’s just another lonely Sunday

Há um belo domingo frio e ensolarado lá fora. Meu dia está repleto de visitas, animação e nada solitário, mas o mais recente vídeo do Hurts, Sunday, domina a minha playlist mostrando que há muito mais vida na música pop para além das “bizarrices estrambólicas histéricas” e chupadas de várias referências de Lady Gaga e da hipponguice marketeira de bandinhas virais.

O synthpop, esse gênero clássico e já bem antigo (tem pelo menos a minha idade hehe), ainda pode ter muito a dizer sonora e visualmente. Os ingleses do Hurts,  Theo Hutchcraft e Adam Anderson trazem mais um video/single do belo álbum Happiness – lançado no ano passado. Todas as músicas são ótimas e tem até a participação da diva Kylie – , mostrando que o formato canção rende e acrescenta, apesar da desconstrução polifônica de gêneros extremos como o noise.  Melódica, romântica e um tanto melancólica, Sunday não abusa dos efeitos digitais (autotune et al) que têm dominado a música pop e aposta no conforto sonoro, na estrutura orquestrada em crescimento dos synths e nos vocais caprichadamente bem produzidos. O visual minimalista p&b (terninhos luosho e cabelos impecáveis) de Theo e Adam colabora incorporando a tradição e o ar novo à retrô music da dupla, herdeira do que há de melhor no synth britânico (Depeche Mode, Duran Duran e cia ltda).

Não há apelação nem excessos, tudo no seu lugar, apenas um bom vídeo que não tem pretensões de guerrilha viral e que cumpre eficientemente a narrativa amorosa – uma boa música de amor ainda faz sentido- e estética da canção. É simples? É Não tem nada demais? Não. Mas no meu humilde entendimento é exatamente o que falta em boa parte do pop atual: uma  simples e bela canção que gruda no ouvido sem ser “over”e pretensiosa ou “super-produzida” com os efeitinhos tecnológicos da moda. Um vídeo esteticamente agradável que traz de volta o romatismo pós-punk oitentista (o cantor que faz o papel de protagonista e o synthplayer beirando a sisudez de um quase figurante no video) mas dialoga com a atualidade dessa década.O synthpop inglês e suas duplas (Yazoo, Erasure, Pet Shop Boys, Bronsky Beat, etc), esse quase quarentão, ainda tem o que nos dizer e ainda me emociona como se eu estivesse em 89 escrevendo no meu diário e não nesse blog público em que trato das minhas pesquisas.

A música sempre salva!

Um bom e nada lonely sunday a todos!

Sunday

There are times when we question the things we know
Never thought to the cracks will begin to show
We both know love is not that easy
I wish I know that if would be this love
To be alone. Please, Come home!

Loveless nights, they seem so long
I know that I’ll hold you someday
But ‘till you come back where you belong
It’s just another lonely Sunday.

Is this the end of the love that has just began?
I always hope that the best it was yet to come.
So please, come back, don’t you leave me
We both so young, I know you need me too.
And it’ll allways be times like this.

Loveless nights, they seem so long
I know that I’ll hold you someday
But ‘till you come back where you belong
It’s just another lonely Sunday.

Maybe we’ll see that we were wrong
If ever we look back one day
But ‘till you come back where you belong
It’s just another lonely Sunday.

Lonely, lonely.

If you don’t come back tomorrow
I’ll be left jere in the cold
If you don’t come back tomorrow, I’ll cold

Loveless nights, they seem so long
I know that I’ll hold you someday
But ‘till you come back where you belong
It’s just another lonely Sunday.

Maybe we’ll see that we were wrong
If ever we look back one day
But ‘till you come back where you belong
It’s just another lonely Sunday.
Lonely, lonely.

Lonely, lonely.