Twitter da Narcisa vira objeto de pesquisa de TCC

mulheres ricas

No dia 02 de janeiro estreiou na TV Bandeirantes o reality show Mulheres Ricas, acompanhando “o cotidiano sem noção” de cinco peruas (desde lá estou assistindo o programa). O programa todo é muito caricato, das personagens à narrativa, passando pelas “beeshas chaveirinho” que são os assistentes de algumas delas, o figurino, os diálogos, etc. Tudo mais fake do que flor de plástico na sala daquela sua tia. E quem assiste algum programa desses esperando “realidade” ou “cultura” simplesmente não compreendeu as regras do jogo. O programa, assim como acontece todo o ano com o BBB, tem sido um dos mais comentados nos sites de redes sociais e se mantido nos Trending Topics constantemente, sobretudo, uma personagem já bastante conhecida do público: Narcisa Tamborindeguy, o que motivou a deixa para esse post.

Mesmo Narcisa sendo a personagem que menos aparece (Val, que já foi “escolhida”como “a vilã” por exemplo aparece o triplo de vezes), ela mantém uma torcida fiel e seu nome e outras hashtags relacionadas a ela – incentivadas por ela própria no seu perfil do Twitter – dominam os Trends durante o horário, além dos inúmeros RTs e comentários no Facebook e em outros sites. Narcisa é um personagem que rende e que, mesmo antes do programa já possuía uma construção identitária que estava entre o escancaradamente “fake” e o real com seus exageros e bordões por vezes beirando o estilo “Maria Antonieta”- na clássica frase a ela atribuída: “se não tem pão, que comam brioches” referindo-se ao povo francês que passava fome.

Bom, mas estou me desviando um pouco do meu ponto que era falar sobre o papel da construção dos personagens, que é e sempre foi central para o desenvolvimento de qualquer narrativa (literária, cinematográfica, etc). Em tempos de convergência, os personagens de um determinado produto de mídia/franquia são também aqueles que possibilitam níveis maiores ou menores de engajamento por parte dos fãs/atores sociais que investem seu tempo em consumir/comentar aquele programa. Dai a importância de se pesquisar e estudar as questões identitárias – que são o que, de certa forma, fundamentam na base a saga dos personagens – delineados nesse tipo de experiência comunicacional, sobretudo aquelas relacionadas ao entretenimento.

perfil narcisa

Assim, trabalhos que lidem com essas questões podem nos ajudar a compreender diferentes formas de consumo e maneiras de percebermos a maneira como se dá sua circulação e viralização nas redes. No semestre passado, tive o prazer de orientar um Trabalho de Conclusão de Curso que, de certa forma, observa competentemente com algumas dessas questões, e, inclusive têm o perfil “fake-real” de Narcisa como um dos seus objetos de análise: “A apropriação de identidade no ambiente virtual: uma abordagem sobre os perfis fakes do Twitter” de Dierli Mirelle dos Santos. O fenômeno dos fakes relacionados ao humor e a determinados memes tem sido uma das tônicas de maior atividade e popularidade do Twitter, mas ainda pouco estudado. Na monografia defendida com distinção, Dierli utilizou como recorte para escolha dos perfis os fakes de quatro celebridades (ou subcelebridades diriam alguns), em sua maioria conhecidas do meio televisivo: o jornalista esportivo Paulo Vinicius Coelho (PVC); o comentarista esportivo Cleber Machado; o roqueiro Serguei e a socialite Narcisa de Tamborindeguy.

O Twitter de Narcisa é um caso bastante peculiar, uma vez que ele iniciou como fake, mas a própria Narcisa gostou tanto das intervenções do perfil (aliado ao fato da alta popularidade do mesmo), que decidiu transformá-lo em oficial sendo que ele é utilizado por ela e pela pessoa que inicialmente gerenciava o perfil indistintamente. Ao longo da pesquisa, Dierli observa que a apropriação de rastros identitários se dá tanto nos perfis em si como por parte dos seguidores, sobretudo no que diz respeito à linguagem; o conteúdo que utiliza fatos atuais relacionados  ao “estilo de vida da personagem” e as interações intensas com os seguidores são as principais motivações para ser seguidor desse tipo de perfil.

