CfP CATaC¹12 – Cultural Attitudes towards Technology and Communication

CATaC¹12 (Cultural Attitudes towards Technology and Communication) ­ Call for Papers, Panel Proposals
Conference theme: Beyond the digital/cultural divide: in/visibility and new media.

The conference will take place June 18-20, 2012, at Aarhus University, Aarhus, Denmark. A pre-conference field trip will help us explore local sites of historical and contemporary significance in the development and deployment of diverse communication technologies. The conference dinner will feature some of the best of new Scandinavian cuisine at Nordens Folkekøkken,
Aarhus http://www.nordensfolkekokken.dk/.

Keynote speakers
* Dr. Rasha Abdullah (Associate Professor and Chair of the Journalism & Mass
Communication Department, The American University in Cairo). Provisional
title: ³Lessons from Egypt: the roles and limits of social media in
political activism and transformation.²

* Dr. Randi Markussen (Associate Professor and Head of Group, ³Technologies
in Practice,² IT University of Copenhagen).  Provisional title: ³E-Voting
and Public Control of Elections.²

The biennial CATaC conference series, begun in 1998, has become a premier international forum for current research on the complex interactions between culturally-variable norms, practices, and communication preferences, and interaction with the design, implementation and use of information and communication technologies (ICTs).   CATaC has been ranked by the Australian Research Council among the top 20% of conferences in terms of international impact and significance.

Our 2012 conference, as the title suggests, begins with the recognition that the ongoing issues and challenges clustering around digital divides – often involving mutually reinforcing cultural divides – extends beyond classic and stubborn problems of access to new media and communication technologies. Additional submissions are encouraged that address further conference
points of emphasis:

– Theoretical and practical approaches to analyzing ‘culture’
– New layers of imaging and texting interactions fostering and/or
threatening cultural diversity
– Impact of mobile technologies on privacy and surveillance
– Gender, sexuality and identity issues in social networks
– Cultural diversity in e-learning and/or m-learning
– Culturally-variable approaches to online identity management/creation,
privacy, trust Copyright and intellectual property rights: recent
developments, culturally-variable future directions
– Culturally-variable responses to commodification in online environments

For further details on conference themes and topics, please see the
conference website, <catacconferences.org>.

Both short (3-5 pages) and long (10-15 pages) original papers are sought for presentation.  Panel proposals addressing a specific theme or topic are also encouraged.

IMPORTANT DATES:
Submission of papers (short or full), panel proposals: 17 February 2012
Notification of acceptance: 16 March 2012
Final formatted papers (for conference proceedings): 19 April 2012
Conference: 18-20 June 2012

Registration fees (including pre-conference field trip and conference
dinner)
Earlybird (until April 20, 2012):
Full: $515.00
Reviewer: $495.00
Author: $495.00
Author & Reviewer: $475.00
Student: $400.00
(After April 20, 2012, add $50.00)

The primary conference hotel is First Hotel Atlantic
(<http://www.firsthotels.com/Our-hotels/Hotels-in-Denmark/Aarhus/First-Hotel
-Atlantic/>)  Conference participants will receive a discounted rate for
accommodations.

Additional accommodations are also available: more details soon on the
conference website, along with further details regarding program, submission
and registration procedures, travel, etc.

We look forward to welcoming you to Aarhus next June!

Charles Ess (IMV, Aarhus University, Denmark), Chair
Fay Sudweeks (Professor Emerita, Murdoch University, Australia), honorary
chair
Herbert Hrachovec (University of Vienna, Austria)
Leah Macfadyen (University of British Columbia, Canada)
Jose Abdelnour Nocera (University of West London, UK)
Kenneth Reeder (University of British Columbia, Canada)
Ylva Hård af Segerstad (Gothenburg University, Gothenburg, Sweden)
Michele M. Strano (Bridgewater College, Virginia, USA)
Andra Siibak (University of Tartu, Estonia)
Maja van der Velden (University of Oslo)

Expandindo a sala de aula

Faz alguns dias que tenho refletido sobre a relação entre as dinâmicas de aula/pesquisa e as tecnologias de comunicação uma vez que diretamente tenho percebido alguns movimentos, ações e reações em relação a isso sobretudo na minha Time Line do Twitter, nas discussões do Facebook e até aqui no blog, sem contar na própria sala de aula. Ou seja a contiguidade online/offline se apresenta sob fluxos e contribui (para o bem ou para o mal) para uma expansão da “sala de aula”como local de aprendizado. Ou melhor de uma outra utilização para a experiência de sala de aula. Não, não pretendo escrever um artigo sobre isso, são apenas reflexões com base em observações empíricas e em experiências do cotidiano com alunos universitários. Assim, cito abaixo alguns casos nos quais participei recentemente direta ou indiretamente.

1) Há umas três semanas por exemplo na minha aula do PPGCC (com mestrandos e doutorandos) estávamos discutindo um artigo de duas autoras a quem sigo. Comecei então a tuitar a apresentação do seminário da minha aluna e, uma das autoras do referido artigo, que estava online naquela hora começou a trocar informações ora respondendo perguntas, ora enviando links e referências bibliográficas ora tecendo comentários de ordem afetiva. Tanto através do meu perfil como de alunos que me seguem a conversação virou um diálogo produtivo que atraiu a participação de outros alunos (até mesmo da graduação) que liam a timeline e comentaram enquanto a aula acontecia e até mesmo depois, nos corredores;

2) Uma semana depois, mudei meu papel, e, sem saber comecei a interagir com um colega do PPG em Linguística  da Universidade Federal do Ceará que estava tuitando as discussões da aula dele no doutorado a respeito de um dos capítulos do livro “Métodos de Pesquisa para Internet” escrito por mim, Raquel Recuero e Suely Fragoso. Ou seja, exatamente a mesma dinâmica da semana anterior, mas dessa vez era eu quem estava inferindo e sendo carinhosamente arguida a respeita do meu trabalho de pesquisa. Uma inversão que me permitiu dialogar com colegas de outra área e ao qual foram sendo incorporados outros colegas que iam retuitando e comentando observações. Transdisciplinariedade na prática.

3) Esse não é um exemplo pontual, mas sim algo que tenho percebido ao longo dos semestres. O que é comentado em sala e o que é comentado nos SRS a respeito dos temas estudados (jornalismo digital, cibercultura, etc) também reflete as posições e  em relação a outros temas – como política, programas de TV, música, etc. Todo o entorno e o conteúdo dos perfis (de alunos e professores) acaba fazendo parte da aula ora em momentos mais descontraídos ora nos debates e seminários das aulas. Ou seja, tudo é meio que levado em consideração. Tenho achado esse fato cada vez mais interessante, uma vez que por exemplo um acontecimento midiático como o “casamento real ” gerou discussões sobre imaginário, contos de fadas e tecnologia numa aula da graduação. Cibercultura em toda sua potencialidade conversacional.

4) E, no último exemplo pontual da semana, na quinta-feira fiz aquele post aqui no blog sobre “estudos de Morrissey” um pouco em tom bem humorado, mas falando que eu realmente penso que seria uma ideia interessante (poderiam ser outros embora esse tenha sido um exemplo relevante). Recebi um comentário da Renata Spinola (a quem eu não conhecia nem pessoalmente nem online), doutoranda em Literatura da UFBA que me levou ao seu blog recém-criado, Morrissey is on my side , que compartilha os bastidores da sua tese de doutorado sobre a obra de Morrissey. Twittei sobre isso hoje comentando esse exemplo como uma forma de compartilhamento de resultados de pesquisa e, mais do que isso, de superação das dificuldades de se pesquisar um objeto/tema pouco estudado no Brasil e também como forma de sociabilidade e formação de parcerias entre pesquisadores de temáticas afins.

E o que esses casos podem nos indicar?