Para mim, fica muito claro  que as peculiaridades e subjetividades da identidade mediada da “personagem” Narcisa são alguns dos itens que fazem com que ela alcance tanta popularidade em sua migração de “celebridade” da mídia tradicional para a internet e no fluxo entre ambas (agora com o retorno a um programa de televisão). Por outro lado, a TV re-atualiza e ressignifica a personagem dentro de seu contexto narrativo. Tudo isso combinado às possibilidades conversacionais dos SRS amplifica um determinado segmento de audiência do programa, que assim como os seguidores de Narcisa têm consciência da intencionalidade fake e procuram a diferença identitária como modo de entretenimento.

Palestra: “Jornalismo em redes sociais: para além das fronteiras dos jornais”

Hoje, a partir das 20h no Mini-auditório da biblioteca da Unisinos, em São Leopoldo acontece uma atividade organizada por mim dentro da disciplina de Jornalismo Online I, turma de segundas-feiras. É a palestra Jornalismo em redes sociais: para além das fronteiras dos jornais, que será proferida pela  Gabriela Zago.

Tema da palestra: Sites de redes sociais como Twitter, Orkut e Facebook são cada vez mais utilizados no Brasil. Cada vez mais os jornais buscam estabelecer presença nesses espaços, experimentando linguagens e formatos, produzindo novos conteúdos, pedindo colaborações ou ainda buscando atrair o público das redes sociais para o site do jornal. Pretende-se discutir as estratégias dos veículos em sites de redes sociais, em especial com relação aos modos pelos quais os conteúdos jornalísticos
circulam e recirculam no Twitter.

Sobre a palestrante:
Gabriela Zago é jornalista pela UCPel e graduada em Direito pela UFPEL. Foi Trainee da Editora Abril em 2011. É Doutoranda e Mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS,  desenvolve pesquisas nas áreas de jornalismo e redes sociais. Seu TCC sobre Twitter e Jornalismo foi premiado pela SBPJor como melhor pesquisa de graduação em 2009.

Duas monografias sobre o Twitter

Frequentemente recebo pedidos de indicações de referências produzidas em âmbito nacional sobre determinados assuntos e/ou plataformas digitais,  seja em nível de graduação ou pós-graduação. Selecionei então duas monografias de Conclusão de Concurso sobre o Twitter.

Nesse sentido, o trabalho Jornalismo em Microblogs: Um Estudo das Apropriações Jornalísticas do Twitter de Gabriela Zago defendido em 2008 na UCPEL e  premiado pela SBPJor em 2009 é uma referência básica (também os vários artigos que ela vem publicando sobre o tema Twitter e jornalismo), mas separei dois trabalhos que  discutem outros aspectos e amplificam as discussões já em nível de graduação, ambos tiraram nota dez. Para quem está fazendo TCC sobre o assunto, são bons exemplos de pesquisa empírica.

O primeiro deles é voltado à publicidade e ao branding e foi orientado por mim no primeiro semestre de 2010, ainda na UTP. Twitbranding – Um estudo de caso da construção da lovemark @osegredovitorio no Twitter foi produzido por Lorena Lenara Batista e Mayra Sampaio de Freitas Souza como TCC do curso de Publicidade e Propaganda da UTP.  Destaque para a extensa survey com os seguidores da lovemark O Segredo do Vitório.

O segundo foi defendido recentemente pela minha ex-aluna Aline Vonsovicz no curso de jornalismo da UTP e orientado pela colega Claudia Quadros. Jornalismo de 140 caracteres no Twitter retoma as discussões da convergência e da participaçao dos públicos. Atenção ao estudo de caso e entrevistas com três jornalistas, dentre eles a própria Gabriela Zago.

UPDATE: Marcelo Trasel, professor e pesquisador da FAMECOS/ PUCRS repassou o link para mais uma monografia sobre o Twitter orientada por ele em 2010:  Branding em 140 caracteres. O uso do Twitter na gestão de marcas de hotéis brasileiros, de Alan Souza Lupatini.