Não tenho nenhuma pretensão de respostas, mas vou seguir tentando. Estamos vivenciando um momento singular em relação aos processos de aprendizagem a partir da apropriação dos artefatos tecnológicos e midiáticos. Não são necessariamente melhores ou piores, mas é fato que a sala de aula não é o suficiente, ou melhor, precisamos pensar que ela também se expande em plataformas, não deixando de lado aspectos subjetivos de identificação. Pensar nessas dinâmicas de aula e experimentá-las (que nem sempre darão certo) dá trabalho – por vezes parecendo interminável – cansa, gera ansiedade e problemas, mas também traz resultados únicos e inesperados para a troca de informações e a construção do conhecimento, muito além da ementa, dos conteúdos programáticos e de todos aqueles termos pedagógicos aos quais nos acostumamos em nossas zonas de conforto e anos de estrada. Cada vez mais entendo meu trabalho como de mapeadora e curadora de temáticas e discussões nas aulas.

Para finalizar, duas dicas para esse domingo cinzento.

# O excelente post What Are Digital Literacies? Let’s Ask the Students sobre “letramento digital”do blog dos pesquisadores  do DML Central  – Digital Media and Learning.

# O segundo, um video sobre hipertexto em stop motion, produzido por três alunos meus na disciplina de Jornalismo Online I na graduação. O exercício consistia em explicar o conceito de hipertexto utilizando as linguagens com as quais eles se identificassem mais:

Nativos Digitais e Imigrantes Digitais – criticando os termos

digital nativesHá um bom tempo venho comentando com colegas e alunos em congressos, palestras, bancas, eventos, aulas e até mesmo aqui no blog o quanto me causa incômodo essa divisão “mercadológica” entre nativos digitais e imigrantes digitais. É uma dicotomia tão tola baseada em um “insight mezzo marketeiro” sem evidências de amostragem, dados ou evidências científicas. E o que é mais preocupante é que essa divisão – ou outras que significam a mesma coisa como Geração Net (Tapscott) ou Millenials (Howe & Strauss) – tem sido adotada quase como um modelo ou conceito, o que ela nunca foi. E assim, os termos seguem sendo reproduzidos desde matérias em telejornais até em  dissertações ou teses sem grandes preocupações em relação à discussão e profundidade dos significados dos mesmos. O que considero mais grave é que não parece haver contrapontos. Tempos atrás vi a danah boyd mencionar algumas críticas aos termos, fora isso, do pouco que li até o momento, muitas pessoas tendem a concordar com a adoção dessa divisão.  Mas essa semana lendo minhas feeds encontrei um post do blog de English Language Teaching da editora da Universidade de Oxford que faz uma boa relativização. Em Digital Natives: Fact of Fiction? Zöe Handley, professora de lingüística do departamento de Educação da Universidade de Oxford traça um resgate histórico dos termos, desde a publicação do primeiro texto de Prensky em 2001, até algumas reconsiderações de autores que apontam a falta de evidências cognitivas e neurológicas para tal abordagem. Segundo ela, o próprio Prensky reconsidera suas posições em um artigo de 2009, que a maioria dos que se engajaram em disseminar os termos parece fazer questão de ignorar. Embora o post seja bastante voltado à questão da educação, uma vez que o foco do blog é o ensino de língua inglesa, há aspectos bem interessantes levantados pela autora, em especial os resultados de pesquisas – cujas referências são citadas e linkadas até – que mostram que os supostos nativos digitais (nascidos a partir de 1982) não necessariamente usam as tecnologias de forma “produtiva”ou produzem conteúdo, embora estejam engajados nas redes sociais e constantemente online, ao passo que muitos dos “imigrantes digitais” podem se mostrar usuários muito mais frequentes. Os estudos mais recentes apontam que há uma variação muito grande nas experiências dos estudantes com as tecnologias, o que invalidaria uma dicotomia geracional por si só. Bem, gostei bastante da abordagem crítica do texto, que embora breve fornece algumas pistas – que podem ser melhor desenvolvidas – sobre o fato de que os “imigrantes digitais” através de suas práticas e experiências com as tecnologias podem vir a se tornar nativos e que os “nativos” nem sempre possuem toda a “performance” que lhe é atribuída. Julgo fundamental mais pesquisas e discussões acerca da adoção seja ela midiática ou acadêmica em relação a essas nomenclaturas, a fim de não acirrarmos ainda mais as distâncias entre gerações (em especial na questão professor-aluno) através da tecnologia como vetor ou como uma espécie de imposição devido a uma data de nascimento. São pontos a serem pensados com maior precisão daqui para frente